Integrar é a capacidade de inserir algo num conjunto mais abrangente. Este movimento nem sempre é fácil e muito menos instantâneo.

A experiência do dia-a-dia diz-nos que a exclusão e a rejeição acabam por acontecer com frequência. Integrar tem a ver com «comunicar, descobrir as riquezas de cada um, valorizar aquilo que nos une e olhar as diferenças como possibilidades de crescimento no respeito por todos» (FT 134). Neste sentido, a família é o santuário da integração, pois «se alguém tem uma dificuldade, mesmo grave, ainda que seja por culpa dele, os outros correm em sua ajuda, apoiam-no; a sua dor é de todos. Nas famílias, todos contribuem para o projecto comum, todos trabalham para o bem comum, mas sem anular o indivíduo; pelo contrário, sustentam-no, promovem-no. Podem brigar entre si, mas há algo que não se move: este laço familiar. As brigas de família tornam-se reconciliações mais tarde. As alegrias e as penas de cada um são assumidas por todos» (FT 230).

Integrar é, portanto, a atitude oposta ao descartar e deitar fora, dado que «uma pessoa e um povo só são fecundos, se souberem criativamente integrar no seu seio a abertura aos outros» (FT 41). Neste sentido, é imprescindível trazer à memória a capacidade que Jesus tinha de integrar pessoas que eram desprezadas e rejeitadas pela sociedade. Pensemos em figuras como os apóstolos Mateus e Simão, o zelota, que noutro contexto seriam naturalmente adversários e inimigos. Pensemos em Zaqueu, mas também nos leprosos que eram automaticamente excluídos da sociedade, sem esquecer as mulheres que acompanhavam Jesus de aldeia em aldeia. Integrar refere-se ainda a uma capacidade de fazer novas sínteses, capazes de superar as anteriores, especialmente quando estas já não são capazes de dar resposta ao novo e ao diferente. Na verdade, «uma adequada e autêntica abertura ao mundo pressupõe a capacidade de se abrir ao vizinho, numa família de nações» (FT 151). Também a felicidade de cada um está dependente desta capacidade de integrar o negativo na nossa vida. Sabemos bem que, enquanto quisermos anular ou esconder aqueles momentos e episódios que nos doem, eles continuam a roubar-nos a alegria de viver e a tornar pesada a nossa caminhada quotidiana.

Integrar exige também dar um sentido a quem vive com pouco sentido ou mesmo nenhum. Com efeito, «esquece-se de que não há alienação pior do que experimentar que não se tem raízes, não se pertence a ninguém. Uma terra será fecunda, um povo dará frutos e será capaz de gerar o amanhã apenas na medida em que dá vida a relações de pertença entre os seus membros, na medida em que cria laços de integração entre as gerações e as diferentes comunidades que o compõem, e ainda na medida em que quebra as espirais que obscurecem os sentidos, afastando-nos sempre uns dos outros» (FT 53).

José Domingos Ferreira, scj