31º Domingo do Tempo Comum – Ano C [atualizado]

ANO C

31.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 31.º Domingo do Tempo Comum

 

O que é que está por detrás do projeto que Deus tem para os homens e para o mundo? O que é que move Deus no seu agir? As leituras que a liturgia deste dia nos propõe não podiam ser mais claras: por detrás de tudo o que Deus tem feito na história dos homens, está o seu amor: um amor que não exclui ninguém, um amor que não se deixa condicionar por fronteiras de qualquer espécie, um amor que transforma e renova todos aqueles que estiverem disponíveis para o acolher. No final da nossa peregrinação sobre a terra, espera-nos o encontro face a face com o amor de Deus. Agora e depois, sempre o amor de Deus.

Na primeira leitura um sábio judeu de Alexandria olha para a história do seu povo e reflete sobre a “moderação” com que Deus tratou os egípcios, culpados de oprimirem os hebreus radicados no delta do rio Nilo. Ele atribui essa “moderação” ao amor: esse Deus omnipotente, que criou tudo o que existe, ama com amor de Pai cada ser que saiu das suas mãos – mesmo os opressores, mesmo os egípcios – porque todos são seus filhos muito queridos.

No Evangelho, Lucas narra-nos a história de um homem pecador, um chefe de publicanos chamado Zaqueu. Habituado aos insultos e ao desprezo dos seus concidadãos, Zaqueu encontrou Jesus numa rua de Jericó e descobriu n’Ele o rosto do Deus que ama. Esse amor mudou-lhe o coração e a vida. Naquele dia, o Zaqueu mesquinho, egoísta, oportunista, desprezível, desapareceu. Em seu lugar apareceu um Zaqueu generoso, justo, capaz de partilhar os seus bens e de se comover com a sorte dos pobres. Foi um milagre do amor. Só o amor pode fazer milagres como este.

Na segunda leitura o apóstolo Paulo, dirigindo-se aos cristãos de Tessalónica, sublinha o papel de Deus na salvação do homem: é d’Ele que parte o chamamento inicial à salvação, é Ele que acompanha a caminhada diária do homem, é Ele que oferece ao homem, no final do seu caminho na terra, a vida definitiva. Por detrás de tudo isso está, naturalmente, o amor de Deus pelos seus filhos. Paulo convida os tessalonicenses a não se deixarem distrair por futilidades e a esperarem pacientemente o dia em que se irão encontrar face a face com o amor de Deus.

 

LEITURA I – Sabedoria 11,22-12,2

Diante de Vós, Senhor, o mundo inteiro
é como um grão de areia na balança,
como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra.
De todos Vós compadeceis, porque sois omnipotente,
e não olhais para os seus pecados,
para que se arrependam.
Vós amais tudo o que existe
e não odiais nada do que fizestes;
porque, se odiásseis alguma coisa,
não a teríeis criado.
e como poderia subsistir,
se Vós não a quisésseis?
Como poderia durar,
se não a tivésseis chamado à existência?
Mas a todos perdoais,
porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida.
O vosso espírito incorruptível está em todas as coisas.
Por isso castigais brandamente aqueles que caem
e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados,
para que se afastem do mal
e acreditem em Vós, Senhor.

 

CONTEXTO

O “Livro da Sabedoria” é o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento. Pensa-se que terá sido redigido durante o séc. I a.C., em língua grega (por ser escrito em grego, nunca chegou a integrar o cânone judaico). O seu autor terá sido um judeu culto, provavelmente nascido e educado na Diáspora.

O “berço” do livro da Sabedoria poderá ter sido Alexandria (no Egito). A brilhante cultura helénica marcava o ritmo de vida e impunha aos habitantes da cidade os valores dominantes. As outras culturas – nomeadamente a judaica – eram desvalorizadas e hostilizadas. A colónia judaica que vivia em Alexandria tinha sido obrigada a lidar, sobretudo nos reinados de Ptolomeu Alexandre (106-88 a.C.) e de Ptolomeu Dionísio (80-52 a.C.), com duras perseguições. Os sábios helénicos procuravam demonstrar, por um lado, a superioridade da cultura grega e, por outro, a incongruência do judaísmo e da sua proposta de vida… Os judeus eram encorajados a deixar a sua fé, a “modernizar-se” e a abrir-se aos brilhantes valores da cultura helénica.

Foi neste ambiente que o sábio autor do Livro da Sabedoria decidiu defender os valores da fé e da cultura do seu Povo. O seu objetivo era duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), exortava-os a redescobrirem a fé dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pagãos, convidava-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Javé, o verdadeiro e único Deus… Para uns e para outros, o autor pretendia deixar esta ideia fundamental: só Javé garante a verdadeira “sabedoria” e a verdadeira felicidade.

