Um novo Horizonte

Testemunho de José Manuel Paiva Pereira, scj

Na minha caminhada de formação na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), tendo chegado o momento de fazer um tempo de Estágio de Vida Religiosa, e sentindo o desejo de fazer uma experiência de Missão noutro Continente diferente do nosso, eu fui convidado a sonhar com um horizonte de missão completamente novo, seja para mim, seja para a nossa Província: o Brasil! Em vésperas do dia de Natal de 2024 lá partia eu rumo ao nordeste brasileiro, uma terra desconhecida por mim, para realizar o meu Estágio de Vida Religiosa durante um ano e meio.

No tempo em que eu estive em Missão por terras do Brasil, eu pude inculturar-me a pouco e pouco numa cidade do litoral nordestino brasileiro (Rio Tinto, Paraíba), concretizando a minha experiência junto das diferentes comunidades rurais que compõem essa cidade. A Missão é sempre uma experiência feita de desafios e provocações, e apesar das diferenças com outras realidades como é por exemplo o caso de Angola, no Continente africano, esta experiência também foi um caminho de descoberta, de encontro e de crescimento.

No período em que estive em Missão, além de visitar, celebrar e partilhar vida com as quinze comunidades rurais da cidade, de Rio Tinto, cuja Paróquia é dedicada a S. Rita de Cássia, eu tive a graça de acompanhar de perto os Jovens, os Acólitos e a Legião de Maria, dando também o meu apoio e dinamizando outras dimensões pastorais das comunidades, nomeadamente aquelas que estavam mais ligadas à Liturgia.

Agora, de regresso a Portugal onde cheguei no passado dia 17 de junho, para concluir a minha formação inicial na Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, trago o coração cheio de alegrias e saudades das pessoas com quem trabalhei e com quem vivi e que me fizeram sentir feliz, com aquela felicidade que nasce quando nos entregamos inteiramente à missão junto de pessoas concretas e acabamos por perceber que a nossa presença é importante e que temos o poder de transformar e reconfigurar vidas. Na hora do regresso a Portugal, foi impossível dizer adeus, a tantas pessoas que me ajudaram e apoiaram, mas sim até “daqui a pouco”. Quem sabe o que Deus reserva àqueles que Ele chama?

Foi um ano e meio, que correu de forma alucinante parecendo agora que se passaram apenas meses… Neste momento de regresso a Portugal, dou graças a Deus por tudo o que vivi e por todo o bem que este tempo de missão trouxe à minha vida e através de mim à vida de tantas pessoas. Agradeço a todos os amigos e benfeitores que nunca se esqueceram de mim nas suas orações e com a sua ajuda e que de uma forma muito discreta e quase impercetível permitem que tantas Missões e tantos missionários sigam em frente.

Que Deus os recompense a todos.

José Manuel Paiva Pereira, scj