superior provincial em angola – crónica/14

De Luanda para Lisboa, 20 de Março de 2007

Terminou a visita a Angola, chegou o dia das últimas partidas. Pelas 4.30 horas da madrugada, toca a sair para o aeroporto, os padres Tullio Benini, Jorge Alves, Joaquim Freitas e eu. Meia hora depois, já estávamos no aeroporto doméstico. Um pouco mais tarde e essa meia hora necessária para fazer os 9 km de distância transformar-se-ia em várias horas. Despedimo-nos do P. Joaquim, que partiu para Luena juntamente com o mecânico, este mundo do saco das ferramentas. Seguimos depois para o aeroporto internacional 4 de Fevereiro, onde o P. Domingos nos deixou pelas 5.30 horas. Teve que regressar ao Km 9 para chegar a tempo do funeral de um jovem da paróquia, também treinador de uma equipa de futebol, que morreu no hospital, na sequência de uma alergia a um comprimido… Não se sabe se houve feitiçaria pelo meio. O que é certo é que os seis doentes que estavam no mesmo quarto, ligados à máquina dos cuidados intensivos, morreram nessa noite, quase ao mesmo tempo (coincidência estranha!).
Pelas 6.30 horas fizemos o check-in, o P. Jorge lá conseguiu lugar para viajar (a almoçarada no avião já estava garantida, se bem se lembram da crónica de ontem). Depois, foi continuar a prova da paciência na espera. As várias passagens de controlo foram correctas. Entretanto, vimos o avião chegar de Lisboa pelas 8.00 horas. Ainda teríamos duas horas e meia de espera. Mas acabámos por partir apenas pelas 11.45 horas (quase uma hora e meia de atraso). Mais um longo tempo parados dentro do avião. O sistema informático não funcionava e tiveram que verificar “à unha” toda a documentação de bordo. Como havia combustível e comida suficientes, não tivemos mais quaisquer problemas na viagem. Ao aterrarmos pelas 17.30 horas em Lisboa, terminámos as nossas voltas por Angola.
Partilhei estas notas de crónica (não as tomem no sentido literal de crónica!) com a singela intenção de salientar um momento importante da Missão Dehoniana em Angola, com a primeira visita conjunta dos três Superiores Provinciais responsáveis por essa missão. Falta reflectir em tudo o que se passou nestes dias e tirar as conclusões principais, que procurarei partilhar.
Se estas notas motivaram uma maior estima e compreensão pelo trabalho dos nossos missionários, fico satisfeito.
Se estas notas motivaram algum leitor a uma atitude mais disponível para aderir à missão como missionário ou voluntário e a uma partilha de bens com os projectos dos nossos missionários, fico feliz.
Se estas notas vos ajudaram a viver este tempo de Quaresma com um olhar centrado naquilo que é essencial na existência, deixando de lado os supérfluos da vida, e com um coração sempre mais aberto para Deus e solidário com os irmãos, próximos ou distantes, dou graças a Deus. Ámen.

| Manuel Barbosa, scj – Superior Provincial |