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A Eucaristia na vida do Padre Dehon

A vida sacerdotal do P. Dehon foi iluminada pela Eucaristia. Nos inícios do seu sacerdócio estava todo possuído pela celebração da Santa Missa: “Durante todo um ano não consegui celebrar uma única vez a Missa sem lágrimas. Nunca quis ouvir falar de estipêndio pela Missa. Repugnava-me unir a preocupação do dinheiro a uma acção tão santa”, diz de si no Diário.
Aos seus filhos ensinará: “A vida do Sacerdote do Sagrado Coração deve ser o prolongamento da sua Missa: adorar, agradecer, rezar, pedir misericórdia em união com Jesus, que se imola sobre a cruz e sobre o altar, com Maria co-redentora e Rainha do clero”.
Na Eucaristia encontrou a alma do seu apostolado: “A Eucaristia é o lar, a base, o centro de toda a vida, de cada obra de todo o apostolado. O operário evangélico que não vive de vida eucarística, tem uma palavra sem vida e uma acção ineficaz” (NQ, Julho 1910).
O P. Dehon considerava a Santa Missa não como uma prática de piedade, mas o acto de culto por excelência. Gostava de repetir, quase como um slogan: “A Missa é a luz do pleno meio-dia, que ilumina todos os outros exercícios de piedade”, “o Santo sacrifício da Missa é para todos os Sacerdotes do Sagrado Coração o grande acto do dia, o acto principal”. A Santa Missa, de facto, celebra a obra da redenção, actualizando aqui e agora o sacrifício de Cristo. Na celebração eucarística estamos associados à oblação e ao sacrifício de Cristo e, deste modo, colaboramos com Cristo para realizar o seu desígnio de honra a Deus e de salvação do homem.
O P. Dehon estabeleceu para o seu Instituto o costume de celebrar Santas Missas reparadoras, sem estipêndio. Cada padre dehoniano celebra um Santa Missa com esta intenção reparadora, e isso para honrar o Coração de Jesus e para a salvação dos pecadores.
Além da celebração da Santa Missa, a espiritualidade do P. Dehon é caracterizada também pela Adoração eucarística: é o culto de adoração e de amor para com Jesus presente no tabernáculo. Com uma tal presença eucarística, as nossas casas tornam-se como Belém, Nazaré e Betânia. Como outrora na sua vida terrena, também agora nas nossas capelas, Jesus quer encontrar aí os seus amigos, quer encontrar o afecto com que o circundaram os apóstolos durante a vida apostólica. Se nos colocamos em contemplação da Eucaristia, a partir dela atingimos um espírito de dedicação e de sacrifício que nos deve animar e trabalhar pelo Reino do Sagrado Coração.
Possuído por tanto amor pela Eucaristia, o P. Dehon já desde os inícios do Instituto quer fundar algumas casas para a Adoração perpétua: em S. Quintino e em Bruxelas.
Como a Eucaristia iluminou a sua vida, o mesmo deve acontecer com os seus filhos: “A vida do Sacerdote do Sagrado Coração deve ser a continuação da sua Missa e a sua morte uma última santa Missa, com qual acabará aqui na terra de adorar e dar graças, de rezar e implorar misericórdia em união com Jesus, que se imola sobre a Cruz e sobre o altar” (Cartas Circulares 1919).

Da entrevista do P. Umberto Chiarello à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Barbosa, scj