ANO C
32.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 32.º Domingo do Tempo Comum
Para onde caminhamos? O que nos espera no final do nosso caminho na terra? A liturgia deste domingo convida-nos a dirigir o nosso olhar para as realidades últimas. Diz-nos que, no final de tudo, o Deus da vida e do amor estará à nossa espera para nos oferecer uma vida definitiva, uma vida verdadeira e plena. Será essa a fascinante conclusão dessa história de salvação que Deus insiste em escrever connosco.
A primeira leitura traz-nos o exemplo heroico de uma família judaica que enfrentou a tortura e a morte, mas manteve a fidelidade à sua fé e aos valores dos seus antepassados. O que é que motivou aquela mãe e os seus sete filhos, presos e torturados por ordem do rei selêucida Antíoco IV Epífanes? Precisamente a certeza da ressurreição: “o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis” – confessava um dos jovens àqueles que se preparavam para lhe tirar a vida.
No Evangelho Jesus, diante de um grupo de saduceus que pretende pôr a ridículo a fé na ressurreição, garante que a morte nunca terá a última palavra no destino dos homens. O Deus de Jesus e nosso é o Deus da vida. Ele preparou para os seus queridos filhos uma vida surpreendentemente nova, diferente de tudo o que conhecemos na terra, uma vida onde as nossas aspirações e anseios serão plenamente realizados. É essa a meta final da nossa caminhada.
A segunda leitura deixa algumas indicações a todos aqueles que caminham pela vida esperando a segunda vinda do Senhor. Lembra-lhes que não estão sozinhos: Deus acompanha-os, conforta-os ao longo do caminho e ajuda-os a permanecerem firmes “em toda a espécie de boas obras e palavras”. Convida-os, ainda, a manterem um diálogo frequente com Deus: a oração aproxima-os de Deus e torna-os mais solidários com os irmãos.
LEITURA I – 2 Macabeus 7,1-2.9-14
Naqueles dias,
foram presos sete irmãos, juntamente com a mãe,
e o rei da Síria quis obrigá-los,
à força de golpes de azorrague e de nervos de boi,
a comer carne de porco proibida pela Lei judaica.
Um deles tomou a palavra em nome de todos
e falou assim ao rei:
«Que pretendes perguntar e saber de nós?
Estamos prontos para morrer,
antes que violar a lei de nossos pais».
Prestes a soltar o último suspiro,
o segundo irmão disse:
«Tu, malvado, pretendes arrancar-nos a vida presente,
mas o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna,
se morrermos fiéis às suas leis».
Depois deste começaram a torturar o terceiro.
Intimado a pôr fora a língua,
apresentou-a sem demora
e estendeu as mãos resolutamente,
dizendo com nobre coragem:
«Do Céu recebi estes membros
e é por causa das suas leis que os desprezo,
pois do Céu espero recebê-los de novo».
O próprio rei e quantos o acompanhavam
estavam admirados com a força de ânimo do jovem,
que não fazia nenhum caso das torturas.
Depois de executado este último,
sujeitaram o quarto ao mesmo suplício.
Quando estava para morrer, falou assim:
«Vale a pena morrermos às mãos dos homens,
quando temos a esperança em Deus
de que Ele nos ressuscitará;
mas tu, ó rei, não ressuscitarás para a vida».
CONTEXTO
Em 323 a.C. quando Alexandre da Macedónia morreu, os seus generais (os “diadocos”) disputaram entre eles a sucessão na liderança do império. A Palestina tornou-se pomo de discórdia entre a família dos Ptolomeus – que assumiram o controle do Egito – e a família dos Selêucidas (assim chamados por causa de Seleuco Nicanor, um dos generais de Alexandre), que controlava a Síria e a Mesopotâmia. Num primeiro momento, os Ptolomeus levaram vantagem e asseguraram o controle da Palestina por quase um século. Mas no ano 200 a.C., depois da batalha das “fontes do Jordão”, a Palestina passou para as mãos dos Selêucidas. Esse facto mudou a fisionomia política do Médio Oriente e o horizonte do Povo de Deus.
Os Ptolomeus tinham tido uma atitude relativamente tolerante para com o judaísmo e tinham respeitado, no geral, as tradições e a fé dos israelitas; mas, sob a autoridade dos Selêucidas, sobreveio uma fase em que a cultura helénica se tornou mais agressiva, ameaçando pôr em causa a sobrevivência do judaísmo. Foi, sobretudo, no reinado de Antíoco IV Epífanes (175-164 a.C.) que o helenismo foi imposto – inclusive pela força – ao Povo de Deus. Muitos judeus – apostados em manter vivas as suas tradições – foram perseguidos e mortos.
Os livros dos Macabeus situam-nos nesse cenário. É a época em que a família de um tal Matatias coordena a resistência contra os selêucidas e a sua pretensão de impor ao Povo de Deus a cultura e os valores helénicos. O apelido “Macabeus” (do hebraico “maqqebet” – “martelo”) vem de Judas, um dos filhos de Matatias, mas acabou por designar toda essa família de resistentes que se oponham aos selêucidas. A luta dos “Macabeus” acabou por ser coroada de êxito: resultou na independência da Judeia e na restauração do Templo de Jerusalém.
