Ano A
33.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 33.º Domingo do Tempo Comum
Para os crentes, no horizonte final da história humana está o encontro com Deus. Como devemos viver, até lá? As leituras que a liturgia do trigésimo terceiro Domingo do Tempo Comum nos convida a escutar pedem-nos que vivamos como testemunhas ativas, comprometidas e corajosas do projeto de Deus. Para concretizar o seu plano de salvação para o mundo e para os homens, Deus precisa de nós.
Na primeira leitura um “sábio” israelita propõe-nos – através da figura da “mulher virtuosa” – um modelo de vida. Segundo o “sábio”, a nossa realização plena passa por assumir com responsabilidade e diligência as tarefas que nos são confiadas, por viver na escuta atenta de Deus e das suas propostas, por se deixar “tocar” pelo sofrimento dos homens e mulheres que caminham ao nosso lado… A metáfora da “mulher virtuosa” aponta o caminho a todos aqueles que buscam uma vida sábia e bem-sucedida aos olhos de Deus e da sociedade.
No Evangelho Jesus pede aos seus discípulos que não “enterrem” os dons que Deus lhes concedeu e que não vivam paralisados pela preguiça, pela apatia, pelo medo de arriscar. Os “talentos” que Deus nos entrega não podem permanecer como “capital morto”; mas têm de ser postos a render, têm de ser investidos na construção de um mundo mais justo, mais verdadeiro, mais pacífico e mais humano.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo convida os cristãos de Tessalónica – e os cristãos de todas as épocas e lugares – a manterem-se atentos e vigilantes, preparados para acolher o Senhor que há de vir. “Estar preparado” significa viver com coerência, responsabilidade e compromisso, cumprindo a nossa missão e correspondendo a cada instante ao que Deus espera de nós. Paulo chama a isso “viver na luz”.
LEITURA I – Provérbios 31,10-13.19-20.30-31
Quem poderá encontrar uma mulher virtuosa?
O seu valor é maior que o das pérolas.
Nela confia o coração do marido,
e jamais lhe falta coisa alguma.
Ela dá-lhe bem-estar e não desventura,
em todos os dias da sua vida.
Procura obter lã e linho
e põe mãos ao trabalho alegremente.
Toma a roca em suas mãos, seus dedos manejam o fuso.
Abre as mãos ao pobre e estende os braços ao indigente.
A graça é enganadora e vã a beleza;
a mulher que teme o Senhor é que será louvada.
Dai-lhe o fruto das suas mãos,
e suas obras a louvem às portas da cidade.
CONTEXTO
O “Livro dos Provérbios” é constituído por diversas coleções de ditos, de sentenças, de máximas, de provérbios (“mashal”) onde se cristaliza o resultado da reflexão e da experiência (“sabedoria”) de várias gerações de “sábios” antigos, quer israelitas quer não israelitas). O objetivo de todo esse material é definir uma espécie de “ordem” do mundo e da sociedade que, uma vez apreendida e aceite pelo indivíduo, o levará a uma integração plena no meio em que está inserido. O indivíduo poderá, com base nessa “informação”, viver sem traumas nem sobressaltos que destruam a sua harmonia interior e o incapacitem para dar o seu contributo à comunidade. Ficará, assim, de posse da chave para viver em harmonia consigo mesmo e com os outros; e assegurará uma vida feliz, tranquila e próspera.
O livro apresenta-se como tendo sido composto por Salomão (cf. Pr 1,1), o rei “sábio”, conhecido pelos seus dotes de governação, pelos seus dons literários, por numerosas sentenças sábias (cf. 1Re 3,16-28; 5,7; 10,1-9.23) e que se tornou uma espécie de “padrão” da tradição sapiencial… Na realidade, não podemos aceitar, de forma acrítica, essa indicação: a leitura atenta do livro revela que estamos diante de coleções de proveniência diversa, compostas em épocas diversas. Alguns dos materiais apresentados no livro podem ser do séc. X a.C., a época em que Salomão reinou em Jerusalém (embora isso não nos garanta que Salomão tenha estado na sua origem); outros, contudo, são de uma época claramente posterior a Salomão.
O texto que nos é hoje proposto aparece no final do Livro dos Provérbios. Apresenta-se literariamente como um “poema alfabético” (poema em que a primeira letra de cada verso segue a ordem das letras do alfabeto: a primeira palavra do primeiro verso começa com a letra “alef”, a primeira palavra do segundo verso começa com a letra “bet” e assim sucessivamente). Tema do poema: a mulher virtuosa. Define o ideal hebraico da mulher, enquanto esposa, mãe e dona de casa.
