27º Domingo do Tempo Comum – Ano C [atualizado]

ANO C

27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 27.º Domingo do Tempo Comum

 

O barco da nossa vida enfrenta a cada instante ondas alterosas e ventos contrários? Vacilamos, duvidamos e não sabemos se chegaremos a porto seguro? As leituras que a liturgia deste domingo nos propõe dizem-nos: “tende fé, confiai em Deus, deixai-vos conduzir por Ele. Acolhei as propostas que Ele vos traz. Se vos entregardes confiadamente nas mãos de Deus, vereis acontecer coisas extraordinárias e encontrareis vida em plenitude”.

Na primeira leitura, o profeta Habacuc interpela Deus, convoca-o para intervir no mundo e para pôr fim à violência, à injustiça, aos desígnios imperialistas dos donos do mundo… Deus não deixa cair em saco roto o desafio que Habacuc lhe lança. Em resposta ao profeta, Deus garante que não ignora o sofrimento dos seus filhos e que nunca os deixará abandonados a um destino de morte. No tempo certo, Deus vai atuar. Ao homem, resta confiar e esperar pacientemente o momento da intervenção salvadora de Deus.

No Evangelho Jesus, enquanto avança no caminho para Jerusalém, desafia os discípulos a segui-l’O sem hesitações, confiando inteiramente n’Ele e na sua proposta. Trata-se de uma aposta arriscada; mas, se os discípulos forem capazes de abraçá-la, farão coisas grandiosas, que mudarão o rosto do mundo e o sentido da história dos homens. Há, no entanto, uma coisa, que os discípulos não podem olvidar: depois de cumprirem a sua missão, devem manter a humildade e sentirem-se “servos inúteis”, que apenas fizeram “o que deviam fazer”.

Na segunda leitura, um catequista cristão que se apresenta na pele do apóstolo Paulo, convida os cristãos a reavivarem em cada passo o seu compromisso com Jesus e com o Reino de Deus. O cansaço, a monotonia, a desmotivação, o facilitismo, esperam-nos em cada curva do caminho; mas temos de encontrar maneira de renovar a chama da fé, caminhando sem perder de vista a meta que Jesus nos aponta.

 

LEITURA I – Habacuc 1,2-3; 2,2-4

«Até quando, Senhor, chamarei por Vós
e não Me ouvis?
Até quando clamarei contra a violência
e não me enviais a salvação?
Porque me deixais ver a iniquidade
e contemplar a injustiça?
Diante de mim está a opressão e a violência,
levantam-se contendas e reina a discórdia?»
O Senhor respondeu-me:
«Põe por escrito esta visão
e grava-as em tábuas com toda a clareza,
de modo que a possam ler facilmente.
Embora esta visão só se realize na devida altura,
ela há de cumprir-se com certeza e não falhará.
Se parece demorar, deves esperá-la,
porque ela há de vir e não tardará.
Vede como sucumbe aquele que não tem alma reta;
mas o justo viverá pela sua fidelidade».

 

CONTEXTO

No início do livro de onde é retirada a primeira leitura deste domingo (cf. Hab 1,1), fala-se de um oráculo revelado ao profeta Habacuc (“Habacuc” é um nome de planta, o “manjericão”). Não sabemos praticamente nada sobre este profeta: nem o lugar onde nasceu, nem as suas ligações familiares, nem a sua história de vocação, nem o tempo que durou o seu ministério profético. No episódio do lançamento de Daniel na cova dos leões (cf. Dn 14,33-39) é referido um profeta Habacuc que vivia na Judeia, mas isso não é suficiente para afirmar que se trata do profeta que dá nome a este livro. É curioso este desenraizamento do lugar de origem, da família e da época. O profeta aparece, assim, como um símbolo da salvação de Deus, presente em qualquer momento e em qualquer circunstância da história.

Contudo, a menção dos “caldeus” logo no início do livro de Habacuc (Hab 1,6) parece situar a missão deste profeta na época em que os babilónios, depois de desmembrarem o império assírio, procuravam impor o seu domínio aos povos do antigo Médio Oriente. Se este raciocínio for válido, Habacuc terá dado o seu testemunho profético nos finais do séc. VII a.C., na altura em que Joaquim reinava em Jerusalém (609-598 a.C.).

