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33 Samaritanus autem quidam iter faciens venit secus eum et videns eum misericordia motus est 34 et adpropians alligavit vulnera eius infundens oleum et vinum et inponens illum in iumentum suum duxit in stabulum et curam eius egit (Lc 10, 33-34).
 

33 Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. 34 E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele (Lc 10, 33-34).
 

Primeiro Prelúdio. Jesus-Hóstia é o bom Samaritano, é o Filho do Rei que convida às suas bodas, é o hóspede que bate para ser recebido no meu coração.
Segundo Prelúdio. Eu, Senhor, sou o pobre ferido do caminho. Socorrei-me, curai-me.

PRIMEIRO PONTO: Quem vem? O bom samaritano que passa junto dos feridos. – É certo que Nosso Senhor quis descrever-se a si mesmo sob os traços do bom samaritano. Quis revelar-nos sob esta parábola toda a bondade e a compaixão do seu Coração. E se foi o bom samaritano na sua vida mortal semeando por toda a parte os seus cuidados, as suas consolações, socorrendo e curando todos os feridos e os doentes, não endureceu o seu Coração na Eucaristia. Está lá com a mesma bondade, a mesma ternura por aqueles que sofrem. E diz ainda: «Vinde a mim, vós todos que penais e sofreis, e eu vos aliviarei».
Irei ter com ele, mostrar-lhe-ei as minhas chagas, as chagas espirituais sobretudo. Ele pôr-lhes-á óleo que adoça e o vinho que cauteriza. Aliviar-me-á, estou seguro.
Vede, Senhor, em que estado me reduziram as tentações da carne, do mundo e do demónio, revelai-me, curai-me.

SEGUNDO PONTO: Quem vem? O Filho do Rei para me convidar para as bodas. – Isaías tinha entrevisto o festim quotidiano da nova aliança. «O Senhor dos exércitos, dizia, preparará para os povos fiéis sobre a montanha de Sião, que é a Igreja, um festim de carnes deliciosas, um festim de vinhos esquisitos, de carnes cheias de suco e de moela, de vinho puro e límpido». Será o antegosto do céu (Is 25, 6).
No Evangelho, Nosso Senhor chama a este festim as núpcias do Filho do Rei (Mt 22). O Rei convida os seus servos, não vêm; convida então os desconhecidos, as pessoas de fora. Vários vêm, mas um deles não tem a veste nupcial, tem uma veste suja, deitam-no fora.
Os servos, era o povo judeu. As pessoas de fora, somos nós.
Apresentamo-nos talvez ao festim com alguma mancha. Se, pelo menos, tivéssemos a humildade e o arrependimento, como a Madalena, como a Samaritana, como o bom ladrão! O filho do Rei tem o Coração tão bom e tão misericordioso, purificar-nos-ia e acolher-nos-ia.
Vamos ter com ele nestas disposições, acolher-nos-á. Teremos parte no festim delicioso da Eucaristia. Saciar-nos-á, dar-nos-á o desgosto das carnes prejudiciais. Far-nos-á desejar o grande festim das bodas reais do céu entrevisto por S. João no Apocalipse (Ap 19).

TERCEIRO PONTO: Quem vem? É o hóspede que bate à porta do meu coração para que o abra. – Eis-me à porta, diz Nosso Senhor, bato, abri-me. Se alguém escuta a minha voz e me abre a porta, entrarei em sua casa e nós cearemos juntos (Ap 3,20).
Nosso Senhor deseja a nossa amizade, a nossa intimidade e a união connosco. Quando responderemos ao seu desejo, à espera do seu coração?
Abre-me, minha esposa, diz, abre-me, sacudirei o orvalho dos meus cabelos (Cant 5, 2). Aqui está um símbolo das graças prometidas.
Mas até ao presente a minha alma foi ingrata e o meu coração duro. Voltei-me para as criaturas, como fizeram as virgens loucas. Não alimentei na lâmpada do meu coração o óleo do fervor (Mt 25).
Como o servo infiel, não fiz frutificar o meu talento.
Se este fosse o dia do juízo, Nosso Senhor poderia dizer-me: tive fome e sede do vosso amor, das vossas visitas, das vossas reparações no tabernáculo, não me saciastes. Estava preso e não me visitastes. Estava triste e sofrendo e não me consolastes.
É verdade, Senhor. Sou um ingrato, tenho um coração duro como a pedra. Sou dissipado e agarrado às criaturas. Mudai-me, convertei-me. Experimento hoje uma sede indizível do vosso amor.

Resolução. – Apresentar-me-ei todos os dias ao bom Samaritano, ele pensará as minhas chagas, responderei ao convite do Filho do Rei, mas apresentar-me-ei com a veste nupcial, com a minha alma purificada pela penitência.
Responderei finalmente aos apelos do prisioneiro do sacrário.

Colóquio com Jesus-Hóstia.