O Livro dos Provérbios foi, certamente, usado como manual para a formação de jovens que frequentavam as escolas de “sabedoria”. Este poema, situado no final do livro, poderia ser a “instrução final”. Antes de abandonar a escola e depois de haver assimilado os ensinamentos dos “sábios”, o aluno era instruído acerca de uma “decisão fundamental” que, mais tarde ou mais cedo, iria ter de tomar: a procura e a eleição de uma adequada companheira de vida.
O texto que a liturgia deste domingo nos traz não está completo: apresenta apenas oito dos trinta e um versículos que compõem o poema.
MENSAGEM
Quais são então, segundo o nosso texto, as características da mulher ideal, da “mulher de valor” (Pr 31,10)?
A reflexão dos “sábios” adquire, neste texto, contornos bem pragmáticos… De acordo com a “visão” dos “sábios”, a mulher ideal é, antes de mais aquela que gere a sua casa, com eficiência, com integridade, com competência e com criatividade. Como boa dona de casa, ela encarrega-se diligentemente dos trabalhos domésticos e não deixa que nada falte à sua família. Proporciona bem-estar à sua família e evita tudo aquilo que pode trazer infortúnio à sua casa (cf. Pr 31,12). Trata de obter a lã e o linho, tece-os com a roca e com o fuso, a fim de que todos os membros da família tenham os agasalhos adequados (cf. Pr 31,13.19). O marido, depois de constatar a boa ordem em que tudo caminha pela ação diligente da esposa, confia nela plenamente (cf. Pr 31,11-12). Pode dedicar-se confiadamente às suas responsabilidades sociais sem receio de ver desmoronar-se a sua casa: a sua esposa dedicada vela por tudo e trata tudo.
A mulher ideal é, além disso, uma mulher de coração bondoso. Ela não vive fechada no seu espaço familiar, surda às necessidades dos mais desfavorecidos; mas tem piedade do infeliz e partilha generosamente o fruto do seu trabalho com o pobre (cf. Pr 31,20). O seu coração comove-se com a sorte de quem nada tem; as suas mãos estendem-se constantemente para aqueles que pedem ajuda. Ao agir assim, ela dá testemunho da misericórdia de Deus junto do necessitado e do desvalido.
A mulher ideal é, ainda, aquela que vive no “temor do Senhor” (cf. 31,30). “Viver no temor do Senhor” significa obedecer a Deus, aceitar com humildade e confiança a Sua vontade, os Seus planos e os Seus projetos, viver de acordo com a Lei. A prudência, o trabalho diligente, o cuidado da família, a generosidade para com os necessitados, enfim, todas as qualidades que esta mulher demonstra resultam de uma disposição interior que se alimenta da escuta de Deus e da obediência a Deus.
Esta mulher por excelência já obteve o reconhecimento e a admiração do marido(cf. Pr 31,11); mas também obterá o reconhecimento de toda a comunidade: será louvada “às portas da cidade” (Pr 31,31), o lugar onde tudo se comenta, onde ecoam todas as notícias, onde tudo se sabe, onde a comunidade toma todas as decisões.
O retrato da “mulher ideal”, aqui esboçado, está muito longe da noiva/esposa do Cântico dos Cânticos, que oferece ao amado a sua beleza incomparável e o seu amor apaixonado. A perspetiva é radicalmente outra. Os “sábios” estão bem conscientes de que “a graça é enganadora e vã a beleza” (Pr 31,30a); interessam-lhes mais os valores duradouros do que os valores efémeros. O ideal de mulher, para os “sábios”, é a mãe de família que dirige com eficiência, com dedicação e com empenho a sua casa rural, que tem um coração generoso e que vive no “temor do Senhor”.
INTERPELAÇÕES
• Os “sábios” de Israel propõem, na figura da “mulher virtuosa”, um ideal de vida que todos nós – tanto mulheres como homens – somos desafiados a abraçar. O paradigma proposto “fala-nos” de viver de maneira íntegra e comprometida, de corresponder adequadamente às responsabilidades que nos são atribuídas, de cumprir com eficiência e competência a missão que nos foi confiada, de ser generoso e misericordioso, de se deixar “tocar” pelo sofrimento dos irmãos mais desfavorecidos, de viver na escuta atenta de Deus e das suas propostas. De acordo com os “sábios” de Israel, este “modelo” garante-nos uma vida ditosa, tranquila, próspera, bem sucedida. Acreditamos realmente que é esse o caminho para a felicidade e para a plena realização? Levamos a vida a sério, ou cedemos à desresponsabilização, ao facilitismo, à frivolidade, à leviandade?
• Na proposta que os “sábios” de Israel nos deixam há também uma alusão à questão das prioridades. Os “sábios” lembram-nos que há valores que não são determinantes (“a graça é enganadora e vã a beleza”) e há valores que são verdadeiramente decisivos na construção de uma vida com sentido (“a mulher que teme o Senhor é que será louvada”). É uma questão hoje bem pertinente, num contexto marcado pela relativização, pela volatilidade e pela superficialidade. Como está a nossa lista de prioridades? Quais são os valores que privilegiamos? Os nossos valores fundamentais são valores que nos asseguram uma felicidade duradoura?
• Para os “sábios” de Israel uma vida com sentido é uma vida voltada para os outros. O egoísmo, o fechamento em si próprio, o individualismo, a indiferença face aos irmãos mais frágeis ou desprezados, a insensibilidade face aos sofrimentos dos outros empobrecem radicalmente o nosso projeto de vida e limitam o nosso próprio crescimento espiritual, emocional e existencial. Como é que consideramos e tratamos aqueles irmãos que nos batem à porta a pedir um pedaço de pão, um pouco de atenção, um gesto fraterno, um sinal de solidariedade, um apoio contra a injustiça? Como é vemos aqueles homens e mulheres que a sociedade descarta e deixa abandonados nas bermas das estradas da vida? Temos o coração aberto aos irmãos e pronto para ajudar, ou fechamo-nos à caridade, à partilha, à solidariedade, ao dom?
• De acordo com a mais genuína catequese de Israel, um projeto de vida bem alicerçado tem de assentar no “temor de Deus”. “Temer o Senhor” é reconhecer a grandeza e a soberania de Deus, ter consciência da própria pequenez diante da grandiosidade e da santidade do Criador; “temer o Senhor” é estar atento aos projetos de Deus, obedecer incondicionalmente às indicações de Deus, viver de acordo com os mandamentos de Deus; “temer o Senhor” é rejeitar a autossuficiência orgulhosa, deixar-se conduzir por Deus e entregar-se confiadamente nas mãos de Deus… Esta dependência de Deus – dizem-nos os “sábios” de Israel – não diminui a nossa liberdade, nem atenta contra a nossa realização; pelo contrário, é condição essencial para a nossa realização plena. Qual o lugar que Deus ocupa na nossa vida? É n’Ele e a partir d’Ele que alicerçamos a construção da nossa vida e da nossa história? Vemos Deus como a nossa referência fundamental, como um pai que nos ama e nos indica os caminhos que conduzem à vida plena, ou como um adversário que nos limita, que nos controla e que não nos deixa ser plenamente nós próprios?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 127
Refrão: Ditoso o que segue o caminho do Senhor.
Feliz de ti que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.
Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa.
Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida.
LEITURA II – 1 Tessalonicenses 5,1-6
Irmãos:
Sobre o tempo e a ocasião, não precisais que vos escreva,
pois vós próprios sabeis perfeitamente
que o dia do Senhor vem como um ladrão noturno.
E quando disserem: «Paz e segurança»,
é então que subitamente cairá sobre eles a ruína,
como as dores da mulher que está para ser mãe,
e não poderão escapar.
Mas vós, irmãos, não andeis nas trevas,
de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão,
porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia:
nós não somos da noite nem das trevas.
Por isso, não durmamos como os outros,
mas permaneçamos vigilantes e sóbrios.
CONTEXTO
Foi durante a sua segunda viagem missionária – provavelmente no inverno de 49-50 – que Paulo passou em Tessalónica, acompanhado de Silvano e Timóteo. Deteve-se lá algum tempo, a anunciar o Evangelho. Em resultado da pregação de Paulo, nasceu uma comunidade cristã comprometida e entusiasta, constituída por alguns judeus, numerosos de crentes de origem grega “e muitas mulheres de categoria social” (cf. At 17,4). A ação de Paulo não “caiu” bem entre os líderes judaicos de Tessalónica. “Cheios de inveja”, estes criaram agitação na cidade, com o objetivo de levar as autoridades da cidade a condenar o grupo cristão. Acusaram os cristãos de estarem “em oposição aos éditos de César”, pois propunham “um outro rei, Jesus” (At 17,5-7).
Para evitarem males maiores, os membros da comunidade cristã de Tessalónica convenceram Paulo e Silvano a deixarem a cidade, durante a noite. Os missionários dirigiram-se, então, para Bereia, depois para Atenas e, finalmente, para Corinto. Paulo, preocupado com situação dos seus “filhos” de Tessalónica, pediu a Timóteo que voltasse à cidade e que visse se a jovem comunidade cristã estava a lidar bem com as dificuldades que tinha de enfrentar. Timóteo trouxe a Paulo boas notícias: os cristãos de Tessalónica, apesar do ambiente desfavorável, mantinham-se fiéis ao Evangelho e levavam muito a sério a sua fé.
Paulo, agradado com as notícias levadas por Timóteo, escreveu aos cristãos de Tessalónica congratulando-os pelo seu exemplo e testemunho. Aproveitou também para esclarecer algumas questões que inquietavam os tessalonicenses, entre as quais avultava a temática do “dia do Senhor”.
