ANO A
23.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 23.º Domingo do Tempo Comum
Somos, de facto, “responsáveis por aquilo que cativamos” (Saint-Exupéry)? Qual a nossa responsabilidade para com os irmãos que caminham ao nosso lado? Temos o dever de intervir quando vemos alguém enveredar por caminhos errados? As leituras que a liturgia do vigésimo terceiro domingo comum nos convida a escutar propõem-nos uma reflexão sobre estas questões.
Na primeira leitura, Ezequiel define a missão profética: o profeta é uma “sentinela” que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projetos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a estorvar os planos de Deus. É dever do profeta chamar os seus concidadãos à razão e exortá-los a viver de acordo com as indicações de Deus. Se o profeta/sentinela não cumprir fielmente a sua missão, estará a impedir que a salvação de Deus se concretize na vida dos homens.
No Evangelho Jesus pede aos seus discípulos que assumam a responsabilidade de intervir quando virem alguém a enveredar por caminhos errados. Qualquer intervenção junto do irmão que errou deverá, no entanto, ser feita de acordo com a lei do amor e da misericórdia. O objetivo nunca poderá passar por magoar, humilhar ou condenar o irmão que falhou, mas sim ajudá-lo a sair do erro e a começar de novo.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo pede aos cristãos de Roma (e aos de todos os lugares e tempos) que coloquem no centro da sua experiência cristã o mandamento do amor. No dizer de Paulo, temos uma dívida de amor para com aqueles que partilham connosco o caminho da vida. É uma dívida que nunca estará completamente saldada e que devemos esforçar-nos por “pagar” a cada instante.
LEITURA I – Ezequiel 33,7-9
Eis o que diz o Senhor:
«Filho do homem,
coloquei-te como sentinela na casa de Israel.
Quando ouvires a palavra da minha boca,
deves avisá-los da minha parte.
Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’,
e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho,
o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade,
mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte.
Se tu, porém, avisares o ímpio,
para que se converta do seu caminho,
e ele não se converter,
morrerá nos seus pecados,
mas tu salvarás a tua vida».
CONTEXTO
Em 598 a.C. Nabucodonosor, rei da Babilónia, irritado pelas tentativas de Joaquim, rei de Judá, para se libertar do domínio babilónico, pôs cerco à cidade de Jerusalém. O rei Joaquim parece ter morrido durante o cerco da cidade (na versão de 2 Cr 36, contudo, Joaquim foi aprisionado e levado prisioneiro para a Babilónia). Sucedeu-lhe, no trono de Judá, o seu filho Joiaquin, que reinou apenas três meses (cf. 2Re 24,8-9), antes de cair nas mãos dos babilónios (cf. 2Re 24,10-16). O rei, a classe dirigente e todos aqueles que tinham alguma influência em Jerusalém foram deportados para a Babilónia (597 a.C.).
Nabucodonosor instalou, então, no trono de Judá um tal Sedecias. Durante algum tempo, Judá manteve-se tranquilo, pagando pontualmente os tributos devidos aos babilónios; mas, passados alguns anos, aproveitando a conjuntura política favorável, Sedecias aliou-se com os egípcios e deixou de pagar o tributo. Nabucodonosor enviou imediatamente um exército que cercou novamente Jerusalém. Apesar do socorro de um exército egípcio, Jerusalém teve de se render aos babilónios (586 a.C.). Sedecias tentou fugir da cidade; mas foi feito prisioneiro, viu os seus filhos serem assassinados e ele próprio foi levado prisioneiro para a Babilónia, onde acabou os seus dias.
Ezequiel, chamado “o profeta da esperança”, deve ser colocado neste cenário. Pertencendo a uma família sacerdotal, fez parte do primeiro grupo de exilados de Judá, levados para a Babilónia em 597 a.C. (no reinado de Joiaquin, quando Nabucodonosor conquista Jerusalém, pela primeira vez). Será na Babilónia que Ezequiel irá exercer a sua missão profética.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (altura em que sentiu o chamamento de Deus) e 586 a.C. (data em que Jerusalém é arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados é encaminhada para a Babilónia). Nesta fase, a preocupação primordial de Ezequiel passa por destruir as falsas esperanças dos exilados, convencidos de que em breve poderiam retornar a Jerusalém. Ezequiel, por mandato de Deus, avisa-os: não, não conteis com um regresso rápido a Jerusalém; o que acontecerá, de facto, é que os vossos conterrâneos que ficaram em Jerusalém – e que continuam a multiplicar as suas infidelidades contra Javé – serão derrotados novamente pelos babilónios e virão fazer-vos companhia no exílio.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C. e prolonga-se até cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, sem Templo, sem sacerdócio e sem culto, os exilados estão desanimados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus libertador e salvador não os abandonou. As palavras que, nesta fase, Ezequiel dirige aos seus concidadãos são palavras de ânimo e de esperança.
Pelo conteúdo, não é possível dizer de forma clara se o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura pertence à primeira ou à segunda fase da atividade profética de Ezequiel. Em qualquer caso, o profeta fala, nesse texto, sobre a missão a que foi chamado e define-a através de uma imagem bem expressiva: Javé colocou-o como “sentinela” (“sofeh”) junto dos exilados de Judá.
MENSAGEM
A imagem da sentinela aplicada ao profeta não é nova. Antes de Ezequiel, já Habacuc (cf. Hab 2,1), Isaías (cf. Is 21,6), Jeremias (cf. Jer 6,17) e Oseias (cf. Os 5,8) tinham recorrido a esta figura para definir a missão profética.
O que é que significa dizer que o profeta é uma “sentinela”? A sentinela é um vigilante atento que, enquanto os outros descansam, perscruta o horizonte, a fim de detetar qualquer ameaça que se aproxime. Quando pressente um perigo, a sentinela tem a obrigação de dar o alarme. Dessa forma, aqueles que se confiaram à sua guarda poderão enfrentar a ameaça e salvar-se. Se a sentinela não vigiar ou se não der o alarme, não cumpre a missão que lhe foi confiada e torna-se responsável pela ruína dos seus irmãos.
Assim é o profeta. Deus “recrutou-o” e colocou no meio da comunidade do Povo de Deus para perscrutar atentamente o horizonte da história e da vida e para dar o alarme sempre que a comunidade está em perigo. Para que o profeta desempenhe com bem a sua missão de sentinela, ele deve ser, ao mesmo tempo, um “homem de Deus” e um “homem do mundo”. O que é que isso significa?
Deus elegeu o profeta para o seu serviço ainda antes de ele ter sido formado no seio materno (cf. Jer 1,5). O profeta, consciente dessa eleição, procura viver em comunhão com Deus: escuta atentamente a Palavra de Deus, dialoga frequentemente com Deus, habita na intimidade de Deus. A proximidade de Deus que o profeta mantém, permite-lhe conhecer a vontade de Deus e discernir os projetos que Deus tem para os homens e para o mundo. No entanto, o profeta é também um homem que vive imerso na realidade social, política e cultural que o rodeia: conhece o mundo e a vida, está a par dos problemas e das crises que marcam o caminho quotidiano dos seus contemporâneos, identifica as falhas e infidelidades dos homens, é capaz de avaliar com um olhar crítico tudo o que se passa à sua volta.
Ao contemplar os planos de Deus e a vida do mundo, o profeta dá-se conta do desfasamento entre as duas realidades. Apercebe-se de que a realidade da vida dos homens é muito diferente do projeto que Deus sonhou para o mundo. Perante isto, o que faz o profeta? Fecha-se no seu mundo cómodo e ignora as infidelidades dos homens aos projetos de Deus? Demite-se das suas responsabilidades e não se incomoda com as escolhas erradas que os seus irmãos fazem? Cala-se e deixa que a ira de Deus se abata sobre os seus filhos? Não. O profeta foi escolhido para ser um sinal vivo de Deus no meio da sociedade. É sua missão alertar a comunidade para as consequências das suas escolhas erradas. Custe o que custar, doa a quem doer, o profeta tem que dizer a todos – mesmo que os seus concidadãos não o compreendam ou recusem escutá-lo – que continuar a trilhar esses caminhos errados não pode senão conduzir à infelicidade, ao sofrimento, à morte.
O profeta/sentinela é, em última análise, um sinal vivo do amor de Javé pelo seu povo. Ele é a voz de Deus que ecoa no mundo dos homens e que acorda os homens do imobilismo que os paralisa. Pela voz do profeta/sentinela, Deus corrige, avisa, chama a atenção, aponta a cada instante ao seu povo os caminhos que levam à salvação e à vida verdadeira.
