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7 Carissimi diligamus invicem quoniam caritas ex Deo est et omnis qui diligit ex Deo natus est et cognoscit Deum 8 qui non diligit non novit Deum quoniam Deus caritas est 9 in hoc apparuit caritas Dei in nobis quoniam Filium suum unigenitum misit Deus in mundum ut vivamus per eum (1Jo 4, 7-9).

7 Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8 Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. 9 Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigénito ao mundo, para vivermos por meio dele (1Jo 4, 7-9).
 

Primeiro Prelúdio. Deus manifestou-nos o seu amor enviando-nos o seu Filho que deu a sua vida por nós.
Segundo Prelúdio. O amor chama o amor; o amor menosprezado chama o amor reparador.

PRIMEIRO PONTO: A manifestação do Sagrado Coração a Margarida Maria é a manifestação do amor. – Quando Jesus mostrava a Margarida Maria o seu Coração apaixonado de amor pelos homens, e incapaz de conter mais longamente as chamas que o devoravam, que queria ele senão atrair a atenção sobre este amor, levar-nos a prestar-lhe homenagem, convidar-nos e irmo-nos alimentar neste Coração infinitamente rico? (Bainvel).
Ao dizer-nos que encontra um singular prazer em ser honrado sob a figura de um coração de carne, que objectivo tem? Que é que nos pede senão honrarmos o seu amor e responder-lhe dando-lhe amor por amor? A manifestação do Sagrado Coração a Margarida Maria é a manifestação do amor.
A devoção ao Sagrado Coração reconduz-se, portanto, segundo a palavra de Pio V, a venerar a imensa caridade e o amor pródigo (effusum) de Nosso Senhor, acendendo o nosso amor neste fogo de amor.
Margarida Maria, resumindo as suas visões, escrevia ao P. Croiset: «Era-me mostrado um Coração sempre presente, lançando chamas de toda a parte, com estas palavras: Se soubesses como estou sedento de me fazer amar pelos homens, não descuidarias nada por isto… Tenho sede, ardo por ser amado».

SEGUNDO PONTO: O amor apela ao amor. – O fim da nova devoção, dizia o postulador de 1697, é pagar um tributo de amor à fonte mesma do amor. – O primeiro fim que temos em vista, dizia o postulador de 1727, o P. de Gallifet, é responder ao amor de Cristo. – E o P. Croiset: Isto aqui não é senão um exercício de amor; /623 o amor é o seu objecto, o amor é o seu motivo principal, e é o amor que deve ser também o seu fim.
É assim de facto que o entende a Igreja. Ela diz na secreta da missa Egredimini: «Nós vos suplicamos, Senhor, que o Espírito Santo nos inflame do amor que Nosso Senhor Jesus Cristo fez jorrar do seu Coração sobre a terra, e do qual quer que ela se abrase». Quando Pio IX, em 1856, estendia a festa do Sagrado Coração à Igreja inteira, era para «fornecer aos fiéis estímulos para amar e pagar com amor o Coração daquele que nos amou e lavou os nossos pecados no seu sangue».
Quando eleva a festa a um rito superior, é para que «a devoção de amor ao Coração do nosso Redentor se propague sempre mais, e desça mais adiante no coração dos fiéis, e que assim a caridade, que em muitos arrefeceu, se reanime nos fogos do divino amor».
Leão XIII repetiu os mesmos ensinamentos. Na sua Encíclica de 28 de Junho de 1889, escreve: «Jesus não tem desejo mais ardente que o de ver acender-se nas almas o amor do qual o seu próprio Coração é devorado. Vamos, portanto, àquele que não nos pede como preço da sua caridade senão a reciprocidade do amor».
Nada de mais claro; o acto próprio da devoção ao Sagrado Coração é o amor.

TERCEIRO PONTO: O amor menosprezado chama o amor reparador. – A devoção ao Sagrado Coração sendo uma resposta de amor ao amor menosprezado e ultrajado, apresenta-se naturalmente como um amor de reparação. Assim todos os documentos autorizados falam-nos da reparação ao mesmo tempo que do amor.
O amor de Jesus, tal como se mostrou a Margarida Maria, é especialmente o amor menosprezado e ultrajado, e é isso que dá a sua importância ao acto de reparação no culto do Sagrado Coração.
O P. Eudes não esqueceu a reparação, mas deixa-a em segundo plano, ele está totalmente absorvido pelo amor, canta o amor.
Margarida Maria, a pedido de Nosso Senhor, coloca no mesmo plano o amor e a reparação. Mas é uma reparação de amor sobretudo que ela pede, antes que uma reparação de justiça ou de expiação.
Esta reparação de amor traduz-se na pública retratação, que se dirige precisamente ao amor menosprezado e ultrajado.
O amor, a consagração ou dom amoroso de si ao Sagrado Coração, /624 a vida toda para ele e dele, mantêm o primeiro lugar nos escritos de Margarida Maria. A reparação e a pública retratação vêm depois, como um testemunho especial de amor para com o amor menosprezado e ultrajado do Salvador.

Resoluções. – Amor e reparação, consagração assídua de mim mesmo, eis o que o Sagrado Coração espera de mim. Mas esta consagração deve abraçar todos os meus actos. Devo renová-la no começo de cada uma das minhas acções, e é preciso para isso viver num piedoso e constante recolhimento, sob o olhar de Nosso Senhor no espírito de amor e de reparação.

Colóquio com Margarida Maria.