Paulo e as primeiras gerações cristãs acreditavam que o “dia do Senhor” (o dia da intervenção definitiva de Deus na história, para derrotar os maus e para conduzir os bons à vida plena e definitiva) surgiria num espaço de tempo muito curto e que os membros da comunidade ainda assistiriam ao triunfo final de Jesus. No entanto, os dias iam passando sem nada acontecer. Alguns membros da comunidade morreram, durante esse espaço de tempo. Os cristãos de Tessalónica ficaram confusos: qual será a sorte dos cristãos que morreram antes da segunda vinda de Cristo? Como poderão eles sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com Ele no Reino de Deus se já estão mortos?
Paulo reitera aquilo que, com toda a certeza, já lhes tinha dito antes: Cristo virá outra vez, glorioso, para concluir a história humana; e todo aquele que tiver aderido a Cristo e se tiver identificado com Ele, esteja morto ou esteja vivo, assistirá ao triunfo de Cristo e encontrará n’Ele a salvação (cf. 1Ts 4,14). Mas, quando é que isso acontecerá? E como devem os discípulos de Jesus comportar-se enquanto não chega o “dia do Senhor”?
MENSAGEM
Sobre a data em que se concretizará a vinda gloriosa de Cristo, Paulo afirma nada saber. Jesus tinha dito a mesma coisa aos seus discípulos: “quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe: nem os anjos do céu nem o Filho; só o Pai” (Mt 24,36). Será sem dúvida algo de imponderável, uma autêntica “surpresa de Deus”.
Para marcar o carácter absolutamente imprevisível desse momento, Paulo utiliza duas imagens bem expressivas: o dia do Senhor virá “como um ladrão noturno”, que invade a casa quando ninguém espera (1Ts 5,2); a vinda gloriosa do Senhor surgirá de repente, “como as dores da mulher que está para ser mãe” (1Ts 5,3). Os crentes devem aguardar esse momento com serenidade, mantendo-se atentos, vigilantes e preparados para acolher o Senhor que vem.
Depois, Paulo reflete sobre o que é que significa preparar bem o encontro com o Senhor. Segundo Paulo, há duas maneiras de viver: a dos não crentes e a dos crentes (cf. 1Ts 5,4-6). Os não crentes vivem “nas trevas”, mergulhados num “sono” letárgico que os paralisa e que os impede de ver ao longe. Agarram-se ao momento presente e não se preocupam com o mundo que há de vir; fixam o olhar em realidades rasteiras e efémeras e não se interessam pelos valores eternos; instalados numa vida sem horizontes amplos, estão acomodados e presos às realidades deste mundo. A chegada imprevista do Senhor apanhá-los-á distraídos e impreparados. Os crentes, ao contrário, vivem “na luz”, tendo bem claro para onde vão e como vão. Caminham de olhos postos no futuro, à espera que chegue a vida verdadeira e definitiva que Deus lhes vai oferecer. Mantêm-se sóbrios, vigilantes, acordados, atentos, vivendo de forma coerente com a opção que fizeram no dia em que receberam o Batismo. Esforçam-se por escutar Deus, por identificar os desafios que Deus lhes apresenta e por cumprir a cada instante a vontade de Deus.
Na verdade, a vida dos crentes é bem mais bela e significativa. É uma vida ancorada na esperança, uma vida que leva o crente ao encontro dessa festa definitiva que Deus prepara para aos seus filhos.
INTERPELAÇÕES
• Sempre existiram “pregadores” que, num puro exercício de terrorismo espiritual, falaram de forma inflamada sobre a iminente chegada do “fim do mundo” e das catástrofes inenarráveis que Deus supostamente prepara para atingir os homens pecadores. Infelizmente, essas pregações ainda se fazem ouvir nos nossos dias. Em geral, essa instrumentalização do medo e da culpa tem como objetivo controlar os comportamentos e as opções das pessoas, impondo-lhes determinadas crenças e condutas. Necessitamos, quanto a isto, de ter ideias claras e não nos deixarmos amedrontar por este tipo de terrorismo… Na verdade, não sabemos quando é que a história dos homens chegará ao seu termo; não sabemos quando será a vinda gloriosa de Cristo para pôr um ponto final neste caminho que a humanidade todos os dias vai fazendo. O que sabemos é que precisamos de estar preparados para o encontro com o Senhor, seja quando for que isso aconteça. “Estar preparado” significa viver com coerência, responsabilidade e compromisso, cumprindo a nossa missão e correspondendo a cada instante ao que Deus espera de nós. Como vemos tudo isto? Caminhamos pela vida atentos e vigilantes, procurando serenamente viver de acordo com as indicações de Deus, confiando em Deus e aguardando a salvação que Ele nos quer oferecer?