Para o reino de Judá, é um tempo histórico cheio de incertezas e de perigos. Joaquim é um rei fraco e incompetente, que explora o povo, que deixa aumentar as injustiças e cavar um fosso cada vez maior entre ricos e pobres. A sua política errática de alianças militares com determinadas potências regionais, também não augura nada de bom. Efetivamente, as simpatias pró-egípcias de Joaquim revelam-se perigosas quando o rei babilónio Nabucodonosor II esmaga o exército do faraó, em Carquemis (605 a.C.) e marcha em direção ao Egito, submetendo de passagem a Síria e a Palestina. Judá fica a pagar um pesado tributo aos babilónios. É provavelmente nestas circunstâncias que o profeta Habacuc faz ouvir a sua voz. Alguns anos depois, em 601 a.C., confiando novamente no apoio egípcio, Joaquim suspende o pagamento do tributo devido aos babilónios. O resultado é o cerco de Jerusalém por Nabucodonosor, a morte de Joaquim, a derrota de Judá, a deportação do filho e sucessor de Joaquim (que reina apenas três meses – cf. 2 Re 24,8) e o exílio para a Babilónia de uma parte significativa da classe dirigente de Judá (primeira deportação: 597 a.C.).

 

MENSAGEM

Num tempo de incerteza e de crise nacional, quando parece que tudo se desmorona e que não há futuro nem saída, Habacuc questiona Deus e expõe-lhe as suas queixas: “até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia” (Hab 1,2-3). É o desabafo de um homem que vê o seu mundo a desabar e não entende a atitude complacente de Deus para com o pecado; é o lamento de um crente que não entende como é que Deus pode ficar impassível diante das lutas e contendas que destroem as vidas dos seus filhos. Habacuc olha à sua volta com olhos de ver e não consegue entender como é que Deus – esse mesmo Deus que Se manifestou como libertador e salvador na história do Povo e que Se proclama fiel aos compromissos que assumiu para com os homens – não põe fim a tantas grosseiras violações do seu projeto para o mundo. O profeta não se limita a escutar a Palavra de Javé e a transmiti-la aos seus concidadãos; mas faz mais: com coragem profética, questiona o próprio Deus, coloca-o diante das suas responsabilidades, exige-lhe respostas. Qual sentinela atenta e vigilante, o profeta lança o seu grito e fica de pé, à espera que Deus responda às suas interpelações (cf. Hab 2,1).

Finalmente, Deus digna-Se responder a Habacuc. Pede ao profeta que grave “em tábuas com toda a clareza” a Sua resposta, a fim de que todos os que se sentem angustiados e desanimados “a possam ler facilmente” (Hab 2,2). Não é verdade que Deus contemple com indiferença a mal que destrói a vida dos seus filhos. Em devido tempo, Deus vai atuar para concretizar o seu projeto e salvar o seu povo (cf. Hab 2,3). Deus garante solenemente que não falhará àqueles que n’Ele confiam. Os maus serão parados e terão de prestar contas a Deus dos seus atos injustos, ambiciosos, prepotentes, imperialistas; mas os justos, aqueles que se mantiveram fiéis a Deus, encontrarão a vida definitiva (cf. Hab 2,4).

 

