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“O Reino do Coração de Jesus nas almas e na sociedade”

Todo o apostolado do Pe. Dehon, e não apenas o apostolado social, foi fruto do seu zelo sacerdotal: zelo que exige uma forte carga de amor a Deus e que impele a operar, sempre para glória de Deus, em favor dos irmãos. E tudo isto à imitação do Coração de Jesus no seu amor filial pelo Pai e no seu amor redentor pelos pecadores. A virtude do zelo faz que um homem muito contemplativo, como o Pe. Dehon, seja também muito empenhado no apostolado: contemplativo em acção.

O Pe. Dehon fez suas as predilecções do Coração de Jesus em favor dos pobres, dos deserdados e marginados: “Eu fui enviado a Evangelizar os pobres!”, dizia Jesus na sinagoga de Cafarnaúm. E o Pe. Dehon, a quem o criticava pelo seu empenho social, respondia: “Em todo este apostolado, eu não procurava senão levantar os pequenos e os simples segundo o espírito do Evangelho” (NQ, fev 1916). Pe. Dehon é levado e animado por esta preferência evangélica, ditada pela sua espiritualidade de amor solidário com os pecadores e de oblação reparadora. Ir ao encontro dos pobres, ir ao povo: era sua ânsia.

É ainda do Coração de Jesus que o Pe. Dehon deduz os objectivos e as finalidades do seu empenho apostólico: “Construir o Reino do Coração de Jesus nas almas e na sociedade”: eis o objectivo que ele sempre se propôs. Construir o “Reino do Coração de Jesus nas almas”, significa empenhar-se para suscitar nos homens aquela resposta de amor ao Senhor, por ele pedida ao manifestar o seu Coração; e foi o empenho de viver e fazer viver a sua espiritualidade. Construir “o Reino do Sagrado Coração na sociedade” significa aplicar-se e lutar pelo “reino da justiça, da caridade, da misericórdia, da piedade pelos simples, pelos humildes e por aqueles que sofrem”; e foi o seu empenho apostólico, e também social.

Na França do século passado o “reino social” do Coração de Jesus tendia à consagração individual e familiar, paroquial e diocesana, e mesmo da nação ao Coração de Jesus. Pe. Dehon, empenhado a favor dos operários, ultrapassa tal concepção e faz consistir o “reino social” nas reformas em favor da classe operária e do povo. Analisando as causas dos males sociais, ele vê na recusa de Deus e do seu Amor a sua causa mais profunda; para obviar a tais males é necessário que “o Culto do Coração de Jesus, iniciado na vida mística das almas, desça e penetre na vida social dos povos” (O Reino, Fevereiro 1889).

“Eu fui conduzido pela Providência a cavar diversos sulcos, mas sobretudo dois deles deixarão uma profunda marca: a acção social cristã e a vida de amor, de reparação e de imolação ao S. Coração de Jesus” (NQ, Abril 1910): eis como o Pe. Dehon sintetizava no seu Diário a acção por ele desenvolvida para construir o Reino do Coração de Jesus nas almas e na sociedade.
Ele poderá, por isso, afirmar no fim da sua vida: “O ideal da minha vida.., um ideal grandioso: conquistar o mundo para Jesus Cristo…, instaurar o Reino do Sagrado Coração” (NQ, Janeiro 1925).

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj