O Cristianismo transporta dentro de si uma nova maneira de entender o ser humano e a própria felicidade a que ele está chamado. Ser cristão e viver apaixonado por Jesus traz consigo uma maneira peculiar de compreender o homem e esta nova visão desperta e perturba quem não vive a mesma fé. Nalgumas situações, chega mesmo a entrar em confronto com ideologias que caminham numa direcção oposta e que querem apenas subjugar e manipular a pessoa.

Ao longo da sua vida, um cristão ouve muitas vezes que a verdadeira riqueza de uma pessoa são as relações de amizade e de amor que cria com outras pessoas. Sabe também que é chamado a orientar a sua vida ao serviço de quem é mais vulnerável. Dito doutra forma, aos cristãos é-lhes transmitido e inculcado que a felicidade não se identifica com o poder do dinheiro, nem com o brilho da fama e muito menos com a auréola do prestígio. Este é, aliás, um ensinamento transmitido de geração em geração, quase como uma sabedoria de vida que importa seguir e não desperdiçar de qualquer maneira.

Neste sentido, acho que é um bom exercício meditar num número que o papa Francisco nos deixou. É um desses números que merece muito mais que uma leitura pausada e atenta. É um desses números que reclama que olhemos a nossa vida a partir do que está aqui escrito:

«a espiritualidade cristã propõe uma forma alternativa de entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem  estar obcecado pelo consumo. É importante adoptar um antigo ensinamento, presente em distintas tradições religiosas e também na Bíblia. Trata-se da convicção de que «quanto menos, tanto mais». Com efeito, a acumulação constante de possibilidades para consumir distrai o coração e impede de dar o devido apreço a cada coisa e a cada momento. Pelo contrário, tornar-se serenamente presente diante de cada realidade, por mais pequena que seja, abre-nos muitas mais possibilidades de compreensão e realização pessoal. A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco. É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres» (LS 222).

Não tenho dúvidas de que, no dia em que nos deixarmos trespassar por estas palavras e ousarmos pô-las em prática, a nossa vida mudará certamente e tornar-nos-emos artífices de um estilo de vida muito mais saudável e também mais sustentável. Da mesma forma, não tenho dúvidas que nesse dia seremos mais felizes e mais completos como homens e mulheres que habitam um mundo criado por Deus.

José Domingos Ferreira, scj