INTERPELAÇÕES

  • O problema do mal do mundo sempre foi um grande obstáculo para aqueles que se propõem percorrer o caminho da fé… Se Deus existe, como pode Ele pactuar com a injustiça e com a opressão? Se Deus é o Senhor do mundo e da história, como pode Ele permitir que os violentos e agressores tomem conta dos destinos do mundo e deixem por onde passam um rasto de sofrimento e de morte? Se Deus é justo, porque é que os bons sofrem e os maus são compensados com glória, honras e triunfos? Se Deus ama os seus filhos com amor de pai e de mãe, porque é que deixa que tantos inocentes vivam mergulhados numa dor sem sentido e sem esperança? O profeta Habacuc tinha presente todas estas interrogações e, como nós, buscava respostas coerentes. A verdade é que, muitos séculos depois de Habacuc, continuamos sem encontrar respostas totalmente satisfatórias para estas questões. Como podemos lidar com este “muro”, tão difícil de ultrapassar? Desistindo de Deus? Ou reconhecendo humildemente que os projetos de Deus ultrapassam infinitamente a nossa compreensão limitada das coisas e que nós nunca conseguiremos explicar totalmente o projeto que Deus tem para o mundo e para os homens? O problema do mal também é, para nós, um obstáculo difícil de transpor no nosso caminho para Deus?
  • É bom mantermos, como Habacuc, uma atitude crítica e procurarmos ir sempre mais além na compreensão do sentido das coisas; é bom não nos contentarmos, como Habacuc, com todas as explicações que nos impingem e buscarmos junto de Deus as respostas para as grandes questões que nos inquietam; é bom não nos acomodarmos, como Habacuc, a soluções definitivas e conservarmos o espírito aberto a uma compreensão mais completa dos mistérios da vida… Mas, em todo este processo, não podemos pretender ocupar o lugar de Deus ou proceder como se soubéssemos mais do que Deus. Segundo a tradição bíblica, o grande pecado do ser humano é, precisamente, julgar-se mais sábio do que Deus e usurpar o lugar de Deus. Compete-nos reconhecer os nossos limites e reconhecer que Deus, na sua imensa sabedoria, nos ultrapassa infinitamente; compete-nos reconhecer que os caminhos de Deus não são iguais aos nossos; compete-nos aceitar que Deus tem o seu próprio ritmo e que o ritmo de Deus não é o ritmo da nossa impaciência, da nossa correria, do nosso egoísmo, dos nossos interesses. Como é que lidamos com o facto de nos sentirmos muitas vezes ultrapassados pelo mistério infinito de Deus?
  • Deus garante a Habacuc que não esqueceu os seus queridos filhos feridos pela prepotência dos poderosos. Pode ser que o crente nem sempre entenda a maneira de agir de Deus; mas tem de confiar n’Ele, de se entregar nas suas mãos, de sentir que Ele é um Pai cheio de amor pelos seus filhos, de aceitar que Ele está a escrever a história por caminhos direitos (embora os caminhos pelos quais Deus conduz o mundo nos pareçam, tantas vezes, estranhos, misteriosos, enigmáticos, incompreensíveis). Por aqui passa uma das dimensões mais belas dessa extraordinária aventura que é a fé: entregar-se confiadamente nas mãos de Deus mesmo quando nada faz sentido; acreditar que Deus, na sua bondade e magnanimidade, fará sempre tudo para oferecer aos seus queridos filhos vida e felicidade sem fim. É assim a nossa experiência de fé?

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 94 (95)

Refrão:

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não fecheis os vossos corações.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
O Senhor é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».

 

LEITURA II – 2 Timóteo 1,6-8.13-14

Caríssimo:
Exorto-te a que reanimes o dom de Deus
que recebeste pela imposição das minhas mãos.
Deus não nos deu um espírito de timidez,
mas de fortaleza, de caridade e moderação.
Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor,
nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro.
Mas sofre comigo pelo Evangelho,
confiando no poder de Deus.
Toma como norma as sãs palavras que me ouviste,
segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo.
Guarda a boa doutrina que nos foi confiada,
com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.

 

CONTEXTO

Timóteo, o destinatário desta Carta, é um cristão originário de Listra, uma cidade situada na região da Licaónia, a cerca de trinta quilómetros a sul da cidade de Icónio. O pai de Timóteo era grego e a sua mãe, de nome Eunice, era judeo-cristã. São Paulo “descobriu” Timóteo quando passou em Listra, no decurso da sua segunda viagem missionária. Timóteo acompanhou Paulo, aparecendo ao seu lado na Bereia, em Atenas (cf. At 17,14-15), em Corinto (cf. At 18,5) e em Éfeso (cf. At 19,22). Paulo confiava de tal modo em Timóteo que chegou a confiar-lhe algumas missões delicadas junto de comunidades cristãs que se defrontavam com problemas (cf. 1 Ts 3,2.6; 1 Cor 4,17; 16,10-11). A tradição cristã refere Timóteo como o primeiro bispo de Éfeso.

A segunda Carta a Timóteo contém conselhos pastorais destinados ao “pastor” Timóteo. O seu autor dá a entender que está na prisão e que sente aproximar-se do momento da sua morte. Numa espécie de “testamento”, carregado de emoção e de saudade, exorta Timóteo a manter-se fiel ao ministério que recebeu e a transmitir fielmente a doutrina transmitida pelos apóstolos.

Embora a segunda Carta a Timóteo seja, entre as “Cartas Pastorais”, a que menos se afasta do estilo paulino, os especialistas consideram que ela dificilmente poderá ser atribuída ao apóstolo Paulo. De resto, também neste caso o tipo de organização eclesial que a carta supõe parece ser mais do final do séc. I do que da época de Paulo (recorde-se que Paulo foi martirizado em Roma, durante a perseguição de Nero, por volta do ano 65). O cenário eclesial onde a carta nos situa já não é o do anúncio do Evangelho (que era a grande preocupação da época paulina), mas sim o da conservação da fé, ameaçada pelos mestres que difundem falsas doutrinas.

 

MENSAGEM

O autor da carta começa por exortar Timóteo a reanimar o dom de Deus que recebeu no momento em que os anciãos da comunidade lhe impuseram as mãos e o consagraram para o ministério apostólico (vers. 6). É um apelo que faz todo o sentido. Sabem-no todos aqueles que um dia, como Timóteo, se encontraram com Deus, decidiram aceitar o chamamento de Deus e se dispuseram a servir o projeto de Deus. Quando começamos um caminho destes, tudo é claro, tudo parece entusiasmante; e comprometemo-nos sem reservas. Depois, com o passar do tempo a nossa decisão vai enfraquecendo: o cansaço, a monotonia, os fracassos, as desilusões, a nossa fragilidade, vão degradando o nosso entusiasmo inicial. Temos, então, de redescobrir a graça da nossa vocação, de renovar a nossa opção fundamental por Deus; temos de reavivar o fogo que um dia nos inflamou o coração e que, entretanto, as vicissitudes da vida foram apagando. Só assim será possível, segundo o autor da Carta, manter as qualidades fundamentais que o “apóstolo” deve conservar ao longo de todo o caminho: a fortaleza perante as dificuldades, o amor que torna possível a entrega total a Cristo e aos homens, a moderação necessária para a animação e a construção da comunidade (vers. 7).

Na segunda parte do texto (vers. 13-14) o autor da Carta (que se apresenta na pele de Paulo, prisioneiro por causa do Evangelho), pede a Timóteo que se mantenha sempre fiel à sã doutrina que recebeu de Paulo e da tradição apostólica. Diante das inumeráveis “vozes” que propõem caminhos incertos e soluções duvidosas, é função do “apóstolo” de Jesus manter o discernimento, ensinar a verdadeira doutrina, defender a comunidade de tudo aquilo que a afasta da verdade do Evangelho. O Espírito Santo será, para Timóteo e para todos aqueles que desempenham qualquer função na animação da comunidade, uma ajuda preciosa na definição do caminho da verdade.

 

INTERPELAÇÕES

  • Talvez não tenhamos memória do momento em que fomos batizados e começamos a viver a aventura da fé. No entanto, é provável que conservemos a memória de outros momentos da nossa caminhada de fé – talvez o dia da nossa primeira comunhão, o dia do nosso Crisma ou, para alguns de nós, o dia da nossa primeira Profissão religiosa – em que nos sentíamos entusiasmados, dispostos a viver com total coerência o seguimento de Jesus. Depois, o tempo foi passando e a nossa vida foi dando voltas e mais voltas. Envolvemo-nos em muitos projetos, corremos atrás de muitas coisas, sofremos algumas deceções, conhecemos o cansaço e a rotina, chocamos com uma realidade que nos obrigava a ver a vida com outros olhos, enfrentamos desafios que nunca tínhamos pensado conhecer… Quase sem darmos conta, instalamo-nos numa fé morna e pouco exigente, caímos na banalidade de uma prática religiosa feita de rituais e o nosso entusiasmo por Jesus foi arrefecendo. Temos de continuar assim? Não será possível redescobrirmos o entusiasmo dos momentos mais luminosos da nossa caminhada de fé? O que teremos de fazer para reavivar a chama do nosso compromisso?
  • Jesus, antes de voltar para a casa do Pai, pediu aos discípulos que se mantivessem ligados a Ele como os ramos estão ligados à videira: “permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim” (Jo 15,4). A comunhão com Jesus alimenta-nos e é fonte de vida, de uma vida constantemente renovada. Caminharmos com Jesus, vivermos ao ritmo da sua Palavra, sentarmo-nos todos os domingos com Ele à mesa e alimentarmo-nos do Seu Pão, assumirmos um estilo de vida semelhante ao d’Ele, seguirmo-l’O todos os dias no caminho do amor e da entrega da vida até às últimas consequências, vivermos em diálogo permanente com o Pai (como Jesus fazia), é a melhor maneira de conservarmos viva a chama da fé. É assim que vivemos? Mantemo-nos focados neste caminho todos os dias, sem interrupções, sem “férias”, sem cedências à facilidade e ao comodismo?
  • O autor da Segunda Carta a Timóteo insiste na necessidade de conservar íntegro o depósito da fé, sem cedências nem desvios. Está certo. Recebemos um “tesouro” que é eterno e que não pode ficar ao sabor das modas, das conveniências, dos interesses instalados, das opiniões erráticas e superficiais dos fazedores de opinião. Temos de testemunhar e de transmitir com toda a fidelidade o Evangelho que recebemos. Isto não significa, contudo, que façamos finca-pé em fórmulas datadas, em linguagens ultrapassadas, em rituais desajustados, em tradições que se tornaram obsoletas, talvez até em maneiras imperfeitas de viver e de “narrar” a fé. Compete-nos testemunhar as verdades eternas da nossa fé numa “narrativa” coerente e cativante, capaz de ser entendida pelos homens e mulheres do séc. XXI. Jesus deixou-nos o Espírito Santo para nos conduzir neste caminho. Preocupamo-nos em conservar e em transmitir fielmente o depósito da fé? Procuramos, com a ajuda do Espírito, apresentar a fé de sempre numa linguagem atraente e viva, capaz de interpelar os irmãos que caminham ao nosso lado?