INTERPELAÇÕES
• Cerca de 2.600 anos depois de Ezequiel, na era da digitalização e das redes globais, que é feito dos “profetas”? Deus prescindiu dos seus serviços e da sua intervenção na vida e na história do mundo? Já não há “sentinelas” vigilantes que façam chegar aos ouvidos e ao coração dos homens os desafios de Deus? Vem a propósito recordar uma realidade que frequentemente esquecemos: no dia em que fomos batizados e optamos por Deus, fomos ungidos com o óleo do Crisma e constituídos “profetas”, à imagem de Cristo. Desde esse dia, a vigilância profética, o testemunho profético, o compromisso profético, são componentes essenciais da nossa vocação cristã. Sentimo-nos “sentinelas” que, mesmo contra a corrente e contra as modas do momento, fazem soar no mundo os avisos de Deus? Que “alertas” transmitimos aos homens e mulheres do nosso tempo? Temos consciência de que, diante de Deus, somos responsáveis, em boa parte, pelo destino daqueles que caminham ao nosso lado?
• O profeta/sentinela não fala em nome próprio, nem procura publicitar as suas perspetivas ou teorias pessoais; mas esforça-se por ser a voz de Deus a ecoar no mundo… Os seus “dizeres” devem ser os “dizeres” de Deus, as suas denúncias devem ser as denúncias de Deus, as suas correções devem ser as correções de Deus, os seus avisos devem ser os avisos de Deus. Para isso, o profeta/sentinela tem de estar em total sintonia com Deus, plenamente “afinado” com Deus. Ora, essa sintonia só é possível a partir de uma escuta atenta de Deus, de um diálogo frequente com Deus, de uma comunhão estreita com Deus. O profeta/sentinela tem de ser, portanto, uma “pessoa de Deus”. Somos “pessoas de Deus”? Encontramos tempo e espaço para aprofundar a nossa comunhão com Deus, para escutar Deus, para dialogar com Deus sobre os Seus planos, para assimilar os projetos de Deus para o mundo e para os homens?
• Para poder ser voz de Deus que ecoa no mundo dos homens, o profeta/sentinela não pode viver alheado dos problemas humanos, escondido dentro de uma bolha protetora onde não chega a “lama” do mundo (as dores, os conflitos, as injustiças, as crises que afetam os homens); mas tem de conhecer os acontecimentos que marcam a história do seu tempo, de viver mergulhado na realidade que marca o dia a dia dos homens e das mulheres, de compreender os contextos sociais e culturais que definem a sua época… Depois, o profeta/sentinela pega em tudo isso e confronta-o com o projeto que Deus tem para o mundo e para os homens. Notará, inevitavelmente, incongruências e desfasamentos que deve denunciar. Estará então capacitado para lançar os seus alertas, para deixar os seus avisos, para apelar à conversão. Como vemos o mundo, como avaliamos a realidade que nos rodeia? O nosso olhar sobre o mundo é influenciado pela nossa fé, pela nossa compreensão de Deus e do Seu projeto?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 94 (95)
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não fecheis os vossos corações.
Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.
Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.
Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».
LEITURA II – Romanos 13,8-10
Irmãos:
Não devais a ninguém coisa alguma,
a não ser o amor de uns para com os outros,
pois, quem ama o próximo, cumpre a lei.
De facto, os mandamentos que dizem:
«Não cometerás adultério, não matarás,
não furtarás, não cobiçarás»,
e todos os outros mandamentos,
resumem-se nestas palavras:
«Amarás ao próximo como a ti mesmo».
A caridade não faz mal ao próximo.
A caridade é o pleno cumprimento da lei.
CONTEXTO
Por volta do ano 57 ou 58, Paulo está a terminar a sua terceira viagem missionária. Prepara-se para retornar à Palestina, onde vai entregar os donativos recolhidos em diversas igrejas do oriente, destinados a ajudar financeiramente os cristãos de Jerusalém. Sente que o seu trabalho apostólico no Mediterrâneo oriental está concluído e equaciona abrir, desta vez no ocidente, um novo campo de missão. Concretamente, Paulo pensa em passar por Roma e dirigir-se depois para a Espanha, a fim de aí dar testemunho do Evangelho de Jesus (cf. Rm 15,22-24).
Contudo, antes de pôr em prática este plano, Paulo resolve dirigir-se aos cristãos de Roma por carta. Apresenta-se e expõe-lhes, em traços largos, as linhas fundamentais do Evangelho que tem andado a anunciar. A Carta aos Romanos é um resumo sereno e lúcido da teologia paulina.