O texto que nos é proposto neste domingo como primeira leitura coloca-nos neste cenário de perseguição e de resistência contra as pretensões dos selêucidas. Conta-nos o martírio de uma mãe e dos seus sete filhos, que se recusaram a violar a fé e as tradições judaicas. Trata-se, provavelmente, de uma tradição popular (embora com um substrato histórico), transmitida oralmente durante algum tempo, antes de ser integrada no segundo livro dos Macabeus. O autor não dá qualquer indicação acerca do lugar do martírio, nem do nome dos sete irmãos.
MENSAGEM
A história da prisão, da tortura e do assassínio de uma mulher judia e dos seus sete filhos é uma história de resistência e de martírio, que de alguma forma exemplifica o sofrimento que o Povo fiel de Deus enfrentou na época do cruel Antíoco IV Epífanes.
Portanto, uma mulher e os seus sete filhos foram presos por ordem das autoridades selêucidas. Recorrendo à tortura, os algozes pretendiam obrigá-los a abandonar a fé dos antepassados e a comer carne de porco, proibida pela Lei judaica, por ser carne de um animal “impuro”. Depois da breve apresentação inicial da questão (vers. 1), o redator da história põe-nos a ouvir a resposta de alguns desses irmãos às exigências dos perseguidores. Nessas respostas, os jovens manifestam-se mais preocupados com a fidelidade aos valores judaicos e à fé dos pais do que com as ameaças do rei: “estamos prontos para morrer, antes que violar a lei de nossos pais” – diz um (vers. 2); “tu, malvado, pretendes arrancar-nos a vida presente, mas o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis” – diz outro (vers. 9); “do Céu recebi estes membros e é por causa das suas leis que os desprezo, pois do Céu espero recebê-los de novo” – diz o terceiro irmão (vers. 11); “vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará; mas tu, ó rei, não ressuscitarás para a vida” – diz o quarto jovem (vers. 14). Todos os sete irmãos responderam de modo semelhante; todos os sete jovens, sem cederem às exigências das autoridades selêucidas, foram mortos por causa da sua fé. No final foi martirizada também aquela mãe heroica que, apesar do sofrimento que sentia ao ver os filhos torturados e assassinados, nunca cessou de os exortar a perseverar na fé.
O que é que “faz correr” estes jovens? O que é que lhes dá a coragem para enfrentar sem medo as exigências dos seus algozes? De acordo com as explicações que o autor coloca na boca de cada um deles, é a fé na ressurreição que os motiva. Os sete irmãos tiveram a coragem de defender a sua fé até à morte porque acreditavam que, se se mantivessem fiéis, Deus lhes devolveria outra vez a vida, uma vida que daria continuidade àquela que lhes ia ser tirada. O Deus criador tem, de acordo com a catequese aqui feita, o poder de ressuscitar os mártires para uma outra vida no mais além.
É preciso dizer, no entanto, que a ideia de “ressurreição” aqui expressa não coincide exatamente com a noção neotestamentária de ressurreição. Enquanto a perspetiva neotestamentária fala da ressurreição no sentido de uma vida nova, uma vida plena, uma vida transformada e elevada à máxima potencialidade, radicalmente diferente daquela que conhecemos enquanto peregrinamos na terra, as afirmações dos jovens da nossa história parecem referir-se mais a uma revivificação, à possibilidade de se receber no outro mundo uma vida semelhante àquela que se tinha na terra (um dos jovens fala, inclusive, em “receber de novo” os “membros” que lhe iam ser arrancados pelos carrascos – vers. 9). Em qualquer caso, é a ideia da imortalidade que subjaz a todo este contexto. Repare-se num outro pormenor: parece sugerir-se que essa “revivificação” não se destinará a todos os homens, sem exceção, mas apenas aos justos (vers. 14).
Seja como for, é a primeira vez que a doutrina da ressurreição é apresentada na Bíblia com esta clareza e com esta assertividade. A partir daqui, esta ideia vai desenvolver-se cada vez mais, até ser completamente iluminada pelo exemplo e pelo ensinamento de Jesus.
INTERPELAÇÕES
- Como é que termina a nossa peregrinação pela terra? Vivemos quarenta, sessenta, oitenta, cem anos, carregados de ilusões e de projetos, até que, de repente, abandonamos este mundo e deixamos para trás tudo aquilo que fomos construindo. Os projetos que elaboramos, os sonhos que procuramos concretizar ao longo do caminho, as nossas realizações mais significativas, os laços que nos ligam àqueles que nos são queridos, que é que valem se nos espera um dia, inevitavelmente, a morte? Estamos condenados a deixar para trás e a perder tudo aquilo que amamos? A nossa morte é uma viagem sem esperança em direção ao nada? Vale a pena viver “a prazo”, com um horizonte tão limitado? Estas perguntas são eternas; e, há cerca de 2150 anos, os catequistas de Israel já as colocavam. O autor do segundo livro dos Macabeus, guiado pela fé, acreditava que os seres humanos, terminado o seu caminho na terra, não estão irremediavelmente destinados a errar no “sheol”, o mundo das sombras, condenados a uma “não vida” por toda a eternidade; mas estava convicto de que a vida continua para além desta terra e que os justos estão destinados à ressurreição. É essa certeza que ele nos deixa, neste texto; e é essa experiência de fé que ele nos convida a fazer. Como nos situamos diante de tudo isto? A nossa caminhada pela terra é sustentada pela certeza da ressurreição, ou é uma caminhada sem esperança em direção a um final sem perspetivas e sem saída?
