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I – Introdução

Ao preparar esta reflexão, considerei oportuno recordar sumariamente algumas atitudes indispensáveis em qualquer recolecção:

– Evitar tudo esperar daquele que orienta.

– Trabalho pessoal. O papel do orientador não passa de uma pequena ajuda, uma espécie de "provocação".

– É muito importante o clima que se consiga criar de recolhimento, de silêncio, de oração e reflexão.

– É importante também a consciência de que o retiro é uma graça (oportunidade) a não desperdiçar.

– Ajuda também muito a consciência de que estamos a precisar.

Ainda que não se tratando de um curso, com métodos e objectivos próprios, precisamos mesmo assim de situar o tema deste nosso retiro no quadro do programa da Província para o triénio que está a terminar, o qual, por sua vez, parte da proposta feita a toda a Congregação pelo XXI Capítulo Geral.

Ora, nós sabemos qual é essa proposta. Consta do documento-síntese e concretiza-se na Carta Programática que, a meu ver, faz parte daqueles documentos inspiradores que precisamos de ter presentes e de abordar com alguma assiduidade. Isto, claro, se queremos, tanto a nível comunitário como a nível pessoal, acertar o passo com a Família Religiosa de que somos parte.

Vão certamente nesse sentido as propostas concretas e operativas que nos chegam da parte de quem tem a missão e a responsabilidade de animar a nossa fidelidade. Mas não pode faltar o nosso empenho pessoal.

Abro aqui um parêntese exactamente para exortar a que esses documentos sej am objecto frequente não só de leitura, mas de meditação pessoal inclusivamente em tempos de paragem e de revisão como são os nossos retiros de zona.

A programação do Conselho Provincial para este triénio (2003-2006) propôs um tema que convém ter presente: "Solidários na missão com o coração aberto (a Deus, aos Irmãos, ao mundo)".

Cada uma destas dimensões foi proposta para cada ano. Neste acentuou-se a terceira. A inspiração de fundo encontra-se no "Adveniat Regnum Tuum". Daí "um coração aberto ao mundo, um renovado empenho na missão ".

Ao aceitar prestar este serviço, propus-me enquadrá-lo exactamente nesta temática e partilhar convosco algumas considerações muito ligeiras, cingindo-me o mais possível ao tema particular indicado para este ano.

O tema é: "Orientações do nosso empenho na missão".

Eu gostava muito de poder dar orientações. Acontece, porém, que não me compete, nem é disso que se trata. Por um lado, porque a Província já se move num quadro bem definido de opções feitas e de compromissos assumidos; por outro, porque num retiro o que verdadeiramente interessa é aquilo que é de incidência pessoal.

Nesse sentido, do que se trata verdadeiramente, creio eu, é de, em clima de retiro ou de recolecção, tomarmos cada um de nós pessoalmente consciência de quais devem ser as orientações do nosso empenho pessoal na missão, inspirando-nos para isso nos nossos documentos relacionados com o último Capítulo Geral. Concretamente para este retiro são indicados alguns números do documento-síntese e é aí justamente que eu vou buscar as poucas e ligeiras considerações que pretendo partilhar convosco. Não vou, portanto, apresentar nenhum tratado, nem vou sequer trazer à colação de forma sistemática um comentário a esses mesmos números. Vou simplesmente respigar deles algumas propostas de reflexão e exame, dando eventualmente maior realce a um ou outro aspecto a meu ver de maior alcance e oportunidade.

II – Consagração/missão

Do primeiro número indicado (n" 45) destaco as palavras "Chamados à intimidade com Deus, somos impelidos à missão".

– Aparecem aqui dois elementos sobre os quais desejaria deter-me: "Chamados à intimidade com Deus" é a "consagração" que nos impele à "missão". Consagração e missão constituem um binómio sobre o qual se tem reflectido e escrito muito. Não faltaram reflexões sobre o modo de relacionar entre si as duas realidades, que são distintas, mas inseparáveis.

Consideram-se três formas diferentes de ligar o binómio:

a) consagração e missao;

b) consagração para a missão;

c) consagração é missão.

Todas correctas, mas uma delas certamente mais abrangente e, por isso mesmo, mais perfeita. A primeira pode dar a ideia de uma mera justaposição de realidades diferentes. A segunda parece colocar o acento na missão, relegando a consagração para um plano meramente funcional e, por isso, secundário.

