Print Friendly, PDF & Email

 

 

Expansão missionária

Além do Apostolado Social, as Missões constituem a segunda característica apostólica dos Sacerdotes do Sagrado Coração
Desde os inícios da fundação, o Apostolado missionário faz parte das finalidades da Obra: “
“Recebendo do Coração de Jesus o espírito de sacrifício, teremos alegria se estivermos presentes nas Missões”: assim escreve o Pe. Dehon na carta de 1882 ao Santo Padre. Tal apostolado corresponde às exigências da sua espiritualidade de oblação reparadora.

“É evidente que o Sagrado Coração de Jesus será mais honrado, se o zelo pela sua glória se exercitar em condições difíceis, como nas longínquas missões. Cumpre-se então um acto de abnegação e é uma grande prova de amor para com Nosso Senhor” (Cartas circulares, 162).

O Apostolado missionário adquire tal desenvolvimento e importância na Congregação que é indicado como finalidade característica dos Sacerdotes do Sagrado Coração. “Faltam-me poucos anos de vida, escreve no seu Diário em 1909, quero fixar de modo mais preciso a finalidade da nossa querida Obra, para que não se afastem dela depois de mim. Esta finalidade é dupla: o apostolado da adoração reparadora e o apostolado das missões. O primeiro cumpre-se nas nossas capelas mediante a adoração ao SS. Sacramento… Para cumprir a segunda finalidade, somos missionários na Europa, mas vamos de boa vontade também para as missões longínquas, por mais árduas e perigosas que possam ser” (NQ, Nov. 1909).

Passados dez anos desde a fundação do Instituto, Pe. Dehon pode já abrir a primeira missão no Equador (1888-1896) com o Pe. Gabriel Grison e um outro padre. Ao deixá-los partir, Pe. Dehon prostrou-se para beijar os seus pés, recordando o texto de Isaías e de S. Paulo: “Como são belos os pés daqueles que levam um alegre mensagem de bem” (Rm 10, 15).
Tendo sempre como chefe o Pe. Grison, o Pe. Dehon abre a missão do Congo Belga (1897), o actual Zaire, dando início à primeira evangelização daquela terra onde ainda hoje trabalham os dehonianos. No princípio muitos missionários adoeceram ou morreram, por causa do clima mortífero. Em 1960 na revolta dos Simba, os dehonianos tiveram 29 missionários mártires: entre eles o Bispo Monsenhor Wittebols e o italiano Pe. Bernardo Longo.

Em 1907 abriu a missão da Finlândia para lá implantar a Igreja Católica. Em 1912 o Pe. Dehon abre uma missão nos Camarões, enviando primeiro padres alemães e depois, em Julho de 1920, padres de língua francesa. Hoje nos Camarões há uma Província religiosa dehoniana que já possui religiosos autóctones.
Em 1923 o Pe. Dehon abre as missões de Sumatra na Indonésia e na África do Sul. Na Indonésia há actualmente uma florescente Província religiosa dehoniana.

No fim da sua vida, ao fazer o balanço da sua longa existência, começa mesmo pela sua vocação missionária: “O ideal da minha vida, o voto que formulava com lágrimas na minha juventude, era der ser missionário e mártir. Parece-me que esse voto realizou-se. Missionário eu o sou com os cento e mais missionários que tenho em todas as partes do mundo. Mártir também o sou pelas consequências que Nosso Senhor deu ao meu voto de vítima, sobretudo desde 1878 a 1884, pelos despojamentos e aniquilamentos até ao Consummatum est” (NQ, jan 1925).

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj