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Por vezes, podemos sentir uma dificuldade: porquê confessar-me? Sou sempre o mesmo, com os mesmos pecados. Jesus responde-te, como ao paralítico: "Levanta-te, toma a tua enxerga e anda" (Jo 5, 8), passo a passo. Se caminhas já estás salvo… se não caminhas estás perdido, cais na inércia e confirmas-te no teu pecado.
Aceita a tua fraqueza e aceita caminhar passo a passo. Aceita tudo com serenidade e paz. Não para desculpar a tua fraqueza, mas para reconhecer humildemente a realidade da força de Cristo: "Quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Cor 12, 10). "De bom grado, prefiro gloriar-me nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo" (2 Cor 12, 9).
A minha serena humildade é uma exaltação da sua santidade: "Só vós sois o santo, só vós o Senhor, só vós o altíssimo, Jesus Cristo".
Aceitar os próprios pecados, sem os aprovar, mas combatendo-os, é já uma forma de penitência.
Reveste-te de humildade, reconhece que só Deus é perfeito; aceita a ascética dos pequenos passos. Cresce pouco a pouco, à medida do homem, na esperança de que Deus, um dia, te receba nos braços e te faça voar pelos seus caminhos.

Mais uma pergunta: Não há outros meios para a remissão dos pecados?

Há a Eucaristia, sacramento do amor. O "sim" sincero ao Amor repara os nossos "não" ao Amor, isto é, os nossos pecados.
Há a oração ao Espírito Santo, Espírito do amor e de toda a oração feita com amor.
Há as obras de caridade, chamadas obras de misericórdia espirituais e corporais, de modo particular a esmola (não só a que é feita com dinheiro), praticada "como oferta e sacrifício de agradável odor" (Ef 5, 2), para ajuda dos irmãos e tão recomendada pela Sagrada Escritura para a remissão dos pecados (cf. Tb 4, 11; Dan 4, 24).
Há o exame de consciência que fazemos diariamente e em que ocupamos a maior parte do tempo a contemplar os benefícios com que Deus preenche os nossos dias, adorando-O, dando-Lhe graças, louvando-O. O exame de consciência é também ocasião propícia para pedir perdão a Deus pelas nossas recusas do Amor. Deste modo, o Senhor purifica-nos das nossas misérias de cada dia.
Há a humildade, isto é, a humilde aceitação das próprias limitações e das limitações dos outros, sem frenesi, sem agitação, mas com paciência e paz.
Há a contrição, isto é, a experiência do coração triturado de sofrimento pelo pecado cometido por nós e que continuamos a cometer, e por tanto mal que há no mundo, vivendo, deste modo, a segunda bem-aventurança: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" (Mt 5, 4).

Vivamos habitualmente em estado de contrição perfeita, multiplicando, quanto possível os actos de puro amor para com Cristo, para com a Santíssima Trindade. É o oitavo sacramento. A caridade cobre a multidão dos pecados.
 

Giuseppe Manzoni, Il Padre vi ama, riflessioni sul Padre nostro, Edizioni Dehoniane, Roma, 1990.

Tradução: Fernando Fonseca, scj