- No relato do martírio da mãe judia e dos seus sete filhos, uma das coisas que mais nos impressiona é a coragem que todos eles demonstram na defesa da sua fé e dos valores dos seus antepassados. De onde lhes vem essa coragem? Sem dúvida, da certeza da ressurreição. A mãe e os seus sete filhos enfrentam corajosamente os seus verdugos porque acreditam que eles não podem roubar-lhes definitivamente a vida. A certeza da ressurreição é libertadora. Animados por essa certeza, podemos enfrentar todas as ameaças. Quem acredita na ressurreição, está em condições de vencer o medo da morte. Quem acredita na ressurreição pode comprometer-se na luta pela justiça e pela verdade, na certeza de que as forças da morte não o podem derrotar ou destruir. Tem sido essa certeza que, ao longo da história do mundo, tem animado o testemunho corajoso de tantos e tantos mártires da fé, de tantos profetas de Deus, de tantos arautos da justiça e da verdade. É essa certeza que anima a nossa luta e que dá força e sentido ao nosso compromisso?
- A “teimosia” com que aqueles sete irmãos defenderam os valores em que acreditavam é verdadeiramente inspiradora. Questiona-nos sobre a força do nosso compromisso com o bem, com a justiça, com a verdade. Vivemos num mundo de valores “flutuantes”, onde o que é verdade de manhã, deixou de ser verdade à tarde; movemo-nos num mundo que navega ao sabor do oportunismo e dos interesses movediços de alguns; pactuamos com um sistema em que todos os meios servem quando se trata de alcançar certos fins… Nesta cenário, o testemunho dos mártires que são capazes de arriscar a própria vida para dar testemunho da verdade, constitui uma poderosa interpelação. Somos capazes de defender, com verdade e verticalidade aquilo em que acreditamos? Somos capazes de lutar, ainda que contra a corrente, pelos valores que não passam, pelos valores de Deus?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 16 (17)
Refrão:
Senhor, ficarei saciado, quando surgir a vossa glória.
Ouvi, Senhor, uma causa justa,
atendei a minha súplica.
Escutai a minha oração,
feita com sinceridade.
Firmai os meus passos nas vossas veredas,
para que não vacilem os meus pés.
Eu Vos invoco, ó Deus, respondei-me,
ouvi e escutai as minhas palavras.
Protegei-me à sombra das vossas asas,
longe dos ímpios que me fazem violência.
Senhor, mereça eu contemplar a vossa face
e ao despertar saciar-me com a vossa imagem.
LEITURA II – 2 Tessalonicenses 2,16-3,5
Irmãos:
Jesus Cristo, nosso Senhor,
e Deus, nosso Pai,
que nos amou e nos deu, pela sua graça,
eterna consolação e feliz esperança,
confortem os vossos corações
e os tornem firmes em toda a espécie de boas obras e palavras.
Entretanto, irmãos, orai por nós,
para que a palavra do Senhor
se propague rapidamente e seja glorificada,
como acontece no meio de vós.
Orai também,
para que sejamos livres dos homens perversos e maus,
pois nem todos têm fé.
Mas o Senhor é fiel:
Ele vos dará firmeza e vos guardará do Maligno.
Quanto a vós, confiamos inteiramente no Senhor
que cumpris e cumprireis o que vos mandamos.
O Senhor dirija os vossos corações,
para que amem a Deus
e aguardem a Cristo com perseverança.
CONTEXTO
Paulo passou pela primeira vez em Tessalónica (a atual Salónica), ido de Filipos, na sua segunda viagem missionária (cf. At 17,1-15). Tessalónica, cidade da Macedónia, situada a cerca de 120 quilómetros a oeste de Filipos, foi fundada em 315 a.C. e recebeu o nome de uma irmã de Alexandre Magno. Situada na Via Egnácia, a estrada romana que ligava a Itália com Bizâncio, possuía um bom porto de mar.
Paulo foi bem recebido pelos gentios de Tessalónica. No entanto, os judeus da cidade “cheios de inveja” contra Paulo, “aliciaram alguns indivíduos da escória do povo, provocaram ajuntamentos e espalharam a agitação pela cidade” (At 17,5), obrigando as autoridades a intervir. Paulo teve de sair da cidade durante a noite, indo para Bereia (cf. At 17,10-15) e, depois, para Corinto.
