superior provincial em angola – crónica/13

Km 9, Viana, 19 de Março de 2007

Solenidade de São José.

Último dia da visita a Angola. De manhã cedo, acompanhei o P. Elio ao aeroporto, conduzido pelo P. Domingos. O P. Jorge veio também tratar da sua viagem para Portugal. Passados os já irritantes percalços da estrada, fruto das chuvas mas, sobretudo, da incúria de quem deve cuidar das vias rodoviárias, mergulhámos no ainda mais irritante e constante engarrafamento.
Entretanto, a Irmã Balbina, que tinha ido mais cedo para verificar o bilhete do P. Elio (nos dias anteriores não estava a funcionar o sistema informático das agências de viagens), telefonou dizendo que o voo era às 9 horas e não às 12 horas, como estávamos a contar. De Moçambique tinham confirmado que o voo era às 12 horas mas, afinal, esse era o horário da chegada a Joanesburgo. Fomos avançando no engarrafamento, sem grande esperança de conseguirmos meter o P. Elio no avião. Ele já estava conformado a ficar mais uns tempos em Angola… A Irmã Balbina conseguiu chegar ao aeroporto (com boleia pedida de urgência a um condutor da Universidade Católica… como vêem, esta também serve para outras coisas!) e negociou para que o check-in ficasse aberto até à nossa chegada. Nos seis telefonemas que fez, ia dizendo que eles não poderiam esperar mais. Graças à Irmã e à compreensão do pessoal de serviço no aeroporto, o P. Elio lá partiu. Entrou a correr no aeroporto, juntamente com a dita Irmã. Nem tivemos tempo para nos despedirmos. O polícia ainda foi atrás deles, mas eles nem pararam. Eram 9.30 horas, o avião deveria partir às 9 horas, o check-in deveria ser às 6 horas… Eu disse ao polícia para compreender a situação, pois o avião já deveria ter partido meia hora antes. “Não há problema, dá tempo”, respondeu-me. Tempo e paciência africanas…
Passámos o resto da manhã a tratar de alguns assuntos em Luanda: confirmar na TAP os voos do P. Tullio e o meu para o dia seguinte; tentar reservar a viagem do P. Jorge no mesmo voo, na condição de ser familiar de um funcionário da companhia aérea (não foi possível, mas ficou reservada a refeição a bordo… se o passageiro não for, a comida já lá canta!); comprar viagem para o mecânico que amanhã vai para Luau, via Luena (é necessário ir um mecânico de Luanda, fazer 1.500 Km, atravessar todo o país, para tentar ver qual a avaria do carro da missão e, depois de uma semana com sorte, virá novamente a Luanda buscar as peças necessárias para voltar a Luau e fazer a reparação… a alternativa é deixar o carro abandonado para sucata); visitar a Universidade Católica nas antigas instalações que são pertença das Irmãs de S. José de Cluny, onde falámos com o P. Cachadinha (encontrámos à saída um padre de Luena que é secretário geral da Universidade, assim como o vice-reitor que é um padre redentorista); abastecemos o carro de combustível; passámos na lindíssima baía de Luanda, cidade que tem sofrido significativas melhorias em limpeza e em novas construções. A meio da tarde, chegámos a casa para, finalmente, mastigarmos qualquer coisa.
Parte da tarde e a noite foram passadas em breves reuniões, para tratar de assuntos pendentes, e em diálogo pessoal com cada um dos confrades (faz parte da tradicional “visita canónica”).
Antes do jantar, reunimo-nos para celebrar a Eucaristia da Solenidade de São José, em acção de graças por estes três anos de missão e por aquilo que o Senhor realizou através dos nossos missionários. Invocámos o Senhor, por intercessão de Maria e de São José, para que continue a abençoar a presença dehoniana em Angola.

| Manuel Barbosa, scj – Superior Provincial |