 

ALELUIA – 1 Pedro 1,25

Aleluia. Aleluia

A palavra do Senhor permanece eternamente.

Esta é a palavra que vos foi anunciada.

 

EVANGEHO – Lucas 17,5-10

Naquele tempo,
os Apóstolos disseram ao Senhor:
«Aumenta a nossa fé».
O Senhor respondeu:
«Se tivésseis fé como um grão de mostarda,
diríeis a esta amoreira:
‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’,
e ela obedecer-vos-ia.
Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado,
lhe dirá quando ele volta do campo:
‘Vem depressa sentar-te à mesa’?
Não lhe dirá antes:
‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires,
até que eu tenha comido e bebido.
Depois comerás e beberás tu.
Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou?
Assim também vós,
quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei:
‘Somos inúteis servos:
fizemos o que devíamos fazer’».

 

CONTEXTO

Jesus, acompanhado pelos seus discípulos, vai a caminho de Jerusalém. No horizonte próximo de Jesus está a sua condenação pelas autoridades religiosas judaicas, a sua morte na cruz e a sua ressurreição. Ao longo do caminho (cf. Lc 9,51-19,28), Jesus ensina os discípulos e prepara-os para a missão que irão assumir depois da Páscoa, quando forem enviados ao mundo como testemunhas do Reino de Deus. À medida que caminham atrás de Jesus e escutam as “lições” que Ele oferece, os discípulos vão deixando para trás os seus projetos pessoais, as suas visões desfocadas, os seus sonhos de grandeza e vão crescendo na sua identificação com o projeto de Jesus. O caminho que leva da Galileia a Jerusalém deixa, então, de ser um simples caminho geográfico, para se tornar uma instrução catecumenal dirigida aos crentes de todas as épocas, visando prepará-los para viverem como discípulos e serem no mundo arautos do Reino de Deus.

Lucas junta aqui alguns “ditos” de Jesus sobre temas diferentes, provavelmente aparecidos em contextos diversos. No texto que neste domingo nos é proposto há um “dito” sobre a fé (cf. Lc 17,5-6) e uma pequena parábola sobre a gratuidade do serviço (cf. Lc 17,7-10). O “dito” sobre a fé aparece, numa forma um pouco diferente, em Mt 17,20 (um “dito” análogo lê-se também em Mc 11,23 e Mt 21,21); a parábola sobre a gratuidade do serviço é exclusiva de Lucas.

Em “etapas” anteriores do caminho, Jesus tinha colocado os discípulos diante de exigências bastante radicais: pedira-lhes que entrassem “pela porta estreita” (cf. Lc 13,24); que fossem humildes e fizessem o bem sem esperar nada em troca (cf. Lc 14,7-14); que colocassem em segundo plano a família, os próprios interesses e os bens materiais (cf. Lc 14,26-33); que perdoassem sempre e de forma ilimitada (cf. Lc 17,5-6). Os discípulos estão conscientes dos seus limites e da sua fragilidade. Sentem que estão com dificuldade em “acompanhar” o ritmo de Jesus e em abraçar definitivamente a aventura do Reino de Deus.

 

MENSAGEM

Para aquele grupo que caminha com Jesus em direção a Jerusalém, o tempo começa a esgotar-se. Chegou o tempo das decisões corajosas; mas eles sentem-se débeis e inseguros. Será possível encontrarem um qualquer “suplemento” que lhes traga a força de que necessitam para não desistirem? O pedido dos discípulos a Jesus vem nesta sequência: “aumenta a nossa fé” (vers. 5). O que é a “fé”? Como pode a “fé” ajudá-los naquele momento decisivo?