Paulo, contudo, não esqueceu os cristãos que tinha deixado em Tessalónica, enfrentando a hostilidade dos judeus. A jovem comunidade, fundada há pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de perseguição e de provação (cf. 1 Ts 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Timóteo a Tessalónica, a fim de saber notícias e encorajar os tessalonicenses na fé (cf. 1 Ts 3,2-5). Quando Timóteo voltou para apresentar o seu relatório, encontrou Paulo em Corinto. Confortado pelas informações dadas por Timóteo, o apóstolo decidiu escrever aos cristãos de Tessalónica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou também para esclarecer algumas dúvidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses – nomeadamente sobre a segunda vinda do Senhor e o destino dos que morrem (cf. 1 Ts 4,13-5,11) – e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade. A Primeira Carta aos Tessalonicenses é, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Verão do ano 50 ou 51.
Uns meses depois dessa primeira Carta à comunidade cristã de Tessalónica, Paulo escreveu uma outra. O objetivo seria fortalecer o ânimo dos tessalonicenses e corrigir algumas interpretações erradas que a primeira Carta tinha suscitado.
MENSAGEM
Depois de ter respondido às dúvidas dos tessalonicenses sobre a segunda vinda do Senhor (2 Ts 2,1-12) e de ter convidado os membros da comunidade a manterem-se fiéis às tradições que dele receberam “por palavra ou por carta” (2 Ts 2,15), Paulo dirige-se a Deus Pai e a Jesus Cristo, pedindo-Lhes que “confortem” os corações dos tessalonicenses e “os tornem firmes em toda a espécie de boas obras e palavras” (2 Ts 2,16-17). O apóstolo quer assim deixar claro algo a que já antes (cf. 2 Ts 1,11-12) tinha aludido: no plano da salvação, cooperam a ação de Deus e a resposta do homem. Deus, depois de chamar o homem à salvação, dá-lhe a força e o discernimento para percorrer o caminho que conduz à vida. Sem a graça de Deus, o esforço do homem seria inútil. A salvação é, antes de mais, um dom de Deus, que o homem é convidado a acolher.
Depois, Paulo passa a outro nível. Pede, antes de mais, aos cristãos da comunidade de Tessalónica que rezem por ele, a fim de que o trabalho pastoral que vem levando a cabo dê bons frutos (“irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e seja glorificada, como acontece no meio de vós” – 2 Ts 3,1); pede ainda aos tessalonicenses que rezem para que o apóstolo seja protegido daqueles que fazem tudo para evitar a difusão do Evangelho (“orai também, para que sejamos livres dos homens perversos e maus, pois nem todos têm fé” – 2 Ts 3,2). A oração de uns pelos outros é uma forma preciosa de solidariedade cristã. Manifesta a comunhão que une todos os membros do Corpo de Cristo. Uns e outros – os cristãos de Tessalónica, por um lado e Paulo e os seus companheiros de missão, por outro – necessitam do auxílio de Deus para superar os obstáculos que a cada passo lhes aparecem no caminho.
De resto, Paulo está sereno e confiante. Sabe que “Deus é fiel” (2 Ts 3,3) e que Ele sempre cuidará dos seus filhos que caminham num mundo cheio de incertezas e de dificuldades. Paulo acredita também que os cristãos de Tessalónica, com a ajuda de Deus, continuarão a percorrer, com empenho e fidelidade, o caminho da fé (cf. 2 Ts 3,4-5).
Por cima das palavras que o autor da Carta dirige aos cristãos de Tessalónica paira um perfume de confiança e de esperança. A mensagem é clara: os tessalonicenses não estão sozinhos, indefesos e perdidos, diante da hostilidade do mundo; mas caminham de mãos dadas com os seus irmãos na fé, rezando uns pelos outros e confiando incondicionalmente na fidelidade de Deus. É dessa forma que avançam, tranquilos e confiantes, ao encontro do Senhor que vem.
INTERPELAÇÕES
- Toda a vida de Paulo de Tarso é alicerçada numa certeza fundamental (que, de alguma forma, também transparece neste texto): Deus está presente em cada passo da vida dos homens que caminham na história e que aguardam a segunda vinda do Senhor. Essa certeza dá a Paulo a confiança e a tranquilidade necessárias para enfrentar as vicissitudes da vida, para vencer os obstáculos e para cumprir fielmente a missão a que Deus o chamou. Por isso, Paulo caminha serenamente, sem medo, como homem que sabe o que quer, de olhos postos na realidade que há de vir, fixado na meta que o espera – a vida eterna. A nossa experiência é, frequentemente, bem diversa: apanhados por um ritmo de vida estonteante, afogados em mil preocupações corriqueiras e materiais, distraídos por valores rasteiros, nem sequer reparamos em Deus e na sua presença reconfortante ao nosso lado; vivemos alienados, perdemos o rumo, deixamo-nos dominar pela angústia, não conseguimos vislumbrar a vida definitiva que nos espera. Não será altura de redescobrirmos a presença paternal e maternal de Deus que nos acompanha e nos consola em todos os momentos do caminho? O “repousar sobre o amor de Deus”, não ajudaria a dar um novo impulso e um novo sentido à nossa vida?
