No dia 18 de Março celebrámos a Eucaristia pela manhã, presidida pelo Pe. John van den Hengel, e saímos em direcção a Auschwitz.
Vivemos este dia fazendo a experiência entre o horror da maldade humana capaz de realizar extermínios impensáveis e a riqueza do amor misericordioso de Deus de que Santa Faustina se tornou apóstola.
Na primeira parte do dia, percorremos as ruas e casernas de Auschwitz e Birkenau quase em silêncio total, como se fosse um profundo e longo retiro para meditar sobre a crueldade humana. Naqueles campos de concentração morreram mais de 1 milhão e 300 mil pessoas (homens, mulheres e crianças) transportadas em vagões de toda a Europa. Morreram de fome, doenças, trabalhos forçados, executados ou então câmaras de gás e fornos crematórios. Uma infinidade de mártires inocentes que se expressa nestes terríveis números: 1 milhão e 100 judeus, 150 mil polacos, 23 mil ciganos, 15 mil prisioneiros russos, 25 mil de outras proveniências (sacerdotes católicos, testemunhas de Jeová, políticos, etc). De entre estes mártires distinguiu-se o Pe. Maximiliano Kolbe que se ofereceu para morrer em vez de um pai de família. Foi conduzido ao bloco 11 e aí morreu a 14 de Agosto de 1941 com uma injecção letal.
Ao longo de toda a manhã vivemos intensamente e por vezes com comoção, dor e lágrimas a memória de Auschwitz e Birkenau. É difícil passar indiferente por aqueles ambientes cercados de arme farpado!
E são muitos os que fazem esta peregrinação pelo sofrimento humano. Impressionou-me sobretudo as centenas e centenas de jovens com quem nos cruzámos que em grupos fazem o percurso em silêncio, desprendidos de smartphones, auriculares, tablets,… Auschwitz é de facto uma lição para quem lá tem a oportunidade de passar.
O campo foi libertado a 27 de Janeiro de 1945, pelo Exército Vermelho e aqueles que lá se encontravam puderam sair em liberdade para narrar à humanidade a memória desta triste página da nossa história.
De tarde visitámos o Santuário João Paulo II que está em fase final de construção. Trata-se de uma obra grandiosa onde impera a imponente torre de 85 metros de altura, que correspondem aos 85 anos de vida de João Paulo II… Numa das capelas deste Santuário está sepultado o Cardeal Stanislaw Nagy (falecido a 5 de Junho de 2013), Dehoniano, amigo pessoal de João Paulo II. A poucos metros deste Santuário está um outro: o da Divina Misericórdia, construído junto ao convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia. A torre tem 77 metros de altura, que era a idade de João Paulo II quando foi edificada…
Foi no convento da Misericórdia que Santa Faustina Kowalska viveu parte da sua vida e onde está sepultada. A sua experiência de fé e os seus escritos incentivaram o desenvolvimento da espiritualidade da misericórdia que hoje atrai milhares de pessoas em peregrinação a este Santuário.
Numa das capelas do Santuário tivemos um conferência proferida por uma das irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia que nos falou de Santa Faustina e da mensagem da misericórdia.
Concluímos o dia com um tempo de Adoração do Santíssimo no Santuário da Misericórdia. Ali pudemos colocar no Coração de Jesus os sentimentos díspares e confusos que vivemos ao longo do dia e rezar: “Jesus, manso e humilde de coração, torna o meu coração semelhante ao teu”.
Zeferino Policarpo, scj