• Em qualquer caso, se a segunda vinda do Senhor estiver no nosso “radar”, teremos uma perspetiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade… Para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes estreitos deste mundo. Os valores decisivos, os valores a que é preciso dar prioridade, são os valores eternos, os valores de Deus. Os valores efémeros, os valores do mundo podem ocupar um determinado espaço na vida do homem; mas serão sempre um “meio” e nunca uma “finalidade”. A certeza do nosso encontro final com Jesus condiciona e transforma a maneira como vivemos e encaramos o presente? De que modo? Para nós que caminhamos de olhos postos no encontro com o Senhor, quais são os valores que consideramos prioritários?
• A certeza da segunda vinda do Senhor é a âncora da esperança cristã. Garante aos crentes que a história humana não termina num beco sem saída, mas sim na redenção final e na vitória de Deus. Convicto de que a vida atual é passageira, o crente pode enfrentar com paciência e resiliência as dificuldades da vida presente. As injustiças, as deceções, as doenças, a dor, a própria morte serão derrotadas; as dúvidas e incertezas que marcam a vida presente darão lugar à comunhão plena entre Deus e a humanidade redimida… Esta esperança, contudo, não gera passividade, mas impulsiona o crente a ser a cada instante testemunha do reino de Deus, arauto de um mundo mais justo, mais fraterno, mais feliz. A segunda vinda do Senhor é para nós fonte de esperança? Ajuda-nos a enfrentar com coragem as dificuldades e crises da vida presente? Impulsiona-nos a lutar, desde já, por um mundo novo?
ALELUIA – João 15,4a.5b
Aleluia. Aleluia.
Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós, diz o Senhor.
Quem permanece em Mim dá fruto abundante.
EVANGELHO – Mateus 25,14-30
Naquele tempo,
Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«Um homem, ao partir de viagem,
chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens.
A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um,
conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu.
O que tinha recebido cinco talentos
fê-los render e ganhou outros cinco.
Do mesmo modo,
o que recebera dois talentos ganhou outros dois.
Mas, o que recebera dois talentos ganhou outros dois.
Mas, o que recebera um só talento
foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos
e foi ajustar contas com eles.
O que recebera cinco talentos aproximou-se
e apresentou outros cinco, dizendo:
‘Senhor, confiaste-me cinco talentos:
aqui estão outros cinco que eu ganhei’.
Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel.
Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes.
Vem tomar parte na alegria do teu senhor’.
Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse:
‘Senhor, confiaste-me dois talentos:
aqui estão outros dois que eu ganhei’.
Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel.
Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes.
Vem tomar parte na alegria do teu senhor’.
Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse:
‘Senhor, eu sabia que és um homem severo,
que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste.
Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra.
Aqui tens o que te pertence’.
O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso,
sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei;
devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro
e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu.
Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez.
Porque, a todo aquele que tem,
dar-se-á mais e terá em abundância;
mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado.
Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores.
Aí haverá choro e ranger de dentes’».
CONTEXTO
Jesus está sentado no Monte das Oliveiras, rodeado dos discípulos. À frente deles está a cidade de Jerusalém. Pouco antes, ao sair do templo, Jesus tinha dito aos discípulos: “Vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (Mt 24,2). Impressionados com as palavras proferidas por Jesus à saída do templo, os discípulos pedem-lhe explicações: “Diz-nos quando acontecerá tudo isto e qual o sinal da tua vinda e do fim do mundo” (Mt 24,3). É então que Jesus propõe um longo ensinamento que ficou conhecido como o “discurso escatológico” (cf. Mt 24-25).
A versão que Mateus nos oferece do “discurso escatológico” tem por base um discurso de teor semelhante que aparece no Evangelho de Marcos (cf. Mc 13). Contudo, Mateus acrescentou ao texto de Marcos três parábolas (parábola do mordomo fiel – cf. Mt 24,45-51; parábola das dez virgens – cf. Mt 25,1-13; parábola dos talentos – cf. Mt 25,14-30) e uma descrição do juízo final (cf. Mt 25,31-46) que mudam substancialmente o sentido do discurso de Jesus. Na versão de Marcos, o “discurso escatológico” refere-se especialmente, aos sinais que precederão a destruição do Templo de Jerusalém (que se concretizará cerca de quarenta anos mais tarde, no ano 70, quando as tropas romanas, comandadas por Tito, tomam e destroem Jerusalém); mas em Mateus o mesmo discurso orienta-se para a temática da segunda vinda de Jesus.
Com a sua abordagem do “discurso escatológico”, Mateus tem um propósito bem definido… No final do séc. I os cristãos, cansados de esperar a segunda vinda de Cristo, viviam instalados numa fé morna, rotineira, acomodada. A comunidade cristã necessitava de reavivar a fé e de renovar o seu compromisso com Jesus. Neste cenário, Mateus lança mão do “discurso escatológico” de Jesus para interpelar os crentes e para lembrar-lhes que a segunda vinda do Senhor está no horizonte final da história humana. A “parábola dos talentos” aponta a esse objetivo.
O “talento” era uma unidade de peso para medir metais preciosos. Um talento correspondia, na época de Jesus, a cerca de 36 quilos de prata ou de ouro. Um talento de prata equivalia ao salário de aproximadamente 6.000 dias de trabalho de um operário não qualificado. O talento de ouro, no entanto, valia imensamente mais. Fosse de prata ou fosse de ouro, um talento correspondia a uma imensa quantia.
MENSAGEM
A “parábola dos talentos” fala de um “senhor” que partiu em viagem e deixou a sua fortuna nas mãos dos seus servos (cf. Mt 25,14). A um deixou cinco talentos, a outro dois e a outro um (cf. Mt 25,15). Os servos administraram, cada um à sua maneira, os bens que lhes foram confiados (cf. Mt 25,16-18). Quando voltou, o senhor chamou os servos e pediu-lhes contas da forma como geriram os bens que lhes tinha deixado (cf. Mt 25,19). Os dois primeiros tinham duplicado a soma recebida (cf. Mt 25,20-23); mas o terceiro tinha escondido cuidadosamente na terra o talento que lhe fora confiado, pois conhecia a exigência do “senhor” e tinha medo de perdê-lo (cf. Mt 25,24-25). Os dois primeiros servos foram louvados pelo “senhor”, ao passo que o terceiro foi severamente criticado e condenado.
Provavelmente a parábola primitiva, tal como saiu da boca de Jesus, era uma “parábola do reino de Deus”. O amo exigente seria Deus, que reclama para Si uma lealdade a toda a prova e que não aceita, por parte dos homens, situações de acomodação, de preguiça, de “meias tintas”. Os servos a quem Ele confia os seus dons devem pôr esses dons a render. Ficar de braços cruzados, deixar-se paralisar pelo medo, instalar-se numa passividade alienante, nunca poderá ser opção para os servidores do reino. Os que integram a comunidade do reino têm de estar cem por cento comprometidos com o projeto que Deus tem para o mundo e para os homens.
Mateus, no entanto, pegou na mesma parábola e situou-a no contexto da vinda do Senhor Jesus, no final dos tempos… Na versão de Mateus, o “senhor” da parábola seria Jesus que, depois de ter caminhada durante algum tempo com os homens, foi ao encontro do Pai. Ao deixar o mundo, entregou aos seus discípulos um determinado número de “talentos”. Mateus não explicita o que é que esses “talentos” representam: deixa que o leitor pense, ele próprio, nos “bens” que Jesus deixou aos seus discípulos… Esses “bens” poderão ser a Palavra de Deus, os valores do Evangelho – a partilha, o serviço, a misericórdia, o perdão, a fraternidade – os carismas e ministérios que ajudam a construir a comunidade do reino de Deus, os sacramentos que são fonte de vida… Mas, independentemente do significado dos “talentos”, o ponto decisivo é este: os discípulos de Jesus são os fiéis depositários desses “bens” e devem administrá-los adequadamente.
Como devem ser “tratados” os “bens” que Jesus, “ao partir de viagem”, deixou aos seus “servos”? Uma coisa fica perfeitamente clara: esses “bens” não podem ficar “enterrados”, escondidos, estéreis; mas têm de produzir frutos. Os dois servos que investiram os “bens” recebidos e os multiplicaram, que não se deixaram paralisar pela preguiça, pela rotina ou pelo medo foram louvados e recompensados pelo “senhor”. Os “bens” que lhes foram entregues produziram mais “bens”. Em contrapartida, o terceiro servo teve medo de arriscar e resolveu jogar pelo seguro. O “medo” paralisou-o. Por isso, enterrou o “talento” que recebeu e, quando o “senhor” regressou, devolveu-o intacto. Aquele “talento” que lhe foi confiado não serviu para nada, não acrescentou nada, não mudou nada na vida e na história dos homens. Segundo as contas de Deus, aquele “talento” esteve perdido. O “senhor”, desagradado com a passividade e a falta de iniciativa daquele servo, chamou-lhe “servo inútil” e castigou-o com dureza. Com o seu medo, com o seu comodismo e preguiça (“servo mau e preguiçoso” – Mt 25,26) esse “servo inútil” impediu que os “bens” do “senhor” tivessem produzido frutos de vida nova.