- Paulo confia no valor e na importância da oração. Além de ele próprio pedir a Deus que conforte os corações dos tessalonicenses e os torne firmes em toda a espécie de boas obras, também pede aos tessalonicenses que rezem por ele e pelo trabalho apostólico que faz. Paulo tem razão: a oração faz-nos bem. Quando falamos com Deus sentimo-nos mais próximos d’Ele, tornamo-nos mais conscientes do projeto de Deus para o mundo e para os homens, experimentamos a presença reconfortante de Deus na nossa vida, ficamos mais motivados para cumprir a missão que nos foi confiada; quando os irmãos rezam por nós, sentimos a solidariedade da comunidade, percebemos que não estamos sozinhos a carregar os fardos da vida e que os irmãos e as irmãs que caminham ao nosso lado nos apoiam e se preocupam connosco. Assim, o caminho torna-se mais luminoso, mais sereno e mais fácil. Que lugar tem a oração na nossa vida? Arranjamos tempo para falar com Deus? No nosso diálogo pessoal com Deus falamos-Lhe dos nossos irmãos, das suas dores, preocupações e necessidades? Falamos com Deus sobre os problemas da Igreja e do mundo?
ALELUIA – Apocalipse 1,5a.6b
Aleluia. Aleluia.
Jesus Cristo é o Primogénito dos mortos.
A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos.
EVANGELHO – Lucas 20,27-38
Naquele tempo,
aproximaram-se de Jesus alguns saduceus
– que negam a ressurreição –
e fizeram-Lhe a seguinte pergunta:
«Mestre, Moisés deixou-nos escrito:
‘Se morrer a alguém um irmão,
que deixe mulher, mas sem filhos,
esse homem deve casar com a viúva,
para dar descendência a seu irmão’.
Ora havia sete irmãos.
O primeiro casou-se e morreu sem filhos.
O segundo e depois o terceiro desposaram a viúva;
e o mesmo sucedeu aos sete,
que morreram e não deixaram filhos.
Por fim, morreu também a mulher.
De qual destes será ela esposa na ressurreição,
uma vez que os sete a tiveram por mulher?»
Disse-lhes Jesus:
«Os filhos deste mundo
casam-se e dão-se em casamento.
Mas aqueles que forem dignos
de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos,
nem se casam nem se dão em casamento.
Na verdade, já nem podem morrer,
pois são como os Anjos,
e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus.
E que os mortos ressuscitam,
até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente,
quando chama ao Senhor
‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’.
Não é um Deus de mortos, mas de vivos,
porque para Ele todos estão vivos».
CONTEXTO
Estamos no mês de Nisan do ano 30. Jesus está em Jerusalém, a cidade santa onde, segundo as tradições judaicas, irá irromper a salvação. Aproxima-se o dia da celebração da Páscoa judaica e a cidade está cheia de peregrinos. São os últimos dias antes da prisão, da condenação e da crucifixão de Jesus.
Provavelmente, Jesus tinha ficado hospedado em Betânia, a cerca de três quilómetros de Jerusalém, em casa dos seus amigos Lázaro, Marta e Maria. Pernoitava em Betânia; mas de manhã cedo descia o Monte das Oliveiras, atravessava o vale do Cedron e entrava pela Porta Dourada, situada a oriente, que dava acesso ao Monte do Templo. Por aí ficava durante o dia, rodeado pelos discípulos, a ensinar os átrios do Templo. Neste cenário terão lugar algumas das controvérsias que, nestes dias, irão opor Jesus e as autoridades religiosas judaicas (cf. Lc 19,45-48; 20,1-8; 20,9-19; 20,1-26). Discussão após discussão, torna-se claro que os líderes judaicos rejeitam a proposta de Jesus: prepara-se, assim, o quadro da paixão e da morte na cruz. O texto evangélico que a liturgia deste domingo nos propõe apresenta-nos uma dessas controvérsias; desta vez, os interlocutores de Jesus são os saduceus.
No tempo de Jesus, os saduceus formavam um grupo aristocrático, recrutado sobretudo entre os sacerdotes da classe superior. Exerciam a sua autoridade à volta do Templo e dominavam o Sinédrio. A sua importância política era real, ainda que bastante limitada pela presença de um procurador romano (que residia em Cesareia Marítima, na costa palestina, mas que se deslocava a Jerusalém na altura das grandes festas). Politicamente, eram conservadores e colaboravam pacificamente com as autoridades romanas. Interessava-lhes a estabilidade política e social, para não verem comprometidos os benefícios políticos, sociais e económicos de que desfrutavam.
Para os saduceus, apenas interessava a Lei escrita – os mandamentos e preceitos que constavam da “Tora”. Negavam que a Lei oral (que era essencial para o grupo dos fariseus) tivesse qualquer valor. Este apego conservador à Lei escrita explica que negassem algumas crenças e doutrinas admitidas nos ambientes populares frequentados pelos fariseus. Por isso, ao contrário dos fariseus, não aceitavam a ressurreição dos mortos: consideravam que nenhum versículo da “Tora” apoiava essa crença.