Algum tempo antes, no ano 49, o imperador Cláudio tinha publicado um édito que expulsava de Roma os judeus (incluindo os cristãos de origem judaica). Com o passar do tempo, contudo, muitos deles tinham regressado. Os judeo-cristãos que retornaram a Roma reocuparam os seus lugares na comunidade cristã; mas tiveram que lidar com a sobranceria dos cristãos de origem romana, habituados, nesses anos, a serem os “donos” exclusivos da comunidade. Surgiram conflitos e clivagens que afetaram a unidade e a comunhão. Na Carta aos Romanos, Paulo tem em conta esta problemática; a reflexão que faz pretende ajudar a comunidade de Roma a ultrapassar as divergências, reconhecendo que, na base da experiência de fé que os une, está o mesmo Evangelho do amor.
Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos cristãos divididos que o Evangelho é a força que congrega e que salva todo o crente, sem distinção de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a “justiça de Deus” dá vida a todos, sem distinção (cf. Rm 3,1-5,11); e é em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizados em Cristo, os cristãos morrem para o pecado e nascem para uma vida nova. Passam a ser conduzidos pelo Espírito e tornam-se filhos de Deus; libertados do pecado e da morte, produzem frutos de santificação e caminham para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante prática fala da forma de viver de acordo com o Evangelho de Jesus.
O nosso texto pertence à segunda parte da Carta. É um apelo ao amor e ao entendimento fraterno.
MENSAGEM
Aqueles que um dia se encontraram com Jesus e decidiram caminhar atrás d’Ele devem ter sempre diante dos olhos a lição da cruz: a vida faz sentido quando se torna um dom de amor, uma entrega total de si próprio por amor. Sem amor, o caminho cristão não passa de um exercício oco, de gestos estéreis, ou de uma mentira facilmente desmascarável. É pelo amor – pelo amor verdadeiro, que se materializa em gestos concretos de misericórdia, de partilha, de serviço, de cuidado, de perdão – que o mundo identifica os seguidores de Jesus (cf. Jo 13,35).
Portanto, a vivência do amor tem de ser uma realidade que abarca a totalidade da nossa existência. No que diz respeito ao amor, estaremos sempre em dívida para com os nossos irmãos (cf. Rm 13,8). Qualquer outra dívida que tenhamos pode ser liquidada de uma vez; mas o amor não: a cada instante é preciso amar, amar sempre mais, amar sem limites, amar de forma incondicional e a “fundo perdido”. Enquanto caminhar na terra, o cristão nunca poderá dizer que já amou o suficiente e que, a partir de um determinado momento, já cumpriu cabalmente a sua obrigação de amar.
No “testamento” que, na véspera da sua morte, Cristo deixou aos seus discípulos, insistiu especialmente no mandamento do amor (“dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” – cf. Jo 13,34). Paulo entende, a partir daqui, que o mandamento do amor sintetiza todos os outros mandamentos (“não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: ‘amarás ao próximo como a ti mesmo’” – Rm 13,9).
Paulo conclui mesmo esta breve exortação garantindo aos cristãos de Roma – e a nós também – que “o amor é o pleno cumprimento da Lei” (Rm 13,10). Quem ama cumpre totalmente a Lei que Deus deu ao Seu povo no Sinai. A ideia – aqui expressa – de que toda a Lei se resume no amor não é uma “invenção” de Paulo, mas é uma constante na tradição bíblica. O próprio Jesus afirmou-a claramente (cf. Mt 22,34-40).
INTERPELAÇÕES
• Para Jesus, o mandamento do amor não é mais um mandamento, a par de outros; mas é a base que dá sentido e consistência a todos os outros mandamentos. Não há volta a dar: quem não ama, está longe de Jesus e da sua proposta; quem não ama, não se identifica com Jesus nem pode integrar a comunidade do reino de Deus. Talvez necessitemos, a partir daqui, de repensar a nossa forma de definir o nosso caminho cristão e o nosso seguimento de Jesus… Sem amor por aqueles que são vítimas da injustiça e da intolerância, uma boa formação teológica ou um conhecimento suficiente da doutrina não fazem de nós bons cristãos; sem amor pelos mais frágeis e necessitados, o cumprimento formal das leis religiosas ou a frequência dos atos cultuais previstos no calendário religioso não fazem de nós bons cristãos; sem amor por aqueles que a sociedade abandona na berma das estradas da vida, os nossos atos de piedade ou as nossas orações decoradas e mil vezes repetidas não fazem de nós bons cristãos… Qual o lugar que o amor ocupa na nossa experiência de fé e na vivência concreta do nosso caminho cristão?
• A comunidade cristã de Roma era, ao tempo do apóstolo Paulo, uma comunidade dividida, com um dia a dia pontuado por divisões, por tensões, por gestos arrogantes, por lutas pelo poder. Estava longe de dar ao mundo um testemunho condizente com o Evangelho e com as propostas de Jesus. Paulo lembra aos cristãos de Roma que essa linha de comportamento não cabe na experiência cristã: os discípulos de Jesus devem dar testemunho do amor, devem distinguir-se pela forma como amam. Olhemos agora para as comunidades cristãs que integramos e nas quais fazemos a nossa experiência de fé… Quem olha, a partir de fora, para as nossas comunidades cristãs, descobre nelas as marcas do amor, ou as marcas da insensibilidade, do egoísmo, do confronto, do ciúme, da inveja, da maledicência, da arrogância? Os imigrantes sem papéis, os que levam vidas consideradas moralmente incorretas, os que não têm voz nem vez, os que carregam o peso de decisões erradas, os que a vida feriu e a sociedade condenou, são acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor?
• Paulo lembra-nos que, no que diz respeito ao amor, não há serviços mínimos e que a nossa dívida de amor nunca estará completamente saldada. Podemos, todos os dias, realizar gestos tocantes de partilha, de serviço, de acolhimento, de misericórdia, de bondade, de reconciliação, de perdão… mas é preciso, neste campo, ir sempre mais além, recomeçar uma e outra e outra vez: há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher; há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer; há sempre mais um sorriso que podemos partilhar; há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Estamos bem conscientes de que a nossa missão, enquanto testemunhas e mensageiros do amor de Deus no meio dos nossos irmãos, nunca está concluída?
ALELUIA – 2 Coríntios 5,19
Aleluia. Aleluia.
Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo
e confiou-nos a palavra da reconciliação.
EVANGELHO – Mateus 18,15-20
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».
CONTEXTO
Os comentadores do Evangelho segundo Mateus notam que a obra mateana se estrutura à volta de cinco grandes discursos de Jesus: o “sermão da montanha” (cf. Mt 5,1-7,29), o “discurso missionário” (cf. Mt 10), o “discurso sobre as parábolas do Reino” (cf. Mt 11,1-12,50), o “discurso eclesial” (cf. Mt 18) e o “discurso escatológico” (cf. Mt 24-25). Estes cinco discursos definiriam os cinco cadernos, ou cinco livros em que se dividiria este Evangelho. Estariam em paralelo com os cinco livros da Tora (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio); e seriam, no entendimento de Mateus, a Lei nova trazida por Jesus, a Lei da comunidade da nova Aliança.
O texto evangélico que a liturgia do vigésimo terceiro domingo comum nos propõe integra o quarto desses discursos de Jesus. Nele Jesus, dirigindo-se aos discípulos, deixa-lhes indicações sobre a forma de edificarem a comunidade do Reino de Deus.
Aparentemente o “discurso eclesial” tem muito de composição mateana. Para compor este texto, Mateus partiu de uma instrução apresentada por Marcos sobre a vida comunitária (cf. Mc 9,33-37. 42-48); mas acrescentou-lhes outros materiais (“ditos”) vindos de outras fontes, talvez da “fonte Quelle” (documento hipotético composto por ditos e ensinamentos de Jesus, utilizado como base comum pelos evangelhos de Mateus e de Lucas).
O catequista Mateus pretendeu, com este discurso, interpelar uma comunidade cristã concreta, certamente a comunidade-destinatária do Evangelho que escreveu. Seria uma comunidade formada predominantemente por cristãos de origem judaica, situada na região da Síria (poderia ser a Igreja de Antioquia da Síria). Era, em qualquer caso, uma comunidade onde existiam tensões, problemas de convivência, atitudes de prepotência e arrogância, ofensas que deixavam feridas abertas no tecido comunitário, dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos “pecadores”. O catequista Mateus propõe-se, com esta exortação, purificar a comunidade e ajudá-la a percorrer um caminho de maior fidelidade ao Evangelho de Jesus.
MENSAGEM
O texto junta diversos “ditos” de Jesus. O primeiro – o mais desenvolvido – refere-se à correção fraterna (cf. Mt 18,15-17); os outros (cf. Mt 18,18-20) abordam aspetos diversos da vida comunitária.
