Print Friendly, PDF & Email

 

 

A Família Dehoniana hoje

Na base da renovação conciliar está a descoberta da Igreja como comunhão de vocações na complementariedade dos dons e dos ministérios. Nenhuma vocação pode pretender esgotar o mistério insondável de Cristo; nenhum membro do povo de Deus resume em si a totalidade dos carismas e dos ministérios.

Na renovação da vida religiosa houve, além disso, a redescoberta que o carisma do próprio Fundador é dom para toda a Igreja: espiritualidade e missão dehoniana existem em vista do crescimento de todo o corpo, que é a Igreja.
Constata-se ainda um facto: os leigos estão-se aproximando da espiritualidade e missão dos Institutos religiosos, encontrando nelas nutrimento e modalidades para viver a sua própria consagração baptismal. Como também alguns religiosos mais sensíveis promovem a adesão dos leigos ao carisma do próprio Instituto.

Tudo isso está acontecendo também com os Sacerdotes do Sagrado Coração, com nós Dehonianos em Itália e no estrangeiro… Há uma variedade de grupos com denominações diversas e com diferente grau de participação no carisma, que se ligam ao Pe. Dehon: ou simplesmente enquanto ex-alunos dos nossos seminários e colégios ou porque participantes da espiritualidade e da missão dehoniana. Está assim a nascer a Família Dehoniana, à medida que se realiza a comunhão de vocações à volta do carisma do Pe. Dehon. A Família Dehoniana expressa esta agregação das várias componentes eclesiais em torno do “projecto dehoniano”.

Para pertencer à Família Dehoniana, não basta ornar-se com uma frase ou com a etiqueta “dehoniana” ou de ostentar no casaco a “cruz dehoniana”. A pertença à Família Dehoniana requer que se realizem e se verifiquem algumas condições:

1. Deve-se reconhecer o Pe. Dehon como o “pai espiritual” da própria vida na Igreja. Viver depois a espiritualidade dehoniana, com referência explicita à experiência do Pe. Dehon; participar na missão do Pe. Dehon, para “fazer de Cristo o Coração do Mundo”. Daqui a exigência de um iter formativo para ser-se iniciados e guiados neste caminho espiritual.

2. Encarnar o carisma (espiritualidade e missão) do Pe. Dehon no estado de vida ao qual somos chamados: laical, sacerdotal ou religioso. Só através desta encarnação no estado de vida de cada um, por exemplo na vida laical, o carisma do Pe. Dehon se estende qualitativamente na Igreja: isto é como espiritualidade dehoniana laical.

3. Reconhecer nos “religiosos dehonianos”, e ser reconhecidos por eles, como “irmãos” da mesma Família Dehoniana. De facto, os Sacerdotes do Sagrado Coração, enquanto primeira realização histórica do carisma do Pe. Dehon, são portadores e garantes do carisma dehoniano em relação às outras componentes da Família Dehoniana. Exige-se pois uma referência a uma comunidade religiosa dehoniana ou à Província religiosa, com a qual se tenha uma certa ligação: ou de oração ou de apoio ou também de colaboração na missão.

E “de todos os seus filhos o Pe. Dehon espera que sejam profetas do amor e servidores da reconciliação dos homens e do mundo em Cristo” (RV, 7).

Da entrevista do P. Umberto Chiarello Scj à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Chícharo, scj