#EstamosEmCasa nº 9

Vida em quarentena, Madrid

Já estamos em abril e parece mentira. Quase que se perde noção do tempo. Felizmente as horas marcadas pelos momentos de oração vão acertando o relógio biológico.

Em Madrid, estou numa comunidade que trabalha num colégio com um pouco mais de 1200 alunos. O silêncio sente-se mais num edifício que, desde o dia 11 de Março, está sem o barulho habitual dos alunos.

Somos 8 religiosos e estamos também a acolher um imigrante venezuelano pelas situação que, como sabemos vive aquele país.
Apesar de tudo a vida não pára. Seguimos procurando manter a rotina normal, com os momentos de oração – com as devidas distâncias – com os trabalhos de limpeza de uma casa são grande e até com trabalhos extra de construção civil (descobrimos uma fuga num cano da lavandaria).

Eu, depois de 11 dias de cama com febre alta e tosse, sigo em quarentena no meu quarto, com os normais deveres e trabalhos do Instituto de Vida Religiosa. É uma precaução pois temos um confrade que foi submetido recentemente a uma operação a uma hérnia que não correu como esperado e tem a imunidade mais enfraquecida.

As notícias de Madrid não são as melhores e mesmo podemos dizer que estamos de luto já com vários pais de professores e funcionários e avós de alunos que perderam a vida.

Apesar da tristeza este momento de quarentena levamos a pensar como é bom parar e dar valor ao que temos, às relações humanas que partilhamos, aos momentos de oração. No fim, poderemos apreciar mais e melhor o que nos foi tirado.

Para mais rapidamente sair desta situação.

P Ricardo Teixeira, SCJ

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