O texto que neste domingo nos é proposto como primeira leitura integra a terceira parte do livro da Sabedoria (Sb 10,1-19,22). Nesses capítulos, recorrendo sobretudo, ao género midrash haggádico (uma técnica de leitura do texto bíblico que “expande” o texto original acrescentando-lhe interpretações, narrativas edificantes, ensinamentos éticos, considerações homiliéticas), o autor vai destacar os personagens e episódios da história da salvação em que foi notória a ação da sabedoria. No cap. 11, em concreto, o autor detém-se a meditar sobre o acontecimento fundamental do Êxodo: a maravilhosa aventura da libertação do Povo de Deus da escravidão no Egito. É claro que a sabedoria de Deus salvou Israel e castigou o Egito; mas, contra todas as expetativas, o castigo aplicado por Deus ao Egito não foi excessivamente duro. Porquê? É a esta questão que o nosso texto se propõe responder.

 

MENSAGEM

As “pragas” com que Deus castigou a arrogância dos egípcios e as injustiças por eles cometidas contra os hebreus poderiam ter sido bem mais terríveis: Javé tinha poder suficiente para tornar bem pior a sorte dos opressores egípcios (cf. Sb 11,15-21). No entanto Deus, na sua infinita sabedoria, não se excedeu, mas regulou “tudo com medida, número e peso” (Sb 11,20b). O “sábio” autor desta reflexão encontra três razões para justificar a moderação e a benevolência de que Deus deu provas.

A primeira tem a ver com a grandeza e a omnipotência de Deus (cf. Sb 11,22). Diante de Deus, “o mundo inteiro é como um grão de areia na balança, como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra”. Deus não se sente ameaçado pela nossa pequenez e fragilidade. Deus tem um olhar compreensivo e benevolente porque é forte. Só os fracos, os que se sentem ameaçados, reagem com toda a força de que dispõem. As falhas do homem, por mais graves que sejam, não põem em causa a soberania de Deus sobre o mundo e sobre a história. Por isso, Deus pode dar-se ao luxo de ser misericordioso.

A segunda tem a ver com aquilo que Deus pretende do homem pecador (cf. Sb 11,23). Javé não está interessado na morte daquele que cometeu uma determinada falha, seja ela qual for; o grande interesse de Deus é fazer com que o homem se converta e viva. Por isso, Deus dispõe-se a “fechar os olhos” diante do pecado do homem, a fim de que o homem tenha a oportunidade de refazer a sua vida. Para além da validade do argumento, notemos que isto é dito a propósito do “crime” de um império pagão e opressor. Trata-se de algo notável: Deus manifesta o seu interesse na “conversão” dos egípcios. É, nada mais nada menos, do que a universalidade da salvação que aqui é sugerida.

A terceira tem a ver com o facto de a essência de Deus ser amor e misericórdia (cf. Sb 11,24-26). Foi Deus que tudo criou, com amor e cuidados de pai. Poderia Deus não amar as suas criaturas, os seus filhos? Ele não despreza nada do que fez, Ele ama tudo aquilo que saiu das suas mãos. Por isso, Ele é indulgente e misericordioso para com todos, até para com os egípcios. Temos aqui outra vez a nota da universalidade.

O “sábio” autor deste texto desvenda-nos, desta forma, o projeto salvador de Deus para o mundo e para os homens. Segundo ele, Deus ama todos os seus filhos e está interessado em salvá-los. Quando os vê percorrer caminhos errados, envia-lhes “avisos” pedagógicos, convidando-os a reconhecer o sem sentido do caminho que estão a percorrer e a corrigir o rumo das suas vidas (“castigais brandamente aqueles que caem e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados, para que se afastem do mal e acreditem em Vós” – Sb 12,2). O objetivo de Deus nunca é destruir os seus filhos, mas sim conduzi-los em direção à verdadeira felicidade. Mais: o desígnio salvador de Deus não está limitado por fronteiras ou barreiras de qualquer espécie; mas dirige-se a todos os homens e mulheres, sem exceção.