No Novo Testamento em geral e nos Evangelhos Sinópticos em particular, a fé não é, primordialmente, a adesão a dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus; mas é a adesão radical a Jesus, à sua pessoa, à sua proposta, ao seu projeto. Implica confiar completamente em Jesus, naquilo que Ele diz, naquilo que Ele propõe, naquilo que Ele ensina; implica confiar no Pai como Jesus confiava e estar disposto a cumprir sem condições a vontade do Pai; implica seguir Jesus sem hesitar nesse difícil caminho do dom da vida até ao extremo; implica assumir o estilo de vida de Jesus, amar todos sem excluir ninguém, servir com humildade e simplicidade, levar vida a todos, dar testemunho da misericórdia e da ternura de Deus pelos últimos, pelos pecadores, pelos rejeitados; implica abraçar o mesmo “sonho” de Jesus e procurar construir no mundo o Reino de Deus. O que os discípulos necessitam é de confiar mais em Jesus, de confiar em Jesus de tal forma que sejam capazes de O seguir de olhos fechados, sem medo do que poderá acontecer-lhes e sem se preocuparem com o que estão a deixar para trás.

Jesus não responde diretamente à solicitação dos discípulos. Afinal, optar por Jesus, confiar em Jesus, é uma decisão que cada discípulo deve tomar por si próprio. Em contrapartida, Jesus prefere recordar aos discípulos o resultado da fé: “se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia” (vers. 6). Os discípulos não precisam que alguém, por qualquer ato mágico, lhes aumente a fé; o que eles precisam é de reavivar a sua confiança em Jesus, a sua decisão de seguir Jesus, a sua adesão a Jesus. E se confiarem um bocadinho em Jesus, se decidirem ir com Jesus, farão coisas extraordinárias, tão extraordinárias como ordenar a uma amoreira plantada em terra que vá fixar as suas imensas raízes no meio do mar. A imagem usada por Jesus está bem ao gosto dos pregadores da época, que gostavam de exagerar nas imagens que usavam para tornar mais evidente a mensagem que queriam propor. Se os discípulos ousarem confiar em Jesus e ir atrás d’Ele com coragem e determinação, farão coisas que mudarão a história do mundo e a vida dos homens. Farão autênticos “milagres”, concretizarão coisas impossíveis, deslocarão “montanhas”, darão um outro rosto ao mundo; transformarão a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão em liberdade.

 

Concluída a breve conversa sobre a “fé”, Jesus parte para outra “lição”. Desta vez, propõe-se falar com os discípulos sobre a forma como eles se devem situar diante de Deus (vers. 7-9).

Os fariseus viviam para o cumprimento da Lei. Consideravam que bastava cumprir integralmente os mandamentos de Deus para ter acesso aos bens eternos. De acordo com esta perspetiva, a salvação não era um dom de Deus, mas sim uma conquista do homem, o resultado dos méritos que o homem adquiria ao cumprir a Lei. Esta compreensão favorecia a autossuficiência: o homem não precisava de Deus, pois podia alcançar a salvação por si próprio; bastava-lhe viver de acordo com as regras estipuladas. Deus, por sua vez, seria apenas um contabilista, empenhado em fazer contas para ver se o homem tinha ou não direito à salvação. Se as “contas” fossem favoráveis ao homem, Deus não tinha outra hipótese senão dar-lhe a salvação.

Jesus não quer que os seus discípulos se apresentem diante de Deus com a sobranceria dos fariseus. Por isso, conta-lhes a história de um homem rico cujo servo trabalhou todo o dia no campo. Quando, no fim do dia chegou a casa, não pôde descansar imediatamente: teve ainda que preparar o jantar do seu senhor e servi-lo. Só depois de ter cumprido todas as suas obrigações, pôde comer ele próprio. Aquele senhor terá de agradecer ao seu servo por ele ter cumprido o seu dever? – pergunta Jesus. É claro que não. O servo trabalhou muito e bem; mas apenas fez aquilo que lhe competia. Não pode exigir ao seu senhor nenhum pagamento extra por ter feito as tarefas que lhe tinham sido atribuídas.

Jesus está a dizer que Deus é um senhor exigente que apenas quer ser servido? Não. A parábola não pretende dizer-nos como é que Deus é; mas pretende dizer-nos que o verdadeiro crente cumpre a sua missão, sem exigir nada e sem esperar nada em troca (vers. 10). Age com humildade e com absoluto sentido de gratuidade, sem pensar em retribuições. Não faz as coisas para se colocar numa situação de força, de forma a poder exigir algo de Deus. Faz o que deve fazer apenas “porque sim”. O que o move não é o prémio ou o castigo, mas apenas o cumprimento da missão que lhe foi confiada. Em última análise, aquilo que move o “servo” não é o interesse, mas sim o amor. A religião de Jesus não é a “religião dos méritos”, mas sim a “religião do amor”.

No caminho para Jerusalém, Jesus continua a desenhar e a propor aos que vão com Ele o “caminho do discípulo”. Os que quiserem seguir por esse caminho têm de confiar em Jesus e de abraçar o projeto que ele propõe. Farão os mesmos gestos de Jesus e serão no mundo sinais vivos de Deus. Cumprirão com humildade e amor a missão que lhes é confiada; e, depois de tudo, dirão: “somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”. Trata-se de um belo e luminoso programa de vida.

 

INTERPELAÇÕES

  • No caminho para Jerusalém, aproximando-se o momento de grandes decisões, os discípulos pediram a Jesus que lhes aumentasse a fé. Ao falar de “fé”, eles não estavam, provavelmente, a falar de adesão a determinadas verdades doutrinais; mas estavam a falar, da capacidade de seguir Jesus, de acolher as suas propostas, de escolher esse difícil caminho da cruz e do dom da vida que Jesus estava a apontar-lhes. Eles ainda não se sentiam com coragem suficiente para renunciar aos seus sonhos pessoais de grandeza e de triunfos humanos, para vencer a preguiça e a acomodação que os impedia de caminhar em frente, para ultrapassar os seus medos e tibiezas, para abandonar velhos hábitos e preconceitos enraizados… Precisavam de “apostar” mais em Jesus. Não necessitaremos, também nós, de aumentar a nossa fé? Não precisaremos de revitalizar a nossa confiança em Jesus, no seu Evangelho, nas suas propostas? Não necessitaremos de colocar Jesus no centro da nossa vida e da vida das nossas comunidades? Não precisaremos de sintonizar melhor com Jesus, de compreender melhor o seu projeto, de captar melhor a sua intenção de fundo, de recuperar o “fogo” que Ele acendeu naqueles discípulos que iam com Ele a caminho de Jerusalém? Jesus é, de facto, o eixo central à volta do qual construímos a nossa existência? É Jesus que marca o ritmo e que define a cor das nossas opções e dos nossos projetos?
  • Jesus garante aos discípulos que, se tiverem um pouquinho de fé, poderão fazer coisas extraordinárias, poderão mudar a face do mundo. A fé não é algo que se deve guardar cuidadosamente, à sombra das nossas igrejas e sacristias, para que não se adultere em contacto com a “sujeira” do mundo… Segundo Jesus, a fé deve traduzir-se em gestos concretos, em atitudes que pintam o mundo com as cores de Deus. Iluminados e fortalecidos pela fé, os discípulos de Jesus derrubam as barreiras que separam os homens, lutam contra a injustiça e a opressão, denunciam as mentiras e os ódios, combatem a corrupção e os preconceitos, põem-se ao lado dos mais fracos e desprotegidos, constroem pontes de entendimento e de diálogo, introduzem humanidade, misericórdia e bondade no horizonte onde todos os dias os homens e as mulheres constroem as suas existências. Uma fé que não nos compromete com a construção do Reino de Deus, é uma fé que não faz sentido. A nossa fé nota-se no que fazemos, nos valores que defendemos, nas causas por que lutamos? Há algo de novo à nossa volta pelo facto de termos aderido a Jesus e de nos termos comprometido com Ele a construir o Reino de Deus? Quais são os “milagres” que a nossa fé está a fazer e que tornam mais belo, mais justo e mais humano o nosso mundo?
  • A parábola que Jesus contou sobre o servo que, depois de tantos e bons serviços, se sente “servo inútil”, que apenas fez “o que devia fazer”, é simultaneamente bela e desconcertante. Para a nossa mentalidade muito “contabilística”, de acordo com a qual o bem deve ser devidamente recompensado, talvez isto soe a injustiça. Acharíamos mais normal, talvez, que se dissesse que tanta dedicação do servo lhe granjeou “créditos” especiais e que tudo o que aquele servo fez não passará sem o adequado pagamento. Estamos tão convencidos da lógica de uma “religião de méritos”, que por vezes até fazemos negócios com Deus: damos-lhe “isto” se Ele nos der “aquilo” que pretendemos. A “religião dos méritos” acaba por ser uma religião interesseira e egoísta, que colocamos ao serviço dos nossos interesses. Jesus propõe aos seus discípulos uma lógica diferente. Convida-os a cumprir a missão que lhes foi entregue sem exigir nada em troca; convida-os a não fazerem as coisas de olhos postos numa eventual recompensa; convida-os e apresentarem-se diante de Deus como servos dedicados e humildes, que apenas querem servir… É assim que procedemos? Cumprimos a nossa missão com espírito de gratuidade e de puro amor?