As comunidades cristãs dos primeiros tempos, sobretudo as que eram maioritariamente constituídas por cristãos de origem judaica (como era o caso da comunidade de Mateus), organizaram-se segundo o modelo sinagogal. Ora, a estrutura sinagogal admitia a excomunhão (designada “niddui” ou “herem”) como uma ferramenta disciplinar usada para manter a coesão comunitária e a pureza doutrinal. O chefe da sinagoga (“archisynagogus”), muitas vezes em conjunto com um conselho de anciãos ou tribunal rabínico, tinha autoridade para impor a excomunhão a membros da comunidade que cometessem faltas consideradas graves. Deveria, esta estrutura, manter-se na Igreja nascida de Jesus? Como é que os membros da comunidade da nova Aliança devem proceder quando alguém infringe gravemente as normas comunitárias? Devem condenar e afastar o infrator?
Jesus não admite soluções radicais – a eliminação, a punição severa, o corte de relações – quando se trata de lidar com as falhas e os erros dos irmãos. A lei do amor será sempre, para os discípulos de Jesus, a lei fundamental, a lei que tudo condiciona; por isso, qualquer intervenção junto do irmão que falhou deve ser guiada pelo bom senso, pelo equilíbrio, pela tolerância, pela compreensão, acima de tudo pela misericórdia.
De acordo com Mateus, Jesus sugere um caminho em várias etapas… Quem se propõe intervir junto do irmão que errou deve, em primeiro lugar, procurar esse irmão e falar com ele em privado (“ se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós” – Mt 18,15). O caminho correto passa pelo confronto pessoal, leal, honesto e sereno com o irmão em causa. A solução nunca estará na crítica desleal, nos comentários feitos na ausência do irmão, na condenação pública, na difusão de boatos que atentem contra a honra e o direito do outro ao bom nome.
Se esse encontro privado não resultar, Jesus propõe uma segunda tentativa. Essa nova tentativa poderá passar pelo envolvimento de outros irmãos (“se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas” – Mt 18,16), como mandava a lei de Moisés (cf. Dt 19,15): talvez o testemunho e o conselho de várias pessoas ajude o infrator a pensar melhor e a tomar consciência do sem sentido do seu comportamento.
Finalmente, como último recurso, deverá recorrer-se à comunidade. A comunidade será então chamada a confrontar o infrator, a recordar-lhe as exigências do caminho cristão e a pedir-lhe uma decisão (cf. Mt 18,17).
No caso de o infrator se obstinar no seu comportamento errado, a comunidade terá que reconhecer, com dor, a situação em que esse irmão se colocou a si próprio; e terá de aceitar que a escolha que ele fez o colocou à margem da comunidade. Mateus acrescenta que, nesse caso, o faltoso será considerado como “um pagão ou um cobrador de impostos” (cf. Mt 18,17b). Isto significa que os pagãos e os cobradores de impostos não têm lugar na comunidade de Mateus? Não exatamente. Ao usar este exemplo, o autor deste texto não pretende referir-se a indivíduos, mas a situações. Trata-se de imagens tipicamente judaicas para falar de pessoas que estão instaladas em situações de erro, que se obstinam no seu mau proceder e que recusam todas as oportunidades de integrar a comunidade da salvação. De resto, não podemos esquecer que Jesus acolhia os publicanos e sentava-se com eles à mesa (cf. Mt 9,10-13); e que até chamou um cobrador de impostos para O seguir e para integrar a comunidade do Reino de Deus (cf. Mt 9,9). Portanto, na comunidade cristã haverá sempre lugar para todo aquele – seja ele quem for – que se mostre disponível para abraçar o convite de Jesus.
É claro que Mateus não pretende sugerir que a Igreja possa excluir da comunhão eclesial qualquer irmão que errou. Na verdade, a Igreja é uma realidade divina e humana, onde coexistem a santidade e o pecado. O que Mateus aqui sugere é que a Igreja tem de tomar posição quando algum dos seus membros, de forma consciente e obstinada, recusa a proposta do Reino e realiza atos que estão frontalmente contra o Evangelho de Jesus. Nesse caso, contudo, nem é a Igreja que exclui o prevaricador; mas ele é que, pelas suas opções, se coloca decididamente à margem da comunidade. À Igreja competirá, em qualquer caso, manter sempre as suas portas abertas para acolher todos aqueles que se dispõem a abraçar o convite de Jesus.
