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Festa da Oblação

“A Festa da Anunciação deve ser muito importante para nós. É a festa da oblação: do Ecce Venio de Jesus, do Ecce Ancilla de Maria, do Servus tuus sum ego de S. José; nesse dia o Coração de Jesus tomou forma e a união de Maria com Ele tornou-se mais íntima” (Aos noviços, 21.03.1881)

O Pe. Dehon utiliza três expressões típicas, quase três slogans, para indicar a sua espiritualidade de oblação reparadora: “Eis que venho” de Jesus, “Eis a serva do Senhor” de Maria, “Teu servo…” de S. José. Esta espiritualidade encontra a sua nascente no dia da Anunciação do Anjo a Maria. Naquele dia o Verbo encarnou e entrando neste mundo manifestou ao Pai a sua pronta obediência. “Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade!” Naquele mesmo dia Maria declarou a sua disponibilidade para acolher a vontade de Deus na sua vida: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!”; e desde aquele momento Maria ligou a sua existência à do Filho Redentor.

Também para S. José, aquele dia constituiu uma reviravolta na sua existência e aceitou entrar e colaborar no projecto de salvação querido por Deus, pronunciando também ele “Eis, sou o teu servo!”.

“Todo o ser de Jesus está naquele “Eis, eu venho”, com todo o seu coração, com todo o seu amor, con todos os seus méritos”. “É um acto de amor perfeito por meio do qual Jesus consagra a própria vida Àquele de quem a recebe. É um acto de reparação, de caridade para com os homens”. “Eis, eu venho”: indica o dom de si mesmo, de modo que nestas palavras “Eis, eu venho, Eis a serva do Senhor” está compendiada toda a nossa vocação, a nossa finalidade, o nosso dever, as nossas promessas.
Em todas as circunstâncias, em todos os acontecimentos, presentes e futuros, o “Eis que venho” basta, contanto que, ao mesmo tempo que se encontra nos lábios, esteja também na mente e no coração” (DS, p I, &1).
“Eis, eu venho”, é a regra de vida de Jesus; “Eis a serva do Senhor”, é a regra de vida de Maria. Nestas palavras está contida toda a vocação das almas consagradas ao Sagrado Coração, , o seu objectivo, os seus deveres, as suas promessas” (Ano com o Sagrado Coração, I, pg.33).

“Eis a serva do Senhor” resume a vida de Maria, como o “Eis, eu venho” resume a vida de Jesus. Estas palavras de Maria foram como a fórmula da sua profissão e do seu voto de vítima, e só depois destas palavras o Verbo fez-se carne”. “Eis a serva do Senhor” sobre os seus lábios, mas mais no seu coração. Com o seu “Eis a serva” Maria aceitou ser a Mãe do Redentor, no início da existência humana do Verbo; como também aceitou ser Mãe da Igreja, no fim da existência terrena de Jesus” (DS, p.II, c.II).

“Eis, eu venho, Eis a serva”: são como o fio condutor da vida e das atitudes interiores de Jesus e de Maria; resumem uma vida toda oferecida a Deus para realizar e colaborar no plano de salvação que Deus preparou para o homem; plano de salvação que começa a realizar-se mesmo neste dia da Anunciação do Anjo à Virgem Maria: dia muito querido para o Pe. Dehon.

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj