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Vocação religiosa

A inclinação para a vida religiosa de Leão Dehon está ligada à sua vocação sacerdotal. Estudante em Hazebrouck, sente o chamamento divino ao sacerdócio e pensa também em se tornar religioso, missionário e mártir; são sonhos de rapaz, a partir dos relatos dos missionários. Nas suas recordações de ancião, deixa-nos escrito: “Tinha a vocação religiosa desde o final da infância” (Ricordi, 14.3.1912, III).
Quando seminarista em Roma (Outubro de 1865 – Outubro de 1871), o ideal de vida religiosa começa a reforçar-se. Frequentando as igrejas romanas e vendo como a maior parte dos santos canonizados provinha dos mosteiros e das ordens religiosas, conclui: “far-me-ei religioso, não para ser canonizado mas para me fazer santo e para melhor amar e servir Nosso Senhor” (NHV, V, 5). Ele vê na vida religiosa um caminho de santidade e um estado de maior serviço do Reino de Deus.
Na formação seminarística, a sua alma abre-se bastante àquelas atitudes espirituais que constituirão a espiritualidade dehoniana. “Nosso Senhor bem depressa tomou posse do meu íntimo e estabeleceu as disposições que deviam ser a nota dominante da minha vida: a devoção ao seu Sagrado Coração, a humildade, a conformidade à sua vontade, a união com Ele, a vida de amor… Nosso Senhor preparava-me assim para a missão que me reservava para a Obra do seu Coração” (NHV, IV).
A vocação religiosa não ficou no estado de simples inclinação ou desejo, mas tentou, ainda seminarista, também algum projecto. “Era atormentado em Roma pelo pensamento de formar uma Congregação de estudos com o seu centro em Roma e com o quarto voto de apoiar as doutrinas romanas… Falou disso com diversas personalidades; eles aprovaram este projecto… Mas Nosso Senhor não queria isso para mim”.
“Senhor, que quereis que eu faça?” perguntava sempre o jovem Leão, no discernimento da sua vocação.
Como jovem sacerdote, empenhado no seu intenso ministério em S. Quintino, era fiel aos retiros espirituais; o propósito destes exercícios espirituais era sempre a favor da vida religiosa: “Proporei para mim a vida religiosa… para melhor praticar os conselhos de perfeição”.
Teve diversas propostas para entrar nalgum Instituto já existente: por exemplo, dos Assuncionistas, para colaborar na implantação da universidade católica em França. O seu director espiritual, P. Freyd, do Seminário de Roma, impelia-o a entrar na Congregação do Espírito Santo. Um seu amigo jesuíta, P. Jenner, propunha-lhe a Companhia de Jesus…
Mas o Senhor tinha outros projectos sobre ele: fazê-lo tornar-se Sacerdote do seu sagrado Coração; e, por isso, preparava-o para a missão de fundador de uma nova Congregação religiosa na Igreja.

Da entrevista do P. Umberto Chiarello à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Barbosa, scj