 

INTERPELAÇÕES

  • A catequese de Israel ensina que, desde o início, a humanidade criada por Deus escolheu ignorar as indicações do Criador e percorrer caminhos de orgulho, de autossuficiência, de egoísmo, de violência, de pecado. Como é que Deus encara isso? Não se cansará das nossas repetidas infidelidades? Não se arrependerá de nos ter criado? Não se sentirá tentado a destruir uma humanidade que insiste em inventar a cada passo esquemas de injustiça, de exploração, de maldade, de morte? Deus alguma vez terá pensado que o seu projeto criador foi um projeto falhado? No séc. I a.C., um “sábio” judeu de Alexandria responde a estas questões, dizendo: “não, Deus nunca desistiu de nós, pois o seu amor é infinitamente mais forte do que o nosso pecado; Ele é um pai bom que ama infinitamente os filhos que chamou à vida; o que Lhe interessa não é destruir o pecador, mas sim conduzi-lo ao encontro de uma vida nova”. O que pensamos disto? É também esta a ideia que fazemos de Deus? O Deus que testemunhamos é o Deus do amor, ou o deus dos castigos e das vinganças?
  • A experiência de sermos profundamente amados por Deus é uma experiência deslumbrante e transformadora. Não nos deixa indiferentes; liberta-nos do nosso egoísmo, do nosso fechamento, da nossa autossuficiência. Ensina-nos olhar os nossos irmãos com o mesmo olhar de amor com que Deus nos olha; inspira-nos a aproximarmo-nos dos nossos irmãos com a mesma bondade que Deus manifesta por nós; mostra-nos o “lado bom”, o lado “amável” que existe em cada homem ou em cada mulher. “Empapados” pelo amor de Deus, tornamo-nos testemunhas desse amor no mundo. É esta a nossa experiência? O amor de Deus tem sido a “escola” onde aprendemos a amar os irmãos e as irmãs que caminham ao nosso lado?
  • Muitas vezes, percebemos certos males que nos incomodam como “castigos” de Deus pelo nosso mau proceder. A própria Bíblia, em numerosas passagens, fala de “castigos” com que Deus “ataca” o homem pecador. No entanto, o texto que a liturgia nos propõe neste domingo como primeira leitura afirma que Deus não está interessado em castigar o pecador, mas sim em conduzi-lo a uma vida nova, a uma vida mais verdadeira e feliz. Talvez Deus nos deixe simplesmente, em certas ocasiões, “provar o nosso próprio veneno” e experimentar o resultado das nossas opções erradas. Se isso acontecer, não é por vingança ou vontade de castigar; mas é para nos mostrar onde nos podem conduzir os caminhos errados que, à revelia d’Ele, teimamos em percorrer. Temos consciência disso?

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144(145)

Refrão:

Louvarei para sempre o vosso nome,
Senhor meu Deus e meu Rei.

Quero exaltar-Vos meu Deus e meu Rei
e bendizer o vosso nome para sempre.
Quero bendizer-vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

Graças Vos deem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso Reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

O Senhor é fiel à sua palavra
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor ampara os que vacilam
e levanta todos os oprimidos.

 

LEITURA II – 2 Tessalonicenses 1,11-2,2

Irmãos:
Oramos continuamente por vós,
para que Deus vos considere dignos do seu chamamento
e, pelo seu poder,
se realizem todos os vossos bons propósitos
e se confirme o trabalho da vossa fé.
Assim o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo
será glorificado em vós, e vós n’Ele,
segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.
Nós vos pedimos, irmãos,
a propósito da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo
e do nosso encontro com Ele:
Não vos deixeis abalar facilmente nem alarmar
por qualquer manifestação profética,
por palavras ou por cartas,
que se digam vir de nós,
pretendendo que o dia do Senhor está iminente.

 

CONTEXTO

No século I da nossa era, Tessalónica era a cidade mais importante da Macedónia. Porto marítimo e cidade de intenso comércio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterrâneo.

A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária, muito provavelmente no Inverno do ano 49 ou 50. Paulo chegou a Tessalónica acompanhado por Silvano e Timóteo, depois de ter sido forçado a deixar a cidade de Filipos. O tempo de evangelização foi curto, talvez uns três meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade cristã numerosa e entusiasta, constituída maioritariamente por pagãos convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela reação da colónia judaica. Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns cristãos diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade à pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At 17,10-15).

Entretanto, Paulo tinha a consciência de que a formação doutrinal da comunidade cristã de Tessalónica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada há pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de perseguição e de provação (cf. 1 Ts 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Timóteo a Tessalónica, a fim de saber notícias e encorajar os tessalonicenses na fé (cf. 1 Ts 3,2-5). Quando Timóteo voltou para apresentar o seu relatório, encontrou Paulo em Corinto. Confortado pelas informações dadas por Timóteo, o apóstolo decidiu escrever aos cristãos de Tessalónica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou também para esclarecer algumas dúvidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses – nomeadamente sobre a segunda vinda do Senhor e o destino dos que morrem (cf. 1 Ts 4,13-5,11) – e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade. A Primeira Carta aos Tessalonicenses é, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Verão do ano 50 ou 51.

Uns meses depois dessa primeira Carta à comunidade cristã de Tessalónica, Paulo escreveu uma outra. O objetivo seria corrigir algumas interpretações erradas que a primeira Carta tinha suscitado.

