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Amor solidário pelos homens

“Eis o Coração que tanto amou os homens, mas da maior parte deles só recebe indiferença, ingratidões e ultrajes…” Assim começa uma oração do P. Dehon, recitada agora pelos seus filhos, e com a qual ele queria exprimir a nossa correspondência de amor para com o Coração de Jesus, cujo amor é ofendido, ultrajado e traído pelo pecado dos homens.
O pecado é uma realidade sempre presente na vida do homem: são factos e situações de soberba e de orgulho; de prepotência e de ódio; de luxúria e de amor-próprio. Mas antes ainda de ser uma ofensa para com os outros, o pecado constitui uma ofensa para com Deus.
Eis porque o P. Dehon quer corresponder, antes de mais, ao amor traído de Deus e do Coração de Jesus: com um amor agradecido, filial, delicado; um amor terno e afectuoso. Mas um tal amor seria apenas intimista, se se limitasse a um gesto consolador para com o Coração de Jesus.
Deve-se agir para eliminar as causas do pecado e das injustiças. E esta obra requer, antes de tudo, amor solidário para com os pecadores. A solidariedade para com os pecadores: é uma atitude típica da espiritualidade do P. Dehon; atitude copiada do Senhor, que se fez em tudo semelhante ao homem para o libertar do pecado.
Trata-se de colaborar na obra da redenção cumprida por Cristo, e que é actualizada hoje nos cristãos e pelos cristãos. “Cristo é a reparação perfeita. Devemos ser também nós os colaboradores da reparação com Ele, n’Ele e por Ele. Isso pede a justiça à nossa consciência, e a caridade ao nosso coração”, dizia o P. Dehon num dos seus discursos.
E ainda: Jesus salvou-nos mediante a cruz: ele realizou a redenção sobre o altar visível da cruz, e mais interiormente sobre o altar invisível do seu coração. Ele aceitou viver a sua existência terrena sob o signo da cruz: aniquilamento na Incarnação, pobreza no nascimento, esquecimento na vida escondida, fadigas e perseguições na vida pública, humilhação e desprezo na sua morte. Não deve admirar que Jesus dê a cruz, como sinal do seu amor, àqueles que Ele ama: a Maria, a São José, aos apóstolos, a nós cristãos. Nós participamos na obra redentora de Cristo aceitando a cruz de todos os dias como participação na cruz de Cristo pela redenção e salvação dos pecadores.
Enfim, o P. Dehon pede-nos para agir efectivamente para eliminar as causas do pecado, lutando para construir o Reino do Coração de Jesus nas almas e na sociedade. O amor solidário para com os pecadores, além de ser uma paixão do coração, torna-se no P. Dehon um agir concreto feito de iniciativas apostólicas a favor dos homens, em particular para com os mais pobres e os marginalizados.
Um tal modo de sentir e de agir denomina-se “reparação” na devoção ao Coração de Jesus.

Da entrevista do P. Umberto Chiarello à TeleDehon em Março de 1996, publicada como opúsculo para os benfeitores na revista “Piccola Opera Sacro Cuore” de Vitorchiano, em Março de 1997.

Tradução: P. Manuel Barbosa, scj