superior provincial em angola – crónica/02

Luena, 5 de Março de 2007:

3º aniversário da chegada
dos primeiros missionários dehonianos a Angola.

18.00 horas. Luena, casa episcopal. Cá nos encontramos: nós que viemos de Luanda (padres Tulio Benini, Elio Greselin e eu) e o P. Joaquim Freitas que veio do Luau ao nosso encontro.
Saímos da nossa casa do Km 9 pelas 7 horas da manhã em direcção ao aeroporto. Apesar do muito movimento e das estradas intransitáveis e alagadas, conseguimos chegar cedo a Luanda, graças à perícia do nosso condutor em encontrar caminhos alternativos. Pensávamos demorar três horas e meia, gastámos apenas hora e meia para a tal meia dúzia de quilómetros…
Antes de ir para o aeroporto, o P. Domingos levou-nos a visitar a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, entregue aos cuidados pastorais dos Capuchinhos. A igreja e a casa encontram-se mesmo junto ao conhecido Estádio da Cidadela, onde joga a selecção nacional, onde no domingo passado os bispos celebraram com as mulheres da PROMAICA (grande movimento da Igreja para a promoção da mulher angolana), onde o Pe. Zezinho costuma dar os seus concertos, quando vem a Angola. Parece que este ano virá para a Festa da Juventude, que aqui se celebra na Solenidade de Cristo Rei.
A seguir, visitámos a casa das Franciscanas Missionárias de Maria, mesmo em frente, onde estava a decorrer a missa de início do curso dos inter-noviciados femininos que se realizará nesta casa (o P. Domingos será ilustre professor de Cristologia e de outras disciplinas afins).
Ainda passámos na Paróquia da Sagrada Família, em pleno centro de Luanda, entregue aos Redentoristas, e na Sé Catedral de Luanda, mesmo junto ao Palácio do Presidente da República, não sem antes passar em frente da Assembleia Nacional.
Ao passarmos em frente da casa dos Espiritanos, o P. Domingos e eu matámos saudades da primeira vinda a Angola em Setembro de 2003, para programarmos o início de missão. Nessa altura, ficámos nessa casa, também junto à Sé. Lembro-me da longa e comovente conversa com o Bispo de Luena na casa dos Espiritanos. Éramos quatro mosqueteiros: os padres Madella e Onorio Matti, de Moçambique; o padre Domingos e eu, de Portugal. Foram dias difíceis de contactos, sem grandes apoios, à excepção da preciosa ajuda das irmãs Adelaide e Augusta, a quem estaremos eternamente agradecidos. Só nos últimos dias recebemos a decisão do Arcebispo de Luanda em nos confiar o Km 9 como missão. Depois, no último dia, já sem os irmãos de Moçambique, andámos uma louca correria, com a preciosíssima ajuda da Irmã Adelaide (dominicana), para decidirmos sobre o terreno para a nossa residência (já antes apalavrado) e o encontro com o dono do terreno na sua casa na Baía de Luanda. Tempos de inícios, que dão sentido ao que tanto fizeram os nossos missionários daí para cá, com o apoio de toda a Congregação e de tantos amigos e benfeitores.
Voltando ao dia de hoje, chegámos ao aeroporto doméstico de Luanda pelas 10 horas, para fazer o check-in para Luena. A confusão do costume. O P. Elio bem tentava disciplinar os que se enfiavam à nossa frente, mas sem grande resultado. Não há que imaginar, é preciso experimentar… e ter a tal grande paciência africana, com muita dose de humor. Lá conseguimos ficar despachados duas horas depois. Não faltaram os inúmeros controlos de documentos e bagagens, nada comparado com a simplicidade de voos internacionais (sem ironia!).
O voo da Air Gemini partiu pelas 13.30 horas. Uma viagem de cerca de uma hora e um quarto para percorrer aproximadamente 1000 Km. Paisagem de floresta, com grandes rios e diversos aglomerados populacionais… Viagem agradável e razoável aterragem em Luena. Lá vimos o Joaquim atrás da rede da vedação do aeroporto. Passados minutos, já estava junto de nós, na parte dos passageiros. Passaportes entregues, para conferirem, procura da bagagem, nova ida aos passaportes, mais questionários… e lá saímos contentes e alegres. Tudo isto faz parte do sistema.
Na ida para a casa episcopal, onde ficaremos esta noite, recordei estes espaços e itinerários percorridos frequentemente em Março de 2005, quando demos início à missão do Luau. Estamos a celebrar o segundo aniversário da nossa chegada a Luau.
Hoje, 5 de Março, faz três anos que chegaram os primeiros missionários a Luanda: Padres Joaquim e Domingos. É dia de acção de graças ao Senhor. Três anos de presença em Angola e tanto caminho percorrido com a ajuda de Deus e a disponibilidade feita de enorme dedicação dos nossos cinco missionários que estão actualmente em Angola: padres Madella, Vincenzo, Joaquim, Domingos e Jorge Alves. Daqui a instantes vamos celebrar a Eucaristia na capela desta casa e recordaremos tudo isso em acção de graças ao Senhor.
Amanhã, pelas cinco da manhã, partimos de jipe para o Luau. 350 Km, 9 horas de viagem. Está tempo de trovoada, esperemos conseguir passar nos caminhos difíceis e pontes sobre os rios… para encontrarmos o P. Jorge Alves ao final da tarde, já em Luau.

Um abraço amigo e fraterno.

| Manuel Barbosa, scj – Superior Provincial |