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Morte e ressurreição

Se as actividades sociais e as de escritor deram muitas alegrias ao Pe. Dehon, a fundação da Congregação foi para ele ocasião de muitas provas e sofrimentos: e foi o abandono da parte do clero e de muitos amigos, e foram os desastres financeiros, e foi uma grave doença pessoal, e foram as incompreensões da parte de alguns dos primeiros discípulos… e até mesmo a supressão dos Oblatos do Coração de Jesus (8 de Dezembro de 1883), devida a calúnias e falsas informações junto da Santa Sé.

Isso faz parte do desígnio de Deus. As obras de Deus têm necessidade do sacrifício total, têm necessidade de serem chanceladas pela cruz. É o testemunho deixado por Jesus: ao aceitar a morte de Cruz Ele tornou-se o Salvador dos homens e o Redentor dos pecadores. Para as Obras de Deus este acontecimento chama-se “a morte na cruz”, o “Consummatum est”.

Também ao Pe. Dehon, Deus pediu a morte da Obra, apenas acabada de fundar.
Uma série de circunstâncias desfavoráveis chamou a atenção do Santo Ofício sobre o novo instituto. Fundada já a obra dos Oblatos do Sagrado Coração, o Pe. Dehon sentia-se sustentado pelas “luzes de oração” de uma irmã, Maria de S. Inácio, que encorajava o padre a prosseguir. Pe. Dehon considerava-as como “revelações” da parte de Deus, uma quase garantia da vontade divina. O Santo Ofício condenou como erro considerar essas “luzes..” como “revelações” e de fundar sobre elas uma obra na Igreja. Entre os primeiros membros dos Oblatos foi acolhido um sacerdote, o Pe. Captier, nevrótico e megalómano. Ele pretendia ser considerado como o “co-fundador” da Obra. Tinha escrito umas constituições e regras, que foram bater ao tribunal do Santo Ofício, como se fossem as Constituições dos Oblatos do Coração de Jesus.

Perante tal documentação, além de cartas caluniosas contra o Pe. Dehon, o Santo Ofício reagiu suprimindo os “Oblatos do S. Coração de Jesus”. O Pe. Dehon recebeu este “decreto de morte na linda festa da Imaculada”, era o dia 8 de Dezembro de 1883.

Eis como o Pe. Dehon afrontou esta morte na cruz: “Ano de 1883-1884. É o ano do “Consummatum est”, o ano terrível. Que angústia! Que dilaceração! Tinha deixado tudo, rompido com tudo, sacrificado tudo para fundar a obra da reparação ao S. Coração; tudo: a carreira no mundo, o sucesso, muitos amigos, as esperanças e a paz da minha família. Depois de meses de ansiosa espera, chegava o decreto de morte. Nós ficámos no sepulcro, não três dias, mas três meses, depois veio uma pequena ressurreição; mas durante todo o ano permaneceu como um eco a sentença de morte, que ecoava todos os dias. À minha volta havia medo, desânimo, desilusão como para os discípulos de Emaús. Eu não saberia dizer quanto sofri nesse ano, sobretudo durante o inverno, antes da humilde ressurreição de 26 de Março de 1884.

Sem dúvida que muito precisei de um amparo sobrenatural para que eu não desanimasse e morresse” (NHV, VIII, 66).
A chancela da cruz não se fizera esperar: tinham passado apenas cinco anos desde o nascimento dos Oblatos do Coração de Jesus e… sobreveio, repentina, a morte!

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj