Dehonianos em Portugal

A Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) tem 50 anos de vida. Porém a história da presença Dehoniana em Portugal remonta ao ano de 1946, quando chegaram a Portugal o Pe. Ângelo Colombo e o Pe. Gastão Canova, destacados pelos Superiores da Província da Itália do Norte para implantar a Congregação no nosso país.

Foi há 70 anos. As primeiras casas a serem fundadas, foram os seminários.

De facto, a preocupação essencial dos fundadores da Província foi procurar jovens que estivessem disponíveis para acolher a proposta vocacional e, ao mesmo tempo, encontrar ou construir casas onde esses jovens pudessem fazer todo o percurso formativo em ordem à consagração definitiva ao Senhor. Esta intuição revelou-se bastante acertada e, por isso, passado pouco tempo, após a chegada do Pe. Colombo e do Pe. Canova, vieram também outros Dehonianos da Itália para colaborar na formação dos seminaristas.

Os seminários foram surgindo à medida das necessidades e das possibilidades, fundados estrategicamente em cidades de fácil acesso e bem servidas de meios de transporte. A “casa-mãe” da Província é o Colégio Missionário Sagrado Coração, no Funchal. Seguiu-se o Instituto Missionário Sagrado Coração, em Coimbra, a Casa do Sagrado Coração, em Aveiro; o Seminário Missionário Padre Dehon, no Porto e o Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa.

Como corolário desta opção inicial pela formação dos futuros Dehonianos, chegou finalmente, a possibilidade de partir para a missão de Milevane (Moçambique), em 1961, o primeiro missionário Dehoniano português,
o Pe. José Vieira Alves, que fez parte do primeiro grupo de seminaristas do Colégio Missionário. Para além dos seminários e das missões, outros áreas pastorais foram sendo assumidas pela Província conforme as necessidades, as solicitações e a possibilidade de resposta: a pastoral vocacional, a atividade paroquial, o ensino, a animação espiritual, a pastoral juvenil, etc…

Apresentamos, aqui, estes 70 anos de história da presença Dehoniana em Portugal, desde as origens, dando a conhecer as casas e as comunidades, bem como a diversidade de serviços pastorais que plasmam a nossa missão em Portugal e nas Missões. Fazemo-lo em atitude de ação de graças a Deus por tantos e tantos dons recebidos que nos permitem estar generosamente ao serviço do Reino do Coração de Jesus.

 

Seminários

A comunidade acolherá com alegria todo o candidato que pedir para ser iniciado na vida e missão da nossa Congregação… Nesse ambiente favorável, o candidato encontrará ajuda para o crescimento humano e espiritual da sua vocação. (Cst 91)

Missões

Temos consciência de ter sido fundada com objectivos missionários e várias das nossas obras identificam-se com essa perspectiva. Cultivamos especial carinho pelas Missões onde os nossos missionários continuam a desenvolver a sua atividade. Promoveremos o espírito missionário entre os membros da Província e entre os seminaristas e os leigos que partilham do nosso carisma e apoiaremos as nossas Missões com pessoas e meios. (DP 91-92)

Pastoral Paroquial

Sensíveis às exigências pastorais da Igreja Particular, continuamos a valorizar, como expressão do nosso carisma, a inserção e a disponibilidade para com as Paróquias e Dioceses. Ao aceitarmos e exercermos o apostolado paroquial, teremos em atenção a nossa preferência pelos mais pobres e abandonados, criando, na medida do possível, iniciativas sociais concretas. Não esquecendo a nossa identidade de religiosos e dehonianos, salvaguardamos as expressões da vida comunitária e difundimos à nossa volta os valores da nossa espiritualidade. (DP 94-95, 97)

Desde o começo da presença Dehoniana em Portugal houve sempre uma atitude de disponibilidade e de colaboração com a igreja local. Esta disponibilidade tem levado a que, ao longo dos anos, os bispos diocesanos tenham confiado à Província diversas paróquias ou um conjunto de paróquias que formam uma zona pastoral. Presentemente estão confiadas à Província quase três dezenas de paróquias. Algumas delas estão ligadas a comunidades, das quais já se fez referência, e outras estão organizadas em “zonas pastorais” com uma comunidade de párocos que tem a seu cargo diversas paróquias das redondezas. Vamos agora percorrer o trabalho dos Dehonianos nessas zonas pastorais.

Pastoral Juvenil e Vocacional

A animação vocacional é uma obra de colaboração no desígnio de Deus. Exige uma férvida oração ao Dono da seara e uma contínua conversão e renovação da Vida Religiosa que permita a transparência do testemunho pessoal e comunitário. O objectivo principal da Pastoral Juvenil Dehoniana é proporcionar aos jovens a possibilidade de crescerem e de aprofundarem a sua fé, criando condições para acolher e responder ao projecto de Deus, e tendo como referência a experiência de fé do Padre Dehon. (DP 80, 83)

Pastoral Social e Voluntariado Missionário

De acordo com uma especial sensibilidade do Fundador, a Província procurará empenhar-se em tarefas de educação e promoção humana e social, bem como de formação espiritual, junto das camadas mais carenciadas da sociedade. A Obra ABC e os centros sociais paroquiais são expressão visível desta nossa opção pelos pobres. (DP 99)

Pastoral do Ensino e da Cultura

Na linha da tradição da Congregação, a Província tem-se dedicado ao apostolado do ensino, em espírito de serviço eclesial. A exemplo do Fundador, estará aberta ao mundo da cultura e ao ensino das ciências sagradas em ordem à formação de sacerdotes e de agentes pastorais. (DP 98)

Serviço à Igreja

8.Servico_1Uma outra dimensão do nosso serviço à Igreja, manifesta-se nos confrades que foram chamados ao ministério do episcopado e que nestes anos têm estado à frente de algumas dioceses:

D. António de Sousa Braga: Bispo emérito da Diocese de Angra do Heroísmo. Desempenhava as funções de Vigário Geral da Congregação quando foi nomeado Bispo de Angra do Heroísmo. Foi ordenado Bispo a 30 de junho de 1996 e esteve à frente à Igreja dos Açores até 15 de março de 2016, quando o Papa Francisco aceitou a renúncia por limite de idade.

D. Manuel Neto Quintas: Bispo da Diocese de Faro (Algarve). Acabara de ser Superior Provincial quando foi nomeado Bispo da Diocese de Faro. Foi ordenado Bispo a 3 de setembro de 2000, em Silves.

D. José Alfredo Caires de Nóbrega: Bispo de Mananjary (Madagáscar). Era missionário na ilha de Madagáscar desde 27 de dezembro de 1981, tendo sido um dos iniciadores da presença Dehoniana portuguesa em Madagáscar. Foi ordenado Bispo em Mananjary a 18 de março de 2001.

D. José Ornelas Carvalho: Bispo de Setúbal. Tinha concluído o mandato de 12 anos como Superior Geral da Congregação. A 24 de agosto de 2015, o Papa Francisco nomeou-o Bispo de Setúbal. Foi ordenado na catedral daquela Diocese a 25 de outubro de 2015.

 

Além destes Dehonianos chamados ao episcopado, há ainda outros Dehonianos com cargos eclesiais de responsabilidade:

Pe. Manuel Saturino da Costa Gomes: Desde 23 de janeiro de 2014, está ao serviço da Santa Sé, como Juiz Auditor do Tribunal da Rota Romana.

Pe. Manuel Joaquim Gomes Barbosa: No decorrer da 184.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, foi eleito, a 29 de abril de 2014, Secretário Geral e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa.