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O desenvolvimento da Obra

É-se fundador de um Instituto religioso por dom divino, não por escolha pessoal. Quando uma pessoa compreende que recebeu de Deus uma tal vocação, então é seu dever corresponder-lhe com fidelidade, pondo em acção tudo quanto se exige para fundar uma nova Congregação na Igreja.

De que maneira Leão Dehon correspondeu a este seu carisma fundamental?
Diferentemente de outros fundadores, que deram origem à sua Ordem religiosa juntamente com outros companheiros, Leão Dehon, não encontrando um Instituto que correspondesse à sua espiritualidade, decidiu então fundar um novo, mesmo que fosse só para dar-lhe início. Assim, começou uma espécie de Noviciado para si mesmo, escrevendo as primeiras Constituições. Nelas exprimia a sua experiência espiritual, a sua espiritualidade a ser vivida por quem se viesse a agregar e estabelecia as regras disciplinares e os costumes, segundo o modo de viver dos Institutos do tempo. Depois do ano de Noviciado, a 28 de Junho de 1878, emitiu a primeira profissão religiosa nas mãos do delegado do Bispo: está só e é o primeiro Sacerdote do Sagrado Coração. Poucos meses depois, em Agosto, chegam o abade Rasset e dois irmãos cooperadores; abre assim, em Setembro, a casa do Noviciado “Sagrado Coração” em S. Quentin, e faz de “padre mestre” dos primeiros três membros. Em 1879 chegam outros três membros, em 1880 juntam-se outros 11.

Em 1882 abre a primeira Escola Apostólica em Fayet (na França) para o recrutamento de vocações entre os adolescentes; abre uma Escola Apostólica e Noviciado, com 17 noviços, em Watersleyde-Sittard na Holanda. O recrutamento dos membros é assim realizado com o sistema de Escolas Apostólicas, a princípio com carácter internacional. De facto os primeiros religiosos alemães foram alunos das Escolas Apostólicas da Holanda e da Bélgica; ao passo que os primeiros membros italianos foram alunos da Escola Apostólica de Fayet na França. Sucessivamente abre Escolas Apostólicas noutras nações para iniciar o desenvolvimento da Congregação nesses países.

Além da capacidade de organização do Pe. Dehon, deve ter-se em conta que o seu carisma respondia plenamente às exigências espirituais do seu tempo: espiritualidade “de amor e de reparação”. Tenha-se ainda em conta a personalidade de Leão Dehon: homem excepcional pela sua inteligência e a sua vida interior, sua capacidade de leitura dos sinais dos tempos e em dar-lhes uma resposta apostólica adequada.

Tendo fundado sozinho a Obra, passados dez anos apenas do início, em Maio de 1888, conta 60 religiosos, dos quais 25 sacerdotes, provenientes de 25 Dioceses; havia 7 casas na França e na Holanda. Passados 20 anos, em 1897, conta com 172 membros com 15 casas na França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Itália, Brasil, Congo Belga. À morte do Pe. Dehon, 12 de Agosto de 1925, a Congregação conta com 772 religiosos e está presente, além das nações já referidas, também na Finlândia, Canadá, Camarões, Alemanha, Áustria, Espanha, Usa, África do Sul e Indonésia.

Se a semente não morre não pode produzir muito fruto, de outro modo fica só. O desenvolvimento da Obra deve-se certamente às capacidades de organização do Pe. Dehon e à sua ousadia apostólica, mas, sobretudo, deve-se ao fervor inicial dos seus membros e à “morte e ressurreição” da mesma Obra, que imprimiu a chancela da cruz no Pe. Dehon e nos Sacerdotes do Sagrado Coração.

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj