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Obra de Deus

A 29 de Março de 1884 o Santo Ofício autoriza a reconstituição da Obra, mas sob um novo nome: “Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus”. O Santo Ofício reconheceu a inocência do Pe. Dehon no referente ao conteúdo das calúnias que lhe fizeram; e explicava que a supressão dos Oblatos … era devida à pretensão de querer fundamentar o novo instituto sobre presumíveis revelações.

“É a ressurreição!”: assim qualifica o Pe. Dehon o novo evento depois da decreto de morte. Decreto de morte que, no meio de muito sofrimento, levou o Pe. Dehon a intuir que a sua era Obra de Deus, permanecendo ele fiel ao seu carisma e ao seu projecto de fundação.

A intervenção do Santo Ofício não foi um acto isolado, mas apenas o último de toda uma série de provações e de sofrimentos, ligadas ao início da Obra. Provações e sofrimentos que deram ao Pe. Dehon a certeza de que a obra por ele fundada era verdadeiramente obra de Deus. “Parecía-me que tomava a cruz às costas, oferecendo-me a Nosso Senhor como sacerdote reparador e como fundador de um novo Instituto” (NHV, XIII, 100): assim nos diz o Pe. Dehon.

Há um primeiro período de provações, 1877-1880, ligado à fundação do Instituto:
– o débil estado de saúde do Pe. Dehon, que tinha hemoptizes e hemorragias frequentes;
– a fraca disponibilidade financeira para abrir um Colégio liceal e casas para o Instituo;
– os decretos governamentais de expulsão das Congregações religiosas;
– a morte de quatro jovens irmãs religiosas, que se tinham oferecido como vítimas pela saúde do Pe. Dehon, com o relativo escândalo jornalístico para implicar a reputação do mesmo Pe.Dehon.
– dificuldades internas na comunidade nascente, suscitadas por alguns alunos.

Logo depois deste período de provações (1881-1884) segue-se outro (1881-1884):
– o incêndio do Colégio S. João (29.12.1881);
– a morte de seu pai, mesmo no momento em que sua mãe ficava paralisada;
– calúnias da parte de um padre e deficuldades provenientes do Pe. Captier;
– a morte de sua mãe (19.03.1883);
– e finalmente a supressão da Obra pelo Santo Ofício.

No fim da sua vida, reevocando os inícios da Obra, o Pe. Dehon poderá constatar: “Durante sete anos, de 1877 a 1884, Nosso Senhor escavou, escavou, escavou. Não deixou ficar nenhum dos instrumentos naturais: saúde, economia, família, etc.. Operou em carne viva… Nosso Senhor poude construir sobre estes alicerces bem escavados.” (NQ, maio 1924)

A certeza que o Pe. Dehon amadurece depois de todas estas provações, é que o Senhor mesmo quis esta Congregação. “Chamam-me fundador da Congregação, mas não o sou. Só Nosso Senhor é o Fundador. Quanto a mim, só lhe meti paus entre as rodas, e quantos! Nosso Senhor realizou a sua Obra…, usando um instrumento sem valor, como Sansão conseguiu vitória usando uma queixada de burro. Assim, aqueles que virão depois, verão bem que a Congregação não é mesmo obra humana, mas obra toda ela sobrenatural!” (NQ, junho 1915)

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj