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Apostolado social em âmbito citadino, diocesano, nacional europeu

O “Patronato de São José” em S. Quentin é como uma flor na lapela do jovem Sacerdote Leão Dehon. Ensinando Catecismo aos meninos das escolas comunais, ele viu a necessidade de acompanhá-los depois da escola; por este motivo, passados os primeiros três meses de ensino, começou a reunir alguns meninos no seu quarto, ao Domingo depois da hora de Vésperas. Pouco tempo depois um seu amigo, o Senhor Julien, colocou à sua disposição o pátio do seu Pensionato para que os rapazes pudessem jogar, e algumas salas de aula para palestras e conferências. Em Agosto de 1872 aluga um terreno e nele constrói uma Capela e algumas salas de reunião. No início o número de alunos inscritos é de 75, pelo Natal de 1872 é de 200, e em 1875 serão já 500.

À volta do Patronato de S. José florescem outras iniciativas e obras sociais como por exemplo uma “casa de familia” para operários e aprendizes de longe, e onde podem comer e dormir. Aí institui o “Círculo dos operários” (23.10.1873), agregado à “Obra dos Círculos Católicos”, o “Círculo para Estudantes (Dezembro de 1875), um curso quinzenal de estudos de ética económica para patrões e directores de indústria (1876), uma sociedade para a construção de casas para os operários, um sociedade de socorro mútuo … “Para os operários não há lugar nas nossas Igrejas e eles não recebem a instrução mais conveniente. São ovelhas sem pastor. Eles encontram nos patronatos um pouco daqueles cuidados … que a Igreja deveria ter para cada um deles” (NHV X, 3: assim raciocinava Leão Dehon.

A nível diocesano promove o Gabinete Diocesano das Obras Sociais, fundado por monsenhor Dours (1874), e torna-se secretário desse gabinete. Organiza assim, de 1875 a 1878, três convénios diocesanos para sensibilizar o clero para a questão operária e para a fundação de associações católicas para os operários.

Também a nível nacional organiza ou participa activamente em diversas peregrinações de operários ou em Congressos da Obra dos Círculos Católicos. Em Agosto de 1873, com os seus operários jovens, participa na grande peregrinação a Nossa Senhora de Liesse, que reuniu mais de 1500 operários. Participa nos Congressos anuais, de modo especial em Nantes, onde, em Agosto de 1873, conhece Leão Harmel, industrial cristão, e com o qual colaborará para a formação cristã dos seus operários nas indústrias de Val de Bois; em 1875 em Reims guia 80 delegados da Diocese de Soissons. Juntamente com Leão Harmel organiza em Val de Bois, nos períodos estivais, encontros para seminaristas para sensibilizá-los para os temas sociais.

A nível europeu Leão Dehon participa nos movimentos operários da Bélgica e da Itália, organiza peregrinações de operários à Cátedra de Pedro em Roma; participa na Obra dos Congressos em Itália; entra em relação com Giuseppe Toniolo, Fillippo Crispolti, o conde Soderini, Don Sturzo, todos expoentes do apostolado social italiano, e antecipa e prega a Encíclica Social de Leão XIII, a “Rerum Novarum”.

Ele justifica deste modo a sua participação nestes Congressos: “sempre os considerei como outros retiros espirituais sobre o zelo: neles aprende-se os métodos para fazer o bem” – escreveu nas suas Obras Sociais (II, pág. 369-370).

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj