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Vocação reforçada

Nos cinco anos passados em Paris, o jovem estudante do Politécnico preocupa-se em manter sempre viva a sua vocação sacerdotal, frequentando a famosa igreja de S. Sulpício: igreja e seminário, já desde 1642 forja de tantos sacerdotes do clero francês. Escolhe como orientador espiritual o reverendo Prével, vigário em S. Sulpício, que o apoia na vocação; orienta-o nas primeiras experiências caritativas nas Conferências de S. Vicente de Paulo; encaminha-o como catequista na obra da doutrina cristã aos pobres do bairro; aponta-lhe Roma como lugar dos futuros estudos eclesiásticos…
Terminados os estudos parisienses, reabre-se a questão da sua vocação. O seu pai tinha-lhe prometido que o deixaria livre depois do doutoramento; chegado agora o momento, opõe-se ainda à vocação do filho e, para o dissuadir, oferece-lhe uma viagem ao Oriente. Leão vê nesta viagem uma disposição da divina Providência para o conduzir aos Lugares Santos, onde a sua fé e a sua vocação encontrarão força para a decisão definitiva de entrar no Seminário, contra a oposição paterna.
É uma viagem fantástica que dura cerca de um ano, de Agosto de 1864 a Junho de 1865. Percorre a Floresta Negra, Suíça, Itália, Dalmácia, Grécia, Turquia, Egipto, Arábia, Palestina, Síria, Chipre, Constantinopla, Mar Negro, o Danúbio, Hungria, e conclui a viagem em Roma. “Jerusalém e Roma, as duas cidades santas, que me prepararam para dizer adeus ao mundo e para entrar na vida clerical”. Em Roma é recebido em audiência por Pio IX: “um Papa que une bondade e santidade”, recorda; o próprio Papa aconselha-o a entrar no Seminário Francês em Roma.
Apoiado por este alto encorajamento, o jovem Dehon regressa à família para manifestar a sua decisão: entrar no Seminário.
Os três meses de férias passados em família foram muito penosos: por um lado, a narração desta longa viagem fascinava os seus pais; por outro, a sua decisão de entrar no Seminário dava enorme desgosto ao seu pai e, agora, também à sua mãe. Leão confiava na sua mãe para ter um apoio em relação ao pai; mas também a sua mãe o abandonou. “Era uma mulher piedosa, queria que também o filho fosse piedoso e devoto, mas… o sacerdócio do filho assustava-a enormemente; parecia-lhe que ia perder um filho, sendo padre”. Assim, Leão teve que enfrentar uma dura luta contra si mesmo para vencer as resistências do afecto materno e a contrariedade declarada da vontade paterna. Mas… a voz de Deus chamava-o e agora era maior para decidir livremente.
E partiu para Roma: era 25 de Outubro de 1865 quando entrou no Seminário.
Tinha escolhido estudar em Roma, porque sabia que “a água é mais pura na fonte do que nos riachos e que a doutrina e a piedade devem atingir-se mais facilmente e com plenitude no centro da Igreja do que noutro lugar” (NHV I, p. 187).

Da entrevista do P. Umberto Chiarello à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Barbosa, scj