 

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.

Ao longo dos dias da semana anterior ao 27.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

 

2. PALAVRA CELEBRADA NA EUCARISTIA.

A Palavra de Deus não se limita ao tempo da proclamação e da escuta da Palavra. Na preparação da celebração, pode-se prever que algumas expressões da liturgia da Palavra estejam presentes no momento penitencial, nalguma intenção da oração dos fiéis, num momento de acção de graças…

 

3. BILHETE DE EVANGELHO.

O pedido “aumenta a nossa fé” que os Apóstolos fazem a Jesus é uma bela oração também para nós. No Evangelho de Mateus, diz-se que, no momento da partida de Jesus, “alguns tiveram dúvidas”, enquanto Jesus lhes assegura que estará com eles todos os dias até ao fim dos tempos. Isto quer dizer que a fé não é da ordem da evidência, mas do crescimento: não somos crentes uma vez por todas, tornamo-nos crentes. E esta fé, precisa Jesus, manifesta-se humildemente, porque a confiança não suporta grandes declarações, verifica-se no quotidiano e nas pequenas coisas, pode mesmo operar grandes coisas, porque Deus Se deixa tocar pela confiança que n’Ele depositamos. Deus deixa-Se tocar pela humildade do servo, pois tal é a única e verdadeira atitude que espera daqueles que põem n’Ele a sua confiança. O servo não procura, então, a glória, mas somente a alegria de ter feito o seu dever.

 

4. À ESCUTA DA PALAVRA.

“Aumenta a nossa fé!” Jesus já tinha ouvido uma súplica semelhante, quando o pai da criança epilética lhe havia suplicado: “Vem em ajuda da minha pouca fé!” A resposta de Jesus é surpreendente, até provocadora, sem dúvida: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia”. A sua resposta, na realidade, força-nos a ir para além do imediato e do sensacional. A fé é já um caminho humano. Quando duas pessoas se amam, sabem muito bem que o seu amor não se pode demonstrar cientificamente. O amor descobre-se como um dom gratuito, mas constrói-se na confiança. Posso dizer àquele ou àquela que amo “eu sei que te amo”, porque sei o que vibra dentro de mim. Mas ao mesmo tempo não posso dizer-lhe “creio que tu me amas”, porque não estou na pele do outro. O amor implica, pois, um salto num certo desconhecido que, no plano das relações humanas, pode, sem dúvida, apoiar-se nas provas “tangíveis”, mas que são fracas. Quando se trata da nossa relação com Deus, a fé é, sem dúvida, mais difícil, porque não tem, ou tem muito pouco, suporte “afetivo”. Mas o “princípio”, finalmente, é o mesmo. Sou convidado a ter confiança na Palavra de Deus, que se exprimiu plenamente em Jesus e foi transmitida pelos seus primeiros discípulos. Jesus dá-lhes como missão serem suas testemunhas autorizadas. Posso, sem dúvida, pôr em causa o seu testemunho, não aderir a Ele, exigindo provas convincentes. Mas posso igualmente comprometer-me noutro caminho, da relação amorosa com Jesus. A fé só se pode viver numa relação de amor que nos faz ver para lá das aparências, porque os homens veem com os olhos, mas Deus vê com o coração. “Sim, Jesus, aumenta em mim a fé, para que eu possa amar-Te sempre cada vez mais”.

 

5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.

Pode-se escolher a oração eucarística para as circunstâncias especiais V-C, pela sua insistência em Cristo “Verbo, mediador” e no Evangelho de que devemos ser servidores.

 

6. PALAVRA PARA O CAMINHO…

Levar a Palavra de Deus como luz para mais uma semana de trabalho, de estudo… Ao longo dos dias da semana que se segue, procurar rezar e meditar algumas frases da Palavra de Deus: «Senhor, aumenta a nossa fé!»; «Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor…»; «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações»; «Exultemos de alegria no Senhor!». Procurar transformá-las em atitudes e em gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida…

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA

Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
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