 

MENSAGEM

O texto que a liturgia deste domingo nos propõe como primeira leitura, tem duas partes bem distintas.

Na primeira parte, Paulo revela aos seus queridos filhos da comunidade cristã de Tessalónica que tem rezado continuamente por eles, para que Deus os torne dignos da vocação a que foram chamados e para que os bons propósitos que os animam se concretizem (cf. 2 Ts 1,11-12). Por detrás da oração de Paulo está a sua profunda convicção de que a salvação do homem está nas mãos de Deus. Para que o homem se salve, não basta a sua boa vontade e a sua boa intenção. É necessário também que Deus acompanhe os esforços do crente e lhe dê a força de percorrer até ao fim o caminho do Evangelho. Na verdade, tudo é dom de Deus: é Ele que chama, que anima e que leva o homem para a meta. Por isso, Paulo reza a Deus pela salvação dos tessalonicenses.

Na segunda parte, Paulo retoma um tema que já tinha abordado na primeira carta, mas que, pelos vistos, não tinha sido bem entendida: a “vinda do Senhor” (cf. 2 Ts 2,1-2). Provavelmente, o que Paulo havia dito sobre a questão na sua primeira Carta, tinha provocado alguma especulação. Na sequência, alguns fanáticos e fantasistas, invocando visões ou até mesmo cartas pretensamente escritas por Paulo, anunciavam a iminência do fim do mundo. Isto estava a provocar perturbações na comunidade, pois muitos – alvoroçados pela proximidade da segunda vinda de Jesus – demitiam-se das suas responsabilidades e esperavam ociosamente o acontecimento. Paulo convida os cristãos de Tessalónica a manterem a presença de espírito e a não se deixarem enganar. O esclarecimento de Paulo sobre esta questão não se encerra nestes dois versículos (na verdade, irá prolongar-se pelo resto da Carta). Mas, fundamentalmente, Paul pretende que os tessalonicenses vivam o dia a dia ao ritmo do Evangelho, cumprindo a missão que Deus lhes confiou (cf. 2 Ts 3,6-15), sem se preocuparem com as notícias fantasiosas e as especulações de alguns fanáticos que apenas pretendem causar sensação.

 

INTERPELAÇÕES

  • Os cristãos de Tessalónica são gente boa, animada de boa vontade e das melhores das intenções. Talvez como nós. Mas o apóstolo Paulo sabe que os bons propósitos do homem nem sempre se aguentam. Há demasiadas coisas, ao longo do caminho, que distraem, que atraem, que seduzem e que fazem perder o rumo. Nós também já experimentamos isto, não é verdade? Por isso, Paulo pede a Deus que fortaleça a fé e o compromisso dos tessalonicenses, a fim de que eles não falhem o alvo e se fiquem por caminhos que não levam a lado nenhum. Faz sentido. Sem a ajuda de Deus, dificilmente conseguiremos alcançar a meta sonhada; sem a ajuda de Deus facilmente podemos gastar a vida a correr atrás de valores fúteis e efémeros, que não proporcionam vida em abundância. Estamos conscientes disto? Lembramo-nos de pedir a Deus que fortaleça os nossos bons propósitos e que nunca cesse de nos apontar o caminho que conduz à vida verdadeira?
  • Paulo também pede aos cristãos de Tessalónica que não deem ouvidos a notícias fantasiosas sobre o fim do mundo, espalhadas por fanáticos com ânsia de protagonismo. Alguém poderá pensar que nós, homens e mulheres do séc. XXI, somos mais esclarecidos do que os tessalonicenses do séc. I e que nunca nos deixaremos enganar por discursos desse tipo. No entanto, as redes sociais (e, por vezes, até certos discursos pretensamente “religiosos”) propõem-nos teorias mirabolantes sobre o fim do mundo, as “desgraças” que Deus prepara para fulminar a humanidade pecadora, ou as “conspirações” tenebrosas das “forças do mal” contra Deus. Convém que mantenhamos, frente a estas fantasias, uma atitude crítica, que separe o trigo do joio e que nos ajude a caminhar serenamente no caminho que Deus nos aponta. O contacto frequente com a Palavra de Deus poderá iluminar-nos e ajudar-nos a distinguir aquilo que vem de Deus e aquilo que vem da fantasia de mentes perturbadas. Como nos situamos diante de tudo isto? Que impacto têm na nossa vida e no nosso equilíbrio certas “teorias da conspiração” ou certas notícias fantasiosas destinadas a criar medo e inquietação?

 

ALELUIA – João 3,16

Aleluia. Aleluia.

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho unigénito;
quem acredita nele tem a vida eterna.

