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23 Erat ergo recumbens unus ex discipulis eius in sinu Iesu quem diligebat Iesus 24 innuit ergo huic Simon Petrus et dicit ei quis est de quo dicit 25 itaque cum recubuisset ille supra pectus Iesu dicit ei Domine quis est (Jo 13, 23-25).

23 Ora, ali estava aconchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava; 24 a esse fez Simão Pedro sinal, dizendo-lhe: Pergunta a quem ele se refere. 25 Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é? (Jo 13, 23-25).
 

Primeiro Prelúdio. – S. João compreendeu imediatamente que a Eucaristia é o dom do Coração de Jesus.

Segundo Prelúdio. Coração eucarístico de Jesus, ganhai o meu coração à união convosco.

PRIMEIRO PONTO: No Cenáculo, S. João compreende que o dom da Eucaristia vem do Coração de Jesus. – É no seio de Jesus, in sinu Jesu; é sobre o peito de Jesus, supra pectus Jesu, que S. João faz a sua acção de graças. Mal comungou, inclina-se sobre o seio de Jesus. Recebeu a eucaristia, vai à sua fonte. Não se contenta com o dom, como os outros, vai até ao tesouro donde o dom saiu.
O seu gesto prega-nos. É como se nos dissesse: «Vedes, é de lá que vem este dom inefável. Apoiando-me lá, bebo na fonte. Como os israelitas bebiam a água vivificante que brotava da fenda do rochedo, assim eu bebo com alegria nas fontes donde brota a Eucaristia. É lá que eu levo a minha acção de graças, à fonte mesma, ao Coração generoso de Jesus…».
Como S. João, unamos a Eucaristia ao Coração de Jesus. Ele é a sua fonte, espera o nosso agradecimento pela sua bondade infinita…

SEGUNDO PONTO: Em Paray, é na Eucaristia que o Sagrado Coração revela o seu amor. – Enquanto os anjos e os santos contemplam, admiram, adoram e cantam o amor do Coração de Jesus, nos esplendores da glória, os homens são chamados a honrá-lo, a amá-lo, de preferência, na vida eucarística. É ordinariamente na Eucaristia que ele se manifesta em Paray-le-Monial, para solicitar o nosso amor.
«Um dos meus mais rudes suplícios, diz Margarida Maria, era quando este divino Coração me era apresentado com estas palavras: Tenho sede, mas de uma sede tão ardente de ser amado pelos homens no Santíssimo Sacramento, que esta sede me consome; e não encontro ninguém que se esforce, segundo o meu desejo, para me dessedentar, /659 dando alguma compensação ao meu amor».
Foi diante do Santíssimo Sacramento que Margarida Maria recebeu as suas grandes revelações.
Na primeira, a começar: «Uma vez, diz, estando diante do Santíssimo Sacramento, encontrei-me toda investida desta divina presença… Abandonei-me a este divino espírito. Fez-me reconhecer que o grande desejo que ele tem de ser perfeitamente amado pelos homens, tinha-o levado a formar o desígnio de lhes manifestar o seu Coração».
Noutra vez, em que o Santíssimo Sacramento estava exposto, manifestou-lhe as maravilhas do seu puro amor, que não é pago senão por ingratidões. Diz-lhe: «É o que me é mais sensível que tudo o que sofri na minha paixão, tanto que se os homens me dessem alguma troca de amor, consideraria pouco tudo o que fiz por eles, e quereria, se pudesse, ainda fazer mais…».
Foi diante da Eucaristia também que ela ouviu a grande revelação tão conhecida: Eis Coração que tanto amou os homens! Noutra vez, escreve, estando diante do Santíssimo Sacramento, num dia da sua oitava, o meu Deus, descobrindo-me o seu divino Coração, disse-me: «Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e consumir, para lhes testemunhar o seu amor».

TERCEIRO PONTO: É também na Eucaristia que Nosso Senhor pede reparação. – Num dia de comunhão, contam os contemporâneos, como a venerável Irmã, durante a sua acção de graças sentisse um vivo desejo de fazer alguma coisa pelo seu Deus, o Bem-Amado da sua alma pediu-lhe interiormente se ela não se importaria de sofrer todas as penas que os pecadores mereciam, a fim de que ele fosse glorificado por todas estas almas.
Noutra vez, conta, num tempo de Carnaval, Nosso Senhor apresentou-se a mim depois da santa comunhão, sob a figura de um Ecce homo, carregado com a sua cruz, todo coberto de chagas e de contusões. O seu sangue adorável corria de todas as partes; disse com uma voz dolorosamente triste: «Não haverá ninguém que tenha piedade de mim, e que queira compadecer e tomar parte na minha dor, no lamentável estado em que me colocam os pecadores, sobretudo no presente?».
É sempre a Eucaristia. A devoção ao Sagrado Coração é sobretudo eucarística. Onde procuramos o Coração de Jesus melhor que na Eucaristia? Os abaixamentos do presépio e as angústias da Paixão não são mais do que uma recordação; a glória do céu não é mais do que uma esperança; Jesus não nos é acessível senão na Eucaristia. Lá o seu Coração bate junto de nós.

Resoluções. – Bom Mestre, quero unir estas duas devoções, como me haveis ensinado vós mesmo nas manifestações a Margarida Maria. Na Eucaristia encontra-se o vosso Coração vivo, amante e ofendido. Visitá-lo-ei muitas vezes, voltar-me-ei muitas vezes para ele, como fazia a vossa fiel serva.

Colóquio com o Coração Eucarístico de Jesus.