No seu conflito com os fariseus, estava em jogo uma certa visão da sociedade e do poder. Os fariseus não viam com agrado a “democratização” da Lei promovida pelos fariseus e pelos seus escribas. Esta “democratização” apresentava o inconveniente de fazer os sacerdotes perder a sua autoridade como intérpretes da Lei. Diante do povo, os saduceus mostravam-se distantes, severos e intocáveis.
MENSAGEM
Um grupo de saduceus dirige-se a Jesus, provavelmente quando Ele estava a ensinar nos átrios do Templo. Lucas não diz se eles o fazem por iniciativa própria ou por indicação das autoridades do Templo. O problema que trazem a Jesus é sobre a ressurreição dos mortos. Percebe-se, pelo contexto, que o objetivo daquela gente não é esclarecer um ponto teológico duvidoso, mas sim atrapalhar Jesus e fazê-lo cair no ridículo.
Os saduceus começaram por lembrar a Jesus a “lei do levirato” cf. Dt 25,5-10): se um homem, depois de casar com uma mulher, morrer sem deixar descendência, um dos seus irmãos deve casar com a viúva a fim de dar descendência ao falecido e impedir que os bens da família vão parar a mãos estranhas (vers. 28). Depois, os saduceus contam a Jesus a história de uma mulher que casou sucessivamente com sete irmãos, que morreram um após outro sem deixar filhos (vers. 29-32). No final da história vem a pergunta carregada de sarcasmo: na vida futura, de qual dos irmãos “será ela esposa, uma vez que os sete irmãos a tiveram por mulher?” (vers. 33).
Jesus aceita o desafio. A Sua resposta é formulada em duas partes. Na primeira, Jesus refere-se ao “modo” como será a vida futura (vers. 34-36); na segunda, Jesus afirma a realidade da ressurreição (vers. 37-38).
A primeira declaração de Jesus vai no sentido de rejeitar a forma pueril como os saduceus representam a vida que há de vir. Jesus está convicto de que a vida futura não consistirá numa simples revivificação do nosso corpo, num retomar a vida em moldes semelhantes à que levamos na terra; mas será uma vida totalmente nova e distinta, uma vida de plenitude que dificilmente podemos entender a partir das nossas realidades quotidianas e da nossa experiência atual. Como exemplo, Jesus dá a especialíssima questão do casamento, trazida à baila pela história contada pelos saduceus: “os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já nem podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus” (vers. 34-36). Os saduceus não acreditavam nos anjos; mas a maioria dos que estavam nos átrios do Templo a ouvir Jesus estavam familiarizados com as crenças judaicas segundo as quais esses seres celestiais não necessitavam de comer, beber ou casar-se. A humanidade encontrará, no mundo futuro, uma nova forma de existência, radicalmente diferente daquela que experimenta enquanto caminha na terra. As velhas estruturas que conhecemos, as desigualdades e injustiças terão desaparecido definitivamente; e o domínio do homem sobre a mulher não existirá jamais.
Na verdade, Jesus não explica como será a vida futura. Ele sugere, no entanto, que a questão essencial não é saber “como vai ser” a vida que há de vir; mas é confiar que o amor de Deus irá oferecer aos seus filhos uma vida nova e surpreendente, uma vida totalmente outra, uma vida totalmente sustentada pelo amor, uma vida em que as nossas capacidades serão levadas à plenitude e que nos situará num horizonte de felicidade sem fim. Para Jesus, é só isso que conta.
Em seguida Jesus, recorrendo à Sagrada Escritura, garante a realidade da ressurreição (vers. 37-38). Dado que os saduceus não reconheciam a autoridade de quaisquer livros para além da Tora, Jesus não utiliza, na sua argumentação, determinados textos tardios da Bíblia Hebraica que se referem à vida do mundo que há de vir (como, por exemplo, Dn 12,2-3: “muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a ignomínia, para a reprovação eterna”); mas cita-lhes um episódio da Tora, quando Deus, no Sinai, declara a Moisés: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob” (cf. Ex 3,6). Eram palavras que faziam parte das dezoito “bênçãos” que todos os judeus piedosos recitavam três vezes ao dia e que, por isso, eram bem conhecidas dos saduceus. O raciocínio de Jesus é simples e objetivo: se Deus Se apresenta dessa forma, muitos anos depois de Abraão, Isaac e Jacob terem desaparecido deste mundo, isso quer dizer que os patriarcas não estão mortos. Se estivessem mortos, errariam no sheol, o mundo das sombras onde Deus não intervém; mas se Javé é o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, então é porque eles estão vivos, ao lado de Deus, em comunhão com Deus.
A ressurreição é portanto, segundo Jesus, uma realidade inquestionável. Ora, é em direção a essa realidade que caminhamos.
INTERPELAÇÕES
- É verdade que a humanidade alcançou metas impressionantes e conseguiu conquistas fabulosas nos mais diversos domínios. Contudo, também é verdade que muitos dos nossos contemporâneos vivem mergulhados numa crise de esperança. As nossas grandes conquistas não têm sido suficientes para encher de sentido a nossa existência. Apostados em conquistar o mundo e em melhorar a vida, esquecemo-nos de Deus e construímos a nossa vida à margem d’Ele; tendo prescindido de Deus, acabamos por perder de vista o nosso horizonte futuro. Vivemos de olhos postos no chão, contando apenas com a nossa vida presente, como se nada mais houvesse ou nada mais interessasse. Este mundo, onde vivemos setenta, oitenta, cem anos, no meio de ilusões e desilusões, basta-nos? Não sabe a pouco? Não haverá mais nada? Depois de tantos esforços e de tantas ilusões, estaremos destinados a terminar ingloriamente num beco sem saída? Esse Deus que muitos abandonaram e pelo qual muitos continuam a perguntar não será a esperança última na qual podemos apoiar toda a nossa existência? No final de todos os caminhos que percorremos, no fundo de todos os nossos anseios, não estará Deus como Mistério último que dá sentido a tudo? Se Ele estiver à nossa espera para nos abraçar e acolher, no final do nosso caminho na terra, isso não dará um sentido radicalmente diferente à nossa vida? Quereremos mesmo caminhar pela vida sem um horizonte de esperança? Ou queremos abrir-nos ao Mistério de Deus, confiar n’Ele e no seu amor, acreditar que Ele nos espera para nos oferecer algo totalmente novo, ao lado d’Ele, na cidade da paz e da vida sem fim?
- A ressurreição, a vida que há de vir, não será uma ilusão, ou um “piedoso desejo” sem fundamento? Jesus garante-nos que não. Jesus não pode sequer imaginar que Deus traga os seus filhos à existência, os acompanhe durante alguns breves anos, lhes aponte caminhos de realização e de felicidade e depois os deixe simplesmente desaparecer no pó da terra. Jesus não acredita que Deus se conforme em viver por toda a eternidade rodeado de morte. Para Jesus, Deus é fonte inesgotável de vida e criou os seus filhos para a vida. O Deus que Jesus conhece “não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”. Aliás, aquilo que aconteceu com Jesus parece provar-nos que Ele tinha razão ao falar de Deus como falava: os donos do mundo mataram Jesus na cruz e atiraram o Seu corpo morto para um sepulcro numa colina fora das muralhas de Jerusalém; mas Deus ressuscitou o Seu Filho, glorificou-O e sentou-O à sua direita. Paulo de Tarso, diz: “Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, também nos há de ressuscitar com Jesus” (2 Cor 5,14). Acreditamos, com Jesus, que estamos destinados à vida eterna junto de Deus?
- Como será essa vida futura que nos espera? Nós, os que acreditamos na ressurreição temos, muitas vezes, tendência a “desenhar” o quadro da vida que há de vir a partir da nossa experiência atual. Suprimimos, naturalmente, algumas coisas negativas que temos encontrado ao longo do nosso caminho na terra – a injustiça, a violência, a maldade, a doença, a dor, a morte; mas, quanto ao resto, consideramos que a vida futura será uma edição algo melhorada da vida que já conhecemos. Será assim? Jesus, naquela conversa com os saduceus que o evangelista Lucas nos narra, diz-nos claramente que não será assim. Jesus não entra em pormenores; garante-nos apenas que a vida futura, ao lado de Deus, será algo totalmente novo, absolutamente diferente daquilo que conhecemos e daquilo que imaginamos. Não adianta lançarmo-nos em especulações pueris para “pintarmos” um quadro do céu a partir da nossa imaginação mais ou menos fértil. O que temos de fazer é, simplesmente, acreditar no Deus da vida e entregarmo-nos confiadamente nas suas mãos. Deus não nos defraudará. Ele, a partir do amor que nos tem, saberá preparar-nos uma vida onde as nossas aspirações mais profundas serão plenamente saciadas. É só isso que precisamos de saber. Confiamos em Deus? Acreditamos que Ele nos oferecerá uma vida surpreendentemente nova, onde nos sentiremos plenamente realizados? É com essa convicção que enfrentamos a nossa vida de todos os dias, aqui na terra?
- A ressurreição, a vida que há de vir, não deve ser, apenas, uma realidade longínqua, uma realidade que nos espera quando a nossa vida aqui na terra chegar ao fim; mas deve ser vista como algo que marca, desde já, a forma como vivemos o nosso dia a dia na terra. Acreditar no mundo que há de vir é viver, desde já, a partir de um dinamismo de vida e lutar por um mundo novo e transformado; acreditar no mundo que há de vir é lutar objetivamente contra todas as estruturas e mecanismos que geram sofrimento e morte; acreditar no mundo que há de vir é alicerçar o nosso dia a dia, aqui e agora, em valores eternos; acreditar no mundo que há de vir é lutar, com todas as nossas forças, para que o Reino de Deus aconteça na história e na vida do mundo. A nossa crença na vida futura tem implicações na forma como vivemos e na forma como concretizamos a missão que Deus nos confiou?