 

EVANGELHO – Lucas 19,1-10

Naquele tempo,
Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade.
Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu,
que era chefe de publicanos.
Procurava ver quem era Jesus,
mas, devido à multidão, não podia vê-l’O,
porque era de pequena estatura.
Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro,
para ver Jesus,
que havia de passar por ali.
Quando Jesus chegou ao local,
olhou para cima e disse-lhe:
«Zaqueu, desce depressa,
que Eu hoje devo ficar em tua casa».
Ele desceu rapidamente
e recebeu Jesus com alegria.
Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo:
«Foi hospedar-Se em cada dum pecador».
Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo:
«Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens
e, se causei qualquer prejuízo a alguém,
restituirei quatro vezes mais».
Disse-lhe Jesus:
«Hoje entrou a salvação nesta casa,
porque Zaqueu também é filho de Abraão.
Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar
o que estava perdido».

 

CONTEXTO

Jesus, acompanhado pelos discípulos, dirige-se para Jerusalém. No caminho, passa por Jericó, um oásis situado no vale do rio Jordão, nas margens do mar Morto, a cerca de 34 quilómetros de Jerusalém. Era ponto de passagem para os peregrinos que, vindos da Galileia e da Pereia, se dirigiam a Jerusalém para celebrar as grandes festividades do culto judaico. Situada a cerca de 270 metros abaixo do nível do mar, é também a cidade mais baixa do planeta.

Os arqueólogos consideram Jericó a cidade mais antiga do mundo ainda existente, habitada há onze mil anos. No séc. XIII a.C. os hebreus, vindos do Egito, chefiados por Josué, atravessaram o rio Jordão e acamparam nas planícies de Jericó; logo a seguir, conquistaram a cidade (cf. Js 6). No séc. I a.C., o rei Herodes dotou a cidade de importantes construções, incluindo um aqueduto, um hipódromo, diversos palácios e jardins. Construiu também aí o seu palácio de inverno, onde aliás veio a falecer (ano 4 a.C.).

No tempo de Jesus, Jericó era uma cidade próspera, sobretudo devido à importante produção de bálsamo. A aristocracia de Jerusalém tinha em Jericó as suas residências de Inverno. Situada na encruzilhada de importantes vias de comunicação, Jericó era um lugar de oportunidades, que devia proporcionar negócios significativos.

Numa das ruas de Jericó, Jesus cruza-se com um homem chamado Zaqueu, que era “chefe de publicanos”. Os romanos entregavam a cobrança dos impostos a agentes privados. A esses agentes (os “publicanus”) as autoridades exigiam a entrega de uma soma fixa anual, determinada a partir da estimativa das rendas. Aquilo que os publicanos conseguissem faturar além da quantia estabelecida, revertia em se próprio benefício. Este sistema favorecia os abusos destes funcionários, que procuravam faturar o mais possível. Por isso, eram vistos pelo povo como ladrões e exploradores dos seus concidadãos. Os círculos rabínicos sustentavam que os publicanos estavam permanentemente afetados de impureza e não podiam sequer fazer penitência, pois eram incapazes de conhecer todos aqueles a quem tinham defraudado e a quem deviam uma reparação. Os fariseus não os aceitavam nas suas fileiras. Quem exercia ofício de cobrador de impostos, estava privado de diversos direitos cívicos, políticos e religiosos; não podia ser juiz nem prestar testemunho em tribunal, sendo equiparado ao escravo.

A história do encontro entre Jesus e o publicano Zaqueu é exclusiva de Lucas.

 

MENSAGEM

Zaqueu é apresentado na narrativa de Lucas como “um homem rico”, que “era chefe de publicanos” e que “era de pequena estatura” (vers. 2-3). A indicação de que Zaqueu era “chefe de publicanos” poderá significar que ele tinha outros publicanos a trabalhar às suas ordens; mas também poderá significar, apenas, que Zaqueu era muito rico. Em qualquer caso, era considerado, pelas gentes de Jericó, um funcionário do império romano, que trabalhava contra o seu próprio povo e que explorava os pobres. A referência à sua “pequena estatura” – mais do que uma indicação de carácter físico – pode significar a sua pequenez e insignificância, do ponto de vista moral. “Publicano”, “rico” e de moral duvidosa: Zaqueu parecia ter tudo contra ele.