Como é que os discípulos de Jesus devem viver no “tempo da Igreja”, o tempo histórico que vai da Páscoa até à segunda vinda de Jesus? Poderão instalar-se comodamente na rotina, na inércia, na preguiça na mediocridade e descuidar os seus compromissos? Poderão demitir-se das suas responsabilidades e “deixar correr” as coisas? Poderão acomodar-se a uma prática religiosa ritualista e inconsequente, que acalma a consciência mas não muda os corações nem transforma a vida? Poderão viver com medo de Deus, um medo que os impede de arriscar e de procurar os caminhos novos que o Espírito Santo lhes aponta? Não. Enquanto esperam a segunda vinda do Senhor, os discípulos de Jesus terão de viver atentos e vigilantes, procurando perceber a cada instante os desafios de Deus; terão de “pôr a render” os “talentos” que Jesus lhes deixou e de “fazer a diferença”, introduzindo no mundo o dinamismo do reino de Deus; terão de ser a cada instante rosto misericordioso e bondoso de Deus junto dos outros homens e mulheres… Esquecer os compromissos assumidos com Jesus e com o reino, demitir-se das suas responsabilidades, deixar na gaveta os dons recebidos, aceitar passivamente que o mundo se construa de acordo com valores que não são os de Jesus, é malbaratar os dons de Deus, é privar os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito.
INTERPELAÇÕES
• A “parábola dos talentos” contém, antes de mais, a sugestão de que Deus conta connosco para sermos testemunhas d’Ele e do seu projeto de salvação no meio dos nossos irmãos. É por isso que Deus deposita nas nossas mãos um imenso capital, um valioso tesouro, uma enorme soma de bens (“talentos”) que somos convidados a pôr ao serviço do projeto em que Ele nos envolve. A nossa vida não é um simples caminhar titubeante entre o nascimento e a morte, um rastejar sem horizontes em direção ao nada, um fluir de dias sem propósito nem objetivo… Pelo contrário, a nossa vida reveste-se de uma dignidade e de um propósito transcendentes: somos colaboradores de Deus e arautos, no mundo e na história, do seu projeto de amor. Apesar da nossa fragilidade e dos nossos limites, a nossa vida reveste-se de uma suprema dignidade: Deus precisa de nós para concretizar os seus desígnios. Cada talento que recebemos é uma ferramenta de trabalho para transformar a realidade à nossa volta e torná-la mais condizente com o plano de Deus. Vemos e entendemos os “talentos” que Deus nos entregou como expressão do lugar essencial que Deus nos concede no seu projeto? Percebemos porque é que não podemos malbaratar os “talentos” que nos foram dados?
• A “parábola dos talentos” fala de dois “servos” que receberam do seu “senhor” alguns “talentos” e que os fizeram frutificar. Não ficaram de braços cruzados, não se instalaram na apatia e no conformismo, não hesitaram em seguir caminhos novos. Arriscaram, investiram, esforçaram-se, lutaram e ganharam. Jesus disse aos seus discípulos que é essa a atitude com que eles devem enfrentar a vida e a história. A mensagem de Jesus é clara: não a uma vida passiva e acomodada, sim a uma resposta ativa aos desafios de Deus; não à obsessão pela segurança, sim ao compromisso com a transformação do mundo; não à vivência de uma fé cómoda e indolor, sim ao esforço comprometido para abrir caminho ao reino de Deus. É por isso que tantos e tantos cristãos lutam contra a injustiça, a mentira, a violência nas suas mil e uma formas; é por isso que tantos e tantos seguidores de Jesus pedem que a Igreja fique do lado dos pobres, dos pequenos, dos explorados, dos sem voz nem vez; é por isso que tantos e tantos crentes enfrentam os interesses dos grandes da terra para defender a “casa comum” que Deus pôs à disposição de todos os seus filhos… Talvez, no seu excesso de zelo, esses entusiastas do projeto de Deus cometam erros de avaliação e façam opções erradas; mas Jesus entende-os e diz-lhes: “muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”. Pertencemos à categoria desses “servos” que não têm medo de arriscar para multiplicar os “talentos” que lhes foram deixados?
• Um dos “servos” a que a “parábola dos talentos” se refere escondeu os “bens” que o seu “senhor” lhe entregou e deixou-os enterrados na terra. Comodamente instalado no conformismo e na resignação, não fez nada, não explorou caminhos novos, não se esforçou por “fazer a diferença”… Não arriscou, não investiu, não se esforçou não lutou, não ganhou. Jesus sabia que a preguiça, a apatia, o medo de arriscar são perigos que sempre nos ameaçam; por isso, pede aos seus discípulos que não enfrentem a vida com a mesma passividade deste “servo”. “Não fazer nada”, malbaratar os “dons” de Deus, assistir de braços cruzados ao passar do tempo e da história, recusar colaborar com Deus no projeto que Ele tem para o mundo e para os homens é falhar a vida. Falhamos a vida quando, por medo e cobardia nos demitimos da nossa responsabilidade na construção de um mundo melhor; falhamos a vida quando nos refugiamos no nosso cantinho cómodo, sem força, sem vontade, sem coragem para nos assumirmos como protagonistas da história; falhamos a vida quando nos limitamos a repetir sempre os mesmos gestos, as mesmas ideias, as mesmas frases, os mesmos comportamentos, sem inovar, sem purificar, sem nada transformar… Então, Jesus diz-nos: “servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde não lancei; devias, portanto, depositar o meu dinheiro no banco e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu”. Revemo-nos neste “servo inútil” que não soube corresponder aos dons de Deus?