- Os saduceus que confrontaram Jesus no Templo de Jerusalém utilizaram uma história “mal contada” sobre a vida futura para ridicularizar a fé na ressurreição. Jesus, por sua vez, recusou explicações simplistas e “folclóricas” sobre realidades que ultrapassam a nossa compreensão e que a nossa linguagem limitada nem sempre consegue explicitar cabalmente. Talvez tudo isto possa servir de chamada de atenção para a forma, às vezes ingénua, outras vezes caricata, como falamos das realidades últimas. Não será mais honesto manter uma atitude humilde diante do grande mistério da vida eterna, do que falar do céu como se fosse algo que conhecemos tão bem como a palma das nossas mãos? A nossa ideia sobre os sufrágios pelos defuntos, o purgatório, os castigos reservados aos “maus”, será sempre compatível com aquilo que Jesus dizia sobre a misericórdia de Deus e sobre a forma como Deus acolhe os seus queridos filhos que terminam a sua peregrinação sobre a terra?
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 32.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 32.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. PALAVRA CELEBRADA NA EUCARISTIA.
A Palavra de Deus não se limita ao tempo da proclamação e da escuta da Palavra. Na preparação da celebração, procurar que algumas expressões da liturgia da Palavra estejam presentes no momento penitencial, nalguma intenção da oração dos fiéis, num momento de ação de graças…
3. BILHETE DE EVANGELHO.
Os saduceus, que não acreditam na ressurreição, procuram ridicularizar Jesus, que a defende. A mensagem de Jesus é uma mensagem de esperança. Ele quer ajudar os seus ouvintes a erguer os olhos, isto é, a não ficarem agarrados aos bens materiais e unicamente a esta vida na terra. Ele veio anunciar um Reino no qual a única filiação real e eterna é aquela que nos liga a Deus. Ele apresenta Deus como um ser de relação: relação do Pai com o Filho na comunhão realizada pelo Espírito. Mas relação também de Deus com a humanidade: o nosso Deus é sempre o Deus de alguém, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob. E é numa relação de Aliança que Deus Se situa. A relação com Deus não conhece a morte: se o homem é chamado a ressuscitar, é porque Deus quer selar uma aliança eterna à qual Ele é sempre fiel.
4. À ESCUTA DA PALAVRA.
Não nos riamos desta história ridícula, inventada pelos saduceus. É verdade que uma prescrição da Lei de Moisés dizia que uma mulher que não tinha tido filhos e que se tornara viúva devia casar com o irmão do defunto para ter um filho que seria considerado como o filho deste defunto. A história dos saduceus é rocambolesca. Mas estes últimos, contrariamente aos fariseus, não acreditavam na ressurreição, com o pretexto de que Jesus não lhes havia dito nada sobre isso. Então, querem apanhar Jesus em falta, Ele que acreditava na ressurreição. Com a sua história, eles ridicularizam Jesus e a crença na ressurreição. Ora, esta ideia da ressurreição não é hoje mais evidente do que há dois mil anos. Os gregos reencontrados por São Paulo não acreditavam nisso. E hoje, os cristãos, mesmo muito “praticantes”, são cada vez mais numerosos a aderir à teoria da reincarnação. É verdade que nunca se viu ninguém voltar do além da morte, enquanto se fornecem quantidades de testemunhos de pessoas que dizem ter recordações de uma vida anterior. No fundo, os saduceus são seriam estranhos entre nós hoje! Reconheçamos que a ressurreição é uma realidade muito misteriosa para nós. Quando Jesus ressuscitado apareceu aos seus discípulos, teve que usar muita pedagogia, persuasão e repreensões para os convencer de que era verdadeiramente Ele. Eles não acreditaram imediatamente! Hoje, o cerne do ensinamento de Jesus é a sua palavra: “E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça-ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”. Deus, o Criador, está para além do tempo. Se Ele ressuscita cada ser humano, é por um ato infinito e eterno de amor criador. Ele dá um nome único, pessoal a cada homem. Ele nunca poderá retomar nem suprimir este ato. Cada ser humano que vem ao mundo é verdadeiramente um “pedaço de eternidade”. Cada ser humano será para sempre “ele” e não um outro. Cada ser humano viverá para sempre, enraizado no amor eterno de Deus. Pela sua ressurreição, Jesus abriu-nos o caminho da nossa própria vida em plenitude em Deus.
5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Sugere-se a escolha da Oração Eucarística III.
6. PALAVRA PARA O CAMINHO DA VIDA…
Levar a Palavra de Deus como luz para mais uma semana de trabalho, de estudo… Ao longo dos dias da semana que se segue, procurar rezar e meditar algumas frases da Palavra de Deus: “Temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará”…; “Escutai, Senhor, a minha oração, feita com sinceridade”…; “O Senhor dirija os vossos corações, para que amem a Deus e aguardem a Cristo com perseverança”…; “Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”… Procurar transformar as palavras de Deus em atitudes e em gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida…
Feitos para a vida… Anunciar que o nosso Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos (Evangelho) não está reservado para os momentos dos funerais! Esta bela afirmação da nossa fé merece estar mais presente no nosso testemunho… Perguntemo-nos se já tivemos ocasião de o dizer… E se não, porquê?
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org