No entanto, Zaqueu “procurava ver Jesus”. A expressão aqui usada por Lucas sugere mais do que simples curiosidade: indica um desejo intenso, uma vontade firme de encontro com algo novo, uma ânsia de descobrir o “Reino de Deus”, um desejo de fazer parte dessa comunidade de salvação que Jesus anunciava. No entanto, àquele “pecador” de pequena estatura, Jesus devia parecer distante e inacessível, rodeado desses “puros” e “santos” que desprezavam os marginais como Zaqueu. Por isso Zaqueu não estabeleceu contacto direto com Jesus; mas adiantou-se ao séquito, procurou um sicómoro, trepou pela árvore acima, instalou-se nos seus ramos e ficou à espera que Jesus passasse por ali (vers. 4). O gesto de “subir a um sicómoro indica a intensidade do desejo que Zaqueu sente de “ver” Jesus, desejo que é mais forte do que o medo do ridículo ou o receio das zombarias da multidão.

Como é que Jesus vai lidar com este excluído, que sente um desejo intenso de conhecer a salvação que Deus oferece e que espreita Jesus por entre os ramos de um sicómoro? Jesus toma a iniciativa: dirige o seu olhar para aquele publicano que toda a cidade detesta, chama-o pelo nome e declara-lhe que quer estabelecer com Ele laços de familiaridade (“quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa»” – vers. 5). É um quadro improvável e escandaloso: Jesus, rodeado por uma multidão de “gente bem”, deixa aquele “clube de justos” especado no meio da rua, estabelece contacto com um “maldito” e diz-lhe que “tem a obrigação” de entrar “hoje” na casa onde ele habita com a sua família. É a exemplificação prática do “deixar as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que estava perdida”. A “obrigação” que Jesus sente de entrar “hoje” em casa de Zaqueu resulta de um mandato de Deus, que pretende que Zaqueu conheça, com urgência, a salvação. No gesto de Jesus torna-se patente a fragilidade do coração de Deus que, diante de um pecador que busca a salvação, deixa tudo para ir ao seu encontro e para o abraçar com a sua misericórdia. Por sua vez Zaqueu, que apenas queria “ver” Jesus, recebe muito mais do que esperava. Com o coração em alvoroço, desceu da árvore a toda a pressa e foi a correr para casa para acolher Jesus (vers. 6).

Como é que a multidão que rodeia Jesus reage a isto? Manifestando, naturalmente, a sua desaprovação à atitude incompreensível daquele rabi galileu que não tinha o sentido das conveniências (“ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: ‘foi hospedar-se em casa de um pecador’” – vers. 7). Eles não compreendem que Jesus tenha contacto com aquele pecador e que se sente à mesa com ele: comer com alguém, no cenário cultural e social judaico, supunha tornar-se cúmplice das ações dessa pessoa. Como podia Jesus caucionar o comportamento daquele chefe de publicanos? Aqueles “justos” de Jericó viviam entrincheirados atrás das suas certezas e seguranças; convencidos de que a lógica de Deus é uma lógica de castigo, de marginalização, de exclusão dos pecadores, há muito que tinham julgado e condenado Zaqueu. Jesus, no entanto, está decidido a mostrar-lhes que a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens e que a oferta de salvação que Deus faz não exclui nem marginaliza ninguém.

Como é que tudo termina? Termina com um banquete (onde está Zaqueu, o chefe dos publicanos de Jericó) que simboliza o “banquete do Reino”. Ao aceitar sentar-Se à mesa com Zaqueu, Jesus mostra que os pecadores têm lugar no “banquete do Reino”; garante a esses mesmos pecadores que Deus os ama, que aceita sentar-Se à mesa com eles, que quer integrá-los na sua família e estabelecer com eles laços de comunhão e de amor. Jesus mostra, dessa forma, que Deus não exclui nem marginaliza nenhum dos seus filhos – mesmo os pecadores – mas a todos oferece a salvação.

E como é que Zaqueu reage a essa oferta de salvação que Deus lhe faz? Acolhendo o dom de Deus e convertendo-se ao amor (vers. 8). A repartição dos bens pelos pobres e a restituição de tudo o que foi roubado em quádruplo, vai muito além daquilo que a lei judaica exigia (cf. Ex 22,3.6; Lv 5,21-24; Nm 5,6-7) e é sinal da transformação do coração de Zaqueu. Repare-se, no entanto, que Zaqueu só se resolveu a ser generoso após o encontro com Jesus e após ter feito a experiência do amor de Deus. O amor de Deus não se derramou sobre Zaqueu depois de ele ter mudado de vida; mas foi o amor de Deus – que Zaqueu experimentou quando ainda era pecador – que provocou a conversão e que converteu o egoísmo em generosidade. Prova-se, assim, que só a lógica do amor pode transformar o mundo e os corações dos homens.