• A atitude do terceiro “servo” da parábola não se explica apenas pela preguiça e pelo conformismo. Por detrás do seu comportamento excessivamente prudente há uma motivação mais grave: uma ideia completamente falsa do seu “senhor”. O “servo” imagina o seu “senhor” como alguém egoísta, injusto, arbitrário, imprevisível, exigente, que não admite falhas e que pode condenar irrevogavelmente aquele que errou. Essa ideia mesquinha do seu “senhor”, paralisa-o. Portanto, o “servo” joga pelo seguro, evita correr qualquer risco, não se sente livre para responder de forma criativa à missão que lhe foi confiada. Aquilo que o “servo” sente por esse “senhor” não é amor, mas medo. Não é verdade que muitos crentes têm de Deus uma imagem semelhante à que aquele “servo” tinha do seu “senhor”? Essa imagem será compatível com a imagem de Deus que Jesus nos revelou? Como é que “vemos” e entendemos Deus?
• Ao longo dos séculos, a Igreja nascida de Jesus nem sempre tem conseguido extrair da “parábola dos talentos” as conclusões que se impõem. Ao contrário do que a parábola propõe, a Igreja tem frequentemente privilegiado o “conservar” o depósito da fé em detrimento do “procurar” com confiança e coragem os caminhos sempre novos de Deus. Será preferível assegurar a todo o custo a ortodoxia, ou procurar novas fórmulas para expressar e dizer a fé de sempre? Será preferível repetir invariavelmente uma teologia herdada do passado e carregada com o pó dos séculos, ou buscar um discurso novo e ousado, capaz de dar uma resposta honesta às interrogações e perplexidades dos homens e mulheres do nosso tempo? Será preferível manter as formas religiosas tradicionais, ou buscar novas maneiras e novas linguagens para celebrar a fé? Será preferível encerrar a fé num ghetto protegido, à espera que cheguem tempos mais favoráveis, ou correr o risco de viver em diálogo com a sociedade, apresentando honestamente o Evangelho aos nossos irmãos e esforçando-nos por colaborar com eles na construção de um mundo mais justo e mais humano?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 33.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 33.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. DURANTE A CELEBRAÇÃO.
Aquilo que terá sido pensado e rezado em termos de “balanço de competência” ou de balanço dos talentos recebidos pode tornar-se oferenda. Aqueles que quiserem poderão escrever em pequenos papéis, oferecidos no momento da apresentação dos dons, duas palavras: uma, dizendo um “talento” recebido ou uma competência (habilidade, tempo livre…); outra, dizendo a maneira como ele “frutifica” (equipa de decoração da paróquia, visita aos doentes…).
3. PALAVRA DE VIDA.
Quantos homens, mulheres e crianças, em todo o mundo, mas também perto de nós, lançam SOS para que a sua vida seja salva, e que eles possam viver de pé, dignamente, humanamente! Jesus ouviu os seus gritos, escutou-os, respondeu-lhes com uma palavra, um olhar, um gesto, e era sempre para transmitir dignidade, confiança, saúde, paz. Fechamos hoje os nossos ouvidos? Agarramo-nos às nossas riquezas? E se fizéssemos um desvio no nosso caminho para nos aproximarmos, para nos fazermos próximo de todos aqueles que caíram na beira do caminho?
4. UM PONTO DE ATENÇÃO.
A oração do Pai Nosso…
O Pai Nosso é muitas vezes uma oração mecânica, maquinal, rotineira. À força de tanto o recitar, não damos a devida atenção ao que dizemos. É preciso aproveitar uma celebração dominical para fazer reencontrar todo o seu valor: é a oração que Jesus formulou e ensinou aos seus discípulos. Cantado ou recitado, pode-se fazer uma breve introdução e deixar um breve tempo de silêncio antes de rezar o Pai Nosso. Recitação bem pausada, com as mãos erguidas ou unidas a quem está ao nosso lado…
5. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Fazer o ponto da situação sobre os nossos talentos…
E se aproveitássemos a parábola de hoje para fazer o ponto da situação sobre os “talentos” que recebemos e aqueles que ganhámos? Discernir em conjunto pode ajudar a perceber estes frutos em Igreja e a dar graças por eles.
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org