«Rapazes… obrigado por nos terem proporcionado esta experiência; não imaginam o quanto temos tentado falar de fé e vocação com eles e o quão difícil tem sido. Conseguiram algo que nunca tínhamos visto antes.»
Foi assim que se viveu um rally vocacional em Anadia, Aveiro:
Rumo ao quarto domingo do Tempo Pascal — domingo do «Bom Pastor» e dia de oração pelas vocações —, os noviços dehonianos visitaram, nos dias 21 e 23 de abril, o colégio «Nossa Senhora da Assunção», orientado pelas Irmãs de São José de Cluny, no âmbito da Semana de Oração pelas Vocações.
Tendo em conta a sensibilidade pastoral dos noviços no contexto educativo, criou-se uma excelente ligação entre os alunos e os jovens em formação. Estes últimos partilharam que, antes de chegarem ao colégio, tinham apenas uma mensagem de WhatsApp com o horário e as salas onde iriam estar; e que, cerca de trinta minutos antes de iniciar o dia, já no carro, ensaiavam os cânticos de animação, trocavam ideias e incentivavam-se mutuamente a pôr em prática os «talentos escondidos» de cada um.
Cada jornada começava às 10h00 e prolongava-se até depois das 16h30, trabalhando com crianças do 4.º e 5.º ano, bem como com jovens do 6.º ao 12.º ano.
Os alunos não escondiam a sua emoção perante a clara rutura com a rotina habitual. Ao descobrirem que se tratava de quatro jovens provenientes de quatro países diferentes — com quatro formas distintas de ver o mundo e quatro histórias vocacionais únicas —, começava, sem dúvida, a «magia».
A marca dehoniana fazia-se presente desde o início, com a animação de um cântico do Pe. Zezinho («Quando Jesus Passar»), que destaca a diversidade das ocupações humanas, mas convida a viver com a disposição de que, quando Jesus Cristo passar, nos encontre a todos na nossa missão, no nosso lugar.
A «fofoca» — aquele rumor curioso — sobre uns jovens que conseguiam interromper momentaneamente disciplinas como Química, Inglês, História ou Geografia para partilhar a fé e o dom da vocação, espalhou-se rapidamente pelo colégio. Os alunos aproximavam-se dos noviços, faziam perguntas e pediam que visitassem as suas turmas. Longe de incomodar, despertava uma expectativa contagiante.
Como eixo central das «partilhas vocacionais», os jovens noviços sublinharam que a vocação é um chamamento que Deus faz a cada pessoa para ser feliz; uma felicidade que se torna mais concreta ao cultivar uma relação de amizade com o próprio Cristo, que se fez homem, nos amou, morreu e ressuscitou por todos nós, e que hoje continua a ensinar-nos a ser amigos, irmãos e testemunhas diferentes numa sociedade cheia de desafios.
Torna-se secundário perguntar se os seminários e conventos em Portugal se irão encher nos próximos anos; o essencial é anunciar que existe um Amor — tão antigo e tão novo — que bate à nossa porta para nos unir e encher de felicidade: uma missão que devemos assumir com responsabilidade e convicção.
A ti, estimado leitor, deixamos um convite: reza pelas vocações, porque «a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos».
Jesús Galindo, noviço dehoniano