 

INTERPELAÇÕES

  • Que sabemos de Deus? Como é Ele? Como é que Ele olha para nós? Sendo nós, naturalmente, frágeis e pecadores, como é que Deus nos vê? Ele condena-nos quando, na nossa “pequenez”, fazemos opções erradas? Ele rejeita-nos quando, na nossa insensatez, lhe viramos as costas e escolhemos caminhos que não levam a lado nenhum? Na história do publicano Zaqueu, “chefe de publicanos” na cidade de Jericó, encontramos a resposta de Jesus a estas questões. Ao deter-se na rua e ao dirigir o olhar para aquele homem “pequeno” que se esconde no meio dos ramos de um sicómoro, ao dizer-lhe que “precisa” de entrar na sua casa e ficar com ele, Jesus está a anunciar a Jericó e ao mundo um Deus que é amor. O Deus de Jesus – o Deus cujo rosto e cujo coração Jesus nos veio desvelar – é um Deus que ama todos os seus filhos sem exceção e que nem sequer exclui do seu amor os marginalizados, os “impuros”, os pecadores públicos, os “malditos”. Todos, todos, todos têm lugar à mesa de Deus. Além disso, o amor de Deus não é condicional: Ele ama, apesar do pecado; e é precisamente esse amor nunca desmentido que, uma vez experimentado pelos pobres “zaqueus” que somos nós, provoca a conversão e o regresso do filho pecador. Temos estas verdades sempre bem presentes no horizonte da nossa vida? É esse Deus de amor que nós testemunhamos no meio dos nossos irmãos, particularmente junto daqueles que se sentem culpados e desanimados pelas suas fragilidades?
  • Aquele encontro com Jesus numa rua da cidade de Jericó muda completamente a vida e os horizontes do publicano Zaqueu: aquilo que até então o fazia correr, já não lhe interessa mais; aquilo que até ali não lhe interessava minimamente, passa a ser decisivo nas contas da sua vida. Aquele homem “pequeno” que desceu do sicómoro e recebeu Jesus em sua casa, de repente cresceu, começou a ver a vida e as pessoas de outro ângulo. Com Jesus, Zaqueu aprendeu a olhar os outros com amor. O encontro com Jesus transforma-nos, faz-nos crescer, dá-nos uma outra perspetiva do mundo e das coisas, mostra-nos o sem sentido do nosso egoísmo e da nossa ambição, ensina-nos a generosidade, a solidariedade, a partilha, a bondade, a misericórdia. Se isso não acontecer, é porque não chegamos a encontrar-nos verdadeiramente com Jesus… Que efeitos produzem os nossos numerosos encontros com Jesus? Todos os domingos nos sentamos com Jesus à mesa da Eucaristia: isso transforma a nossa vida, o nosso olhar sobre o mundo e sobre os irmãos que se cruzam connosco? Depois de estarmos com Jesus tornamo-nos mais generosos, mais fraternos, mais solidários, mais atentos aos que caminham ao nosso lado?
  • Zaqueu esteve quase a perder a oportunidade de “ver” Jesus. À volta de Jesus os “grandes”, os “puros”, os “bons”, os “santos”, os “dignos”, formavam uma barreira “protetora”, uma barreira que impedia os “pequenos”, os condenados pela sociedade e pelas igrejas, os “desprezíveis”, os “malditos”, de conspurcarem a santidade de Jesus com a sua indignidade. Esses “grandes”, esses “puros”, tinham boa intenção: queriam evitar que Jesus fosse confrontado com uma situação constrangedora. Ainda não sabiam (ou recusavam-se a saber) algo decisivo: que Jesus “veio procurar e salvar o que estava perdido”. Aí está uma coisa que deve ficar bem clara para todos nós: Jesus não fica incomodado diante do pecador, do condenado, do “maldito”; Ele fica feliz quando pode olhar nos olhos “aquele que estava perdido” e dizer-lhe que Deus o ama profundamente, com um amor sem limites. Alguma vez fomos uma barreira para que os “pequenos”, os desprezados, os amaldiçoados, os muitos “zaqueus” deste mundo, se aproximassem de Jesus e fizessem a experiência do amor de Deus? Como acolhemos os irmãos “diferentes”, os que têm comportamentos que consideramos inaceitáveis, os indesejáveis e incómodos, os que a sociedade e a religião condenam e repudiam?
  • A atitude de Jesus para com o pecador Zaqueu proclama bem alto o imenso amor de Deus por todos os seus filhos, mesmo por aqueles que escolheram caminhos errados e se colocaram a si próprios em situações sem saída. Isto não significa, contudo, o branqueamento do pecado. O egoísmo, a injustiça, a opressão, a mentira, a ambição desmedida, geram inevitavelmente sofrimento e morte. Não cabem no projeto que Deus tem para os seus filhos. Devem ser combatidos e vencidos. Deus distingue claramente entre o pecador e o pecado. Ao pecador, Deus ama-o sempre; ao pecado, Deus abomina-o sempre. Contudo nós, seres humanos, nem sempre conseguimos distinguir claramente os dois campos: misturamos pecado e pecador, embrulhamos tudo no mesmo papel e atiramos tudo para a mesma fogueira. Seremos capazes de aprender com Deus a distinguir entre a pessoa e os seus atos? Seremos capazes de lutar contra a maldade sem sentir a tentação de eliminar a pessoa frágil que, por qualquer razão, fez uma escolha errada e cometeu um ato que consideramos mau?