Depois da instrução sobre a correção fraterna, Mateus acrescenta três “ditos” de Jesus (cf. Mt 18,18-20) que, originalmente, seriam independentes, mas que Mateus achou por bem encaixar neste contexto.
O primeiro (cf. Mt 18,18) refere-se ao poder, conferido à comunidade eclesial, de “ligar” e “desligar”. Entre os judeus, a expressão designava o poder para interpretar a Lei de Moisés, para declarar o que era ou não permitido e para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus. No cenário cristão, indica que a comunidade eclesial tem a autoridade para interpretar as palavras de Jesus e para acolher aqueles que aceitam as propostas de Jesus.
O segundo (cf. Mt 18,19) sugere que as decisões graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de oração. Também garante aos discípulos que, sempre que se reunirem em oração para discernir os caminhos a percorrer, o Pai os escutará e os ajudará a tomar a decisão certa.
O terceiro (cf. Mt 18,20) assegura aos discípulos a presença constante de Jesus junto da comunidade que se reúne em Seu nome. A tradição rabínica dizia que “onde dois se reúnem para estudar as palavras da Lei, a Shekiná (presença de Deus) está com eles” (tratado “Pirkei Avot”, 3,2); paralelamente, o “dito” conservado por Mateus sugere que Jesus é a razão, a fonte, a força, a vida da comunidade dos discípulos. No contexto em que Mateus o colocou, no discurso eclesial, o “dito” indica que as tentativas de correção e de reconciliação entre irmãos, no seio da comunidade, terão o apoio e a assistência de Jesus.
INTERPELAÇÕES
• Até que ponto somos responsáveis pelos homens e mulheres que se cruzam connosco nos caminhos da vida? Devemos intervir quando vemos alguém escolher caminhos que lhe fazem mal ou que causam sofrimento aos outros homens e mulheres? Podemos ficar de braços cruzados quando alguém toma atitudes que atentam contra a vida, a liberdade, a dignidade, os direitos dos seus irmãos? O Evangelho deste domingo sugere a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Convida-nos a tratar com amor e respeito o irmão que falhou, mas a não pactuar com as atitudes erradas que ele possa ter assumido. Amar significa, muitas vezes, corrigir, admoestar, questionar, interpelar, educar… Só quem ama muito e respeita muito o outro ousa correr o risco de discordar, de reprovar, de fazer observações que vão magoar um irmão. Quem não ama o outro é que prefere o silêncio confortável à conversa desconfortável. É necessário ser corajoso para arriscar a harmonia momentânea em prol de uma intervenção educadora, que ajude o outro a crescer. Esse tipo de intervenção, quando feita com respeito e amor, é um ato de lealdade, pois busca proteger o outro ou ajudá-lo a evoluir. Como é que procedemos quando vemos alguém fazer escolhas erradas? Escolhemos a passividade que não incomoda, ou a intervenção incómoda que questiona e desafia?
• Uma outra questão é a forma de intervir… Como devemos proceder quando constatamos que o outro atuou de maneira injusta e desleal? Retiramos-lhe simplesmente a nossa amizade, cortamos a comunicação, excluímo-lo do nosso círculo de relações? Ou, pior ainda, publicitamos os erros que o nosso irmão cometeu, criticamo-lo quando ele não está presente, alimentamos a maledicência contra ele, destruímos-lhe a credibilidade e o bom nome, fazemos com que ele seja julgado e condenado na praça pública, sem possibilidade de defesa? A proposta de Jesus vai exatamente em sentido contrário… Recomenda ao ofendido que vá ao encontro do irmão que tomou atitudes erradas e que se disponha a dialogar leal e frontalmente com ele, movido por um desejo interior de paz e de sincera reconciliação, dando ao outro a possibilidade de se explicar e procurando compreender o seu ponto de vista. Só essa atitude é realmente construtiva e evita que se levantem muros que separam definitivamente os homens. Como é que abordamos aqueles que nos ofenderam ou que tiveram atitudes com as quais não concordamos? A nossa intervenção junto do irmão que errou está sempre subordinada à lei do amor e da misericórdia?
