III Domingo da Quaresma

Para o cristianismo, a caridade é uma das três virtudes teologais, assim como a fé e a esperança. De facto, o cristão ama a Deus por Ele mesmo e ao próximo por amor a Deus. A caridade implica, assim, que o fim de todas as ações seja o amor.

A caridade demonstra a relação que Deus construiu e quer continuar a construir connosco. “O vínculo da perfeição” (Colossenses 3,14) e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela “não sou nada” e “nada me aproveita” (1 Coríntios 13,1-3).

O Papa Bento XVI apontava algumas características da caridade cristã:

  • Ser imediata, ou seja, fazer aquilo que as pessoas precisam agora! Se a pessoa tem fome agora, é preciso dar de comer; se a pessoa tem frio, é preciso dar-lhe roupa; se a pessoa precisa que tratem dela porque está doente, é preciso tratá-la.
  • “Ser independente”, porque “a ação caritativa não se deve a uma ideologia”.
  • “Ser gratuita”, não só porque não vai na mira do lucro, mas porque vale por si. Ou seja, já é evangelização.

Deste ponto de vista, somos desafiados a fazer um exame de consciência e a questionarmo-nos: aquilo que fazemos é isto? É uma resposta imediata, independente e gratuita, que vale por si?

Como lido com este sentido de urgência, neste desinstalar-se de mim mesmo para ir ao encontro de quem precisa, hoje, aqui ao lado ou até dentro de minha casa? Como vivo esta independência no olhar e no sentir, na ação concreta que se centra no Outro e que vai para além das minhas crenças sociopolíticas e espirituais? Como caminhar na gratuidade do amor que se partilha e que não busca o próprio interesse nem surge para compensar dimensões internas? Vejo o Outro como um irmão que irrompe na minha existência mesmo na sua vulnerabilidade e prostração?

[Diogo Soares]