 

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 31.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.

Ao longo dos dias da semana anterior ao 31.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. PALAVRA CELEBRADA NA EUCARISTIA.

A Palavra de Deus não se limita ao tempo da proclamação e da escuta da Palavra. Na preparação da celebração, procurar que algumas expressões da liturgia da Palavra estejam presentes no momento penitencial, nalguma intenção da oração dos fiéis, num momento de ação de graças…

3. BILHETE DE EVANGELHO.

É verdade que Zaqueu tinha subido a um sicómoro, mas é Jesus que ergue os olhos e interpela o publicano de Jericó: “Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa”. A iniciativa de Jesus provoca em Zaqueu toda uma mudança, pois ele nunca teria ousado convidar Jesus de quem ouvira falar. Sente-se reconhecido não como “cobrador de impostos” e ladrão, mas como alguém que pode manifestar o homem que é verdadeiramente capaz de ser: generoso para com os pobres, reparador das faltas que tenha podido ocasionar. Na casa de Zaqueu, Jesus faz-nos ver o que veio fazer ao vir ao encontro da humanidade: ajuda-o a encontrar o seu próprio rosto… Sim, Ele veio “procurar e salvar o que estava perdido”, para restabelecer a imagem de Deus no rosto do homem que o pecado tinha afundado.

4. À ESCUTA DA PALAVRA.

A história de Zaqueu é uma história de olhares… Há o olhar de Zaqueu, que procurava ver quem era Jesus; correu e subiu a um sicómoro para ver Jesus que devia passar por aí. Há o olhar de Jesus que, ao chegar a esse lugar, ergueu os olhos… Há, enfim, o olhar da multidão, que, ao ver tudo isso, recriminava Jesus por ir a casa de um pecador. Três olhares, tão diferentes uns dos outros! Bem o sabemos: o olhar é uma linguagem para lá das palavras. Os nossos olhares falam muito mais do que tantos discursos. As nossas palavras podem mentir, os nossos olhares não. EM primeiro lugar, reparemos no olhar da multidão. Jesus tinha curado um mendigo cego; ao ver isso, a multidão celebrou os louvores de Deus. Ao ver o maravilhoso, a multidão maravilhou-se. E depois, tudo muda de repente. Após a atitude de Jesus para com Zaqueu, a multidão olha Jesus com hostilidade. Versatilidade das multidões, sem dúvida. Mas também versatilidade dos nossos próprios olhares. Basta uma coisita de nada para que o meu olhar sobre aquele que estimava mude, quando percebo que ele não era “bem” aquilo que eu pensava! Em segundo lugar, reparemos no olhar de Zaqueu. Mais do que um olhar de simples curiosidade, é um olhar de desejo. Ele tinha ouvido dizer que este Jesus não falava como os escribas e os fariseus. Além disso, Ele fazia milagres. Não viria Ele da parte de Deus? Então, ele quer ver este rabino que não é como os outros. Mas a sua procura continua tímida. Não ousa avançar demasiado. E eu? Qual é o meu desejo de ver Jesus, de O conhecer? Não sou demasiado tímido quando se trata da minha ligação com Jesus e da minha fé? Finalmente, há o olhar de Jesus, que ergueu os olhos para Zaqueu. Que viu Ele? Um pecador à margem da Lei, banido por todos? Não, Jesus viu um homem rejeitado por todos, um homem habitado por um desejo, talvez não muito explícito, de ser acolhido por Ele próprio. Viu um homem que não tinha ainda compreendido que Deus o amava, apesar dos seus pecados, que Deus o olhava unicamente à luz do seu amor primeiro e gratuito. Então, Jesus colocou no seu olhar sobre Zaqueu todo este amor que transformou o publicano. E que o salvou!

5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.

Pode-se escolher a oração eucarística nº 4, que reúne em si toda a alegre plenitude deste dia.

6. PALAVRA PARA O CAMINHO DA VIDA…

Levar a Palavra de Deus como luz para mais uma semana de trabalho, de estudo… Ao longo dos dias da semana que se segue, procurar rezar e meditar algumas frases da Palavra de Deus: “Cantai ao Senhor um cântico novo”…; “A Palavra de Deus não está encadeada”…; “Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos”…; “Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou”… Procurar transformá-las em atitudes e em gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida…

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA

Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
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