Padre José Agostinho Sousa, scj
Tranquilizem-se os estimados leitores: o título não significa que vá escrever todos os meses! Mas pareceu-me útil fazer esta partilha, passado que está o primeiro mês desta experiência aqui por Saint Quentin.
Ao que consta, sou o primeiro Confrade da Província Portuguesa a viver de forma continuada em Saint Quentin, aqui no lugar onde o Padre Dehon começou a sua atividade pastoral como 7º Vigário da Basílica e onde viria a fundar a nossa Congregação. Essa é a primeira experiência que dá vontade de partilhar: a emoção de palmilhar o terreno e calcorrear os caminhos que o Padre Dehon percorria, quando procurava inquieto a melhor forma de corresponder à vontade de Deus e o modo melhor de servir a Igreja e a sociedade, olhando com especial atenção para as maiores carências e fragilidades do seu tempo.
Tenho andado muito a pé. Por opção, enquanto o tempo o permite, antes que venham o frio intenso e a chuva persistente que costumam caracterizar os meses do Outono e do Inverno por estas paragens, ao que parece. Tem sido muito bom subir praticamente todos os dias até à Basílica, passar pelas ruas que certamente o Padre Dehon percorria, imaginar as vezes em que se deteria pelo caminho, tocado pela pobreza/miséria dos operários e suas famílias, que por ali habitavam. Mais intensa ainda é a experiência de percorrer de alto a baixo, diversas vezes ao dia, a renovada igreja de Saint Martin e poder deter-me diante do túmulo do Padre Dehon e aí poder confiar-lhe as intenções, realizações e inquietações da Província Portuguesa, da Província Europa Francófona, de toda a Congregação e de tanta gente que se confia à intercessão do nosso Fundador.
A Paróquia que nos está confiada, com sede aqui na igreja de Saint Martin, chama-se “Paroisse Saint-Quentin en Vermandois” e tem sete igrejas. Já celebrei em cinco. Não contamos com multidões nas celebrações, excepto em algumas mais solenes e especiais. Não há muita gente, mas há gente muito empenhada e dedicada nos diferentes grupos, serviços e movimentos. Eu vou acompanhando os jovens, sobretudo os que se preparam para os Sacramentos da Iniciação Cristã – que são sempre em número significativo. Acompanho também outros grupos e movimentos, nomeadamente um grupo de Leigos Dehonianos, quase sempre no contexto de toda a cidade, porque a pastoral funciona muito em rede entre as três Paróquias da cidade e arredores.
Somos três os Confrades que formamos a Comunidade religiosa de Saint Quentin: o polaco Stanislas Wawro, Superior e Pároco, o camaronês Jean-Roger Lando, Vigário Paroquial, e o português José Agostinho Sousa, sem nomeações, mas com carta de recomendação do Bispo cessante (estamos à espera de novo Bispo), que me confiou especialmente a missão de acompanhar a pastoral dos jovens e das vocações. Em francês nos entendemos, em francês rezamos todas as manhãs – na igreja, com a Comunidade paroquial – e todas as tardes, neste caso cá por casa. Distribuímos entre nós as diferentes celebrações e responsabilidades pastorais, bem como as tarefas da vida quotidiana comunitária.
Assim vai a vida aqui por Saint Quentin: tranquila, fraterna, partilhada. A cada dia que passa vão aparecendo novos portugueses, alguns porque ouviram dizer que agora há um padre português na Paróquia. Cá estou para os acolher! E também para acolher quem por aqui quiser passar, sobretudo neste tempo jubilar do centenário da morte do Padre Dehon. Serão todos bem-vindos!
Padre José Agostinho Sousa, scj


















