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Sábado a seguir ao segundo Domingo depois do Pentecostes
 
 
A devoção ao Imaculado Coração de Maria é conhecida desde o século XVII, juntamente com a devoção ao Coração de Jesus. Depois das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, teve grande incremento. Os dois Corações, de Jesus e de Maria, são inseparáveis: onde está Um também está o Outro. Jesus é o Redentor da Humanidade e Maria, a Mãe Corredentora. No dia 13 de Outubro de 1942, em plena Segunda Guerra mundial, o papa Pio XII, correspondendo ao desejo da Senhora manifestado em Fátima, consagrou o mundo ao seu Imaculado Coração.
 
 
Lectio
 
 
Primeira leitura: Isaías 61, 9-11
 
A descendência do povo de Deus será célebre entre as nações, e a sua posteridade entre os povos. Todos os que os virem hão-de reconhecê-los como a linhagem abençoada pelo Senhor. 10Rejubilo de alegria no Senhor, e o meu espírito exulta no meu Deus, porque me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de triunfo. Como um noivo que cinge a fronte com o diadema, e como uma noiva que se adorna com as suas jóias. 11Porque, assim como a terra faz nascer as plantas, e o jardim faz brotar as sementes, assim o Senhor Deus faz germinar a justiça e o louvor diante de todas as nações.
 
O nosso texto é a terceira parte de Is. 61. Reflete a mesma situação histórica: o cativeiro em Babilónia e a libertação. Mas o profeta vê mais longe. O dia da vingança e o ano da misericórdia não trazem a felicidade definitiva, mas apontam para os tempos escatológicos em que os sinais de tristeza e de aflição serão transformados em unguento e coroa de felicidade e glória. Lucas conta-nos que Jesus aplicou a si mesmo as palavras do profeta. Cristo inaugurou a era messiânica. A presença do Espírito sobre ele, no momento do Batismo, foi como que a sua consagração para a obra salvífica a que estava destinado. A Igreja prolonga na história a função messiânica de Jesus. A Mãe de Jesus teve e tem uma missão muito especial nessa função. E aquilo que Deus quer realizar em todos já aconteceu em Maria, Mãe do Senhor e sua colaboradora íntima. A obra do Messias já se completou nela, elevada ao Céu em corpo e alma, e sentada ao lado de Cristo, coroada de glória.
 
           
Evangelho: Lucas 2, 41-51
 
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. 43Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. 44Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Ao vê-lo, ficaram assombrados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» 49Ele respondeu-lhes: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» 50Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse. 51Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.
 
Jesus, que vem de Deus, deve ocupar-se das coisas do seu Pai. A sua sabedoria não lhe vem dos mestres da terra, mas de Deus. É por isso que, com 12 anos apenas, pode dialogar com os doutores do seu povo, estando na casa de Deus, seu Pai verdadeiro. Os seus pais, José e Maria, procuram-no angustiados. Jesus, porém, transcende-os; deve ocupar-se das coisas do seu Pai e eles não entendem. A presença de Deus em Jesus ultrapassa todas as hipóteses de compreensão dos homens. Impunha-se uma cisão: Maria e José não são donos de Jesus. Ele tem um Pai que O chama a realizar um projeto que eles não podiam, por ora, compreender. Nascendo numa família humana, Jesus provém da profundidade do mistério de Deus e, por isso, transcende-a. Daí a dificuldade dos pais em compreender e conviver com Jesus, à medida que vai crescendo, como sugere Lucas (2, 35).
 
 
Meditatio
 
O Coração de Maria é o refúgio dos pecadores. Deus quis muito particularmente fazer de Maria a esperança e a salvação dos pecadores. Os Padres da Igreja não se calam sobre este privilégio de Maria. A Idade Média, muito ávida de símbolos, comparou Maria ao astro da noite, porque ilumina o pecador, que caminha na noite dos seus pecados. «O sol, criado para brilhar durante o dia, é, diz o cardeal Hugo, a figura de Jesus, cuja luz alegra os justos que vivem no grande dia da graça divina; a lua, criada para luzir durante a noite, é a figura de Maria, cuja luz ilumina os pecadores, mergulhados na noite do pecado». – «Se alguém, diz Inocêncio III, se encontra miseravelmente empenhado na noite do pecado, levante os olhos para o astro da noite, que invoque Maria!». «A divina misericórdia, diz João Eudes, reina tão perfeitamente no Coração de Maria, que lhe faz levar o nome de Rainha e de Mãe de misericórdia. Ganhou de tal modo o coração da divina misericórdia, que lhe deu as chaves de todos os seus tesouros, e tornou-a absolutamente senhora». Recusará ela a sua ajuda aos pecadores, ela que durante a sua vida ofereceu o seu divino Filho por eles, no Templo e no Calvário?
O Coração de Maria é saúde dos enfermos. Maria é só bondade e, assim pode esperar-se tudo da generosidade do seu Coração, a cura dos corpos como a das almas. Muitas vezes os seus benefícios revestem o brilho de um milagre, como acontece em Lourdes e em tantos outros santuários… Toda a história testemunha a misericórdia de Maria. Invocam-na na doença, no sofrimento, na provação, e os ex-votos dos nossos santuários dizem quando ela é prestável. “Maria, diz S. João Crisóstomo, é um oceano de misericórdia”.
O Coração de Maria é a esperança de todos os aflitos. A divina Providência tinha reservado este papel a Maria. Foi figurada por Ester e Judite que salvaram o povo de Deus. Por toda a parte os fi&ea
cute;is, confiantes e reconhecidos, ergueram-lhe santuários sob os títulos graciosos de Nossa Senhora do Bom Socorro, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Maria Auxiliadora, Maria Consoladora dos aflitos. Preludiou na sua vida mortal este ministério de misericórdia, ao correr para assistir a sua prima Isabel, ao ajudar os esposos de Caná, ao assumir o encargo de prestar a S. João os seus cuidados maternais, depois da morte do Salvador. Em Caná, é a protetora das famílias. Adotando S. João, assume a tutela e o cuidado do sacerdócio e da Igreja, representados por S. João ao pé da cruz… A Igreja canta em sua honra este hino de confiança: «Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida e doçura, esperança nossa!» (Leão Dehon, OSP 3, 670s.).
 
 
Oratio
 
Ó minha celeste Rainha, ó minha divina Mãe, vivei e reinai no meu coração, para aí fazerdes viver e reinar o Coração de Jesus. Aniquilai no meu coração tudo o que pode desagradar ao vosso divino Filho. Estabelecei nele o soberano império do seu Coração e do vosso, para que estes dois corações, tão estreitamente unidos, nele reinem soberana e eternamente para o puro amor de Deus e para a sua maior glória. Ámen. (Leão Dehon, OSP 3, p. 510).
 
 
Contemplatio
 
A obra da transformação do nosso coração no de Jesus e de Maria ultrapassa incomparavelmente todas as forças humanas. Nós devemos, para o conseguirmos, implorar com humildade e fervor o socorro da graça divina. Entreguemo-nos ao poder do Pai e à graça do Espírito Santo, diz-nos o S. João Eudes, e peçamos ao Coração adorável de Jesus para se unir ao nosso. E comenta neste espírito a conhecida oração: «Ó Jesus, que viveis em Maria». – «Ó Coração sagrado, viveis e reinais perfeitamente no Coração da vossa divina Mãe, sois tudo e tudo operais nela; sois a sua vida, o seu coração, o seu espírito, o seu tesouro…Mas, ó amabilíssimo Coração, tendes também um desejo imenso de viver e de reinar no coração dos vossos filhos, e de lhes fazer viver convosco uma vida santa e celeste. Perdoai-me todos os obstáculos que pus até agora ao cumprimento desse desejo, pelos meus pecados e pelas minhas infidelidades sem número… De novo me dou e me entrego todo a vós, e não quero mais respirar senão para trabalhar sem cessar para fazer com que vivais e reinais na minha alma e em todas as almas que vos aprouver confiar-me. Quero aplicar nisso todos os meus pensamentos, todas as minhas palavras e todas as minhas obras». (Leão Dehon, OSP 3, p. 522s).
 
 
Actio
 
Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
“Viva o Coração de Jesus,
 pelo Coração de Maria!” (Exclamação usada entre os Dehonianos).
 
 
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Imaculado Coração da Virgem Santa Maria (Sábado a seguir ao segundo Domingo depois do Pentecostes)