• A comunidade nascida de Jesus tem o direito e o dever de tomar posição e de pronunciar palavras de denúncia diante de atos que afetam gravemente o bem comum ou a dignidade das pessoas… No entanto, deve distinguir claramente entre a pessoa que errou e os atos que ela cometeu. As ações erradas devem ser denunciadas e condenadas; as pessoas que as cometeram devem ser sempre tratadas com amor e misericórdia. A Igreja deve manter as suas portas sempre abertas para todos aqueles que estão disponíveis para acolher as propostas de Jesus, independentemente do número ou da gravidade das faltas que fizeram. É isso que acontece nas nossas comunidades cristãs? Como lidamos com aqueles que têm comportamentos considerados incorretos à luz da moral cristã? Como é que falamos – também nas nossas conversas privadas – daqueles que têm atitudes que nos chocam ou que vão contra a nossa compreensão da vida?
• Jesus disse aos discípulos: “se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus”. Jesus poderá estar a referir-se aos momentos em que comunidade se reúne para tomar as decisões que lhe permitam concretizar, com fidelidade, a missão que lhe foi confiada: se esses momentos forem vividos em clima de oração e de escuta de Deus, Deus não deixará de se fazer presente e de apontar os caminhos a percorrer. Quando nos reunimos em comunidade para tomar decisões e para discutir projetos pastorais, fazemo-lo em clima de oração e de escuta de Deus?
• Jesus disse aos discípulos: “onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”. Entre os cristãos comenta-se frequentemente, em tom jocoso, que quando Jesus vier de novo talvez não nos encontre unidos, mas encontrar-nos-á, com toda a certeza, reunidos… De facto, fazemos reuniões para tudo, para discutir todo o tipo de questões, para elaborar todo o tipo de planos, para tomar todo o tipo de decisões, para programar todo o tipo de atividades. Sempre que nos reunimos, colocamos Jesus no centro? Sentimos que Jesus está connosco, temos presente o seu Evangelho, preocupamo-nos em escutar as suas indicações, procuramos discernir os caminhos que Ele nos aponta, temos em vista a concretização do grande projeto que Ele nos confiou, o Reino de Deus?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 23.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 23.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. PRIVILEGIAR O TEMPO DO ACOLHIMENTO.
É o recomeço. A maior parte dos fiéis estão agora de regresso à paróquia. Será bom privilegiar o tempo do acolhimento, em particular dos novos paroquianos. Depois do sinal da cruz, da saudação e da introdução à celebração, o presidente pode convidar cada um a saudar os seus vizinhos de lugar. Pode igualmente pedir aos novos paroquianos para se apresentarem e acolhê-los em nome de toda a comunidade. Será igualmente bom privilegiar o gesto de paz. O presidente dá a paz a algumas pessoas que vêm ao altar. A paz é em seguida transmitida progressivamente por esse grupo e cada um dá a paz a outra pessoa, depois de a ter recebido simbolicamente. Saudar-se, dar a paz… tal deve continuar depois da celebração. Isso deve ser expresso nas palavras finais de envio. Se possível, pode-se organizar um pequeno convívio após a celebração.
3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Bendito sejas, Deus de santidade, que nos chamas a ser santos como Tu mesmo és santo. Nós Te louvamos pelos profetas que nos envias em todo o tempo como sentinelas, para vigiar o nosso caminho e para nos guiar.
Nós Te pedimos por todas as comunidades cristãs: que o teu Espírito nos purifique das más condutas que desvalorizam o nosso testemunho.
No final da segunda leitura:
Nós Te damos graças, Deus de amor, pela Lei viva que nos deste em Jesus e pelos teus apóstolos. Ela é comunicação do teu Espírito. Nós reconhecemos a imensa dívida de amor que temos para contigo.
Nós Te pedimos: mantém-nos recetivos ao teu Espírito de amor. Que ele nos torne conscientes da dívida de mútuo amor de uns para com os outros.
No final do Evangelho:
Deus justo e bom, se eu não interpelar o irmão ou a irmã que se perde, estou em dívida para contigo, porque me torno cúmplice do mal que não me esforço de impedir.
Que o teu Espírito seja para mim fonte de discernimento e de coragem!
4. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística II das Assembleias com Crianças, que evoca com insistência o amor ao próximo e a comunhão fraterna aos quais nos convidam a segunda leitura e o Evangelho de hoje.
5. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Ser sentinela… A religião cristã não é um simples assunto pessoal que só a nós diz respeito e que nos desinteressa dos outros. “Sentinela”: qual é o cuidado missionário que está em nós para transmitir a Palavra do Senhor aos nossos irmãos? O nosso amor para com eles é suficientemente forte para os convidar a uma mudança de conduta, se necessário? “Sentinelas”: o amor ao próximo é para nós uma dinâmica de conversão pessoal e comunitária?
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org