Das três parece-me ser a terceira aquela que melhor exprime a realidade e, por isso mesmo, aquela que mais nos deve interpelar. Sugere duas realidades que se reclamam reciprocamente. Mas coloca o acento na "consagração" e apresenta a "missão" como uma consequência, uma emanação da "consagração".

Com efeito, na Escritura, a história das grandes vocações sugere isso mesmo. Deus chama a Si, atrai à sua intimidade, consagra (ou seja, introduz na esfera que lhe é própria e que transcende a criatura humana). Depois, envia com as suas instruções e as suas garantias.

No NT é igual. Jesus chamou aqueles que quis, para estarem com Ele, para serem os seus amigos (ou, simplesmente, "os seus"). E, quando se tratou de os enviar para uma primeira experiência de "missão" deu-lhes também as suas instruções e as suas garantias.

Pelo simples facto de sermos consagrados estamos em missão. O que quer que sejamos chamados a fazer é missão, porque somos consagrados. O lazer, o descanso, o convívio fraterno e retemperador, tal como a inactividade determinada pelas circunstâncias de idad
e e de saúde, o estudo, a aquisição de competências e a formação pessoal, a par das mais variadas formas de trabalho e de ministério são missão, porque emanam da consagração.

Penso que nunca é demais insistir nas nossas reflexões e nos nossos exames de consciência e revisão de vida no primado da "consagração": "chamados à intimidade com Deus", com tudo o que isso representa em termos práticos.

Tudo isto dentro da lógica do famoso aforismo: "Agere sequitur esse"; máxima que em teoria não sofre contestação, mas que na prática sabemos como é. E pode facilmente descambar naquela febre de activismo a que se deu o nome de "heresia da acção".

Capacitemo-nos de que o Senhor não nos chamou para fazer coisas, mas para sermos seus. Não é das nossas obras que Ele precisa, mas dos nossos corações, diria o Padre Dehon. Poderia lançar-nos em rosto a mesma invectiva que ao povo da primeira Aliança: "Se Eu tivesse fome não to diria … " …

Capacitemo-nos de que o Senhor, o Coração de Jesus, espera de nós que nos situemos bem firmes e fiéis na sua intimidade procurada com aquele empenho, diria mesmo com aquele afã que aprendemos do nosso Fundador.

Falando de "orientações do nosso empenho na missão", penso que é daqui que devemos partir, porque esta é que é, incontestavelmente, a orientação de fundo e, por isso, determinante das demais.

III – Estilo do nosso empenho na missão

Do mesmo número 45 consta outra "orientação", na qual não vou insistir tanto, mas que para nós dehonianos é fundamental, na medida em que se refere àquilo que nos caracteriza, para que o nosso empenho na missão não o seja sem mais, mas, seja verdadeiramente próprio de quem se reclama do Padre Dehon como seu Pai e Mestre.

Para tal impõe-se, de facto, a referência explícita ao Coração de Jesus: "em sintonia com o Coração de Jesus", lê-se. Na verdade, é com o Coração de Jesus que, a exemplo do Padre Dehon, queremos aprender "o estilo do nosso serviço".

Na sua experiência de fé e na Congregação a que deu corpo o Padre Dehon contemplou o Coração de Jesus. A designação de Oblatos (depois, Sacerdotes) deriva dessa contemplação.

Elemento característico e verdadeiramente constitutivo da "experiência de fé" do Padre Dehon é a oblação. Não foi por acaso que escolheu para a Congregação a designação de "Oblatos". Ela exprimia "a sua intenção especifica e originária e a índole própria do Instituto e o serviço que é chamado a prestar à Igreja" (Cs. 6 b). De facto, "ao fundar a Congregação dos Oblatos – como também recordam as actuais Constituições – quis que os seus membros unissem, de forma explicita, a sua vida religiosa e apostólica à oblação reparadora de Cristo ao Pai pelos homens" (Cs. 6 a).

As mesmas Constituições, referindo-se à "experiência de fé" do Padre Dehon, identificam-na com aquela que S. Paulo assim exprime escrevendo aos Gálatas (2, 20):

"A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e Se entregou por mim" (cf. Cs. 2 a). Lá está o amor aliado à oblação: amou-me – entregou-Se. É assim o amor de Deus. É assim que Deus ama: entregando-Se. É o amor oblativo que o Pe. Dehon contempla no Coração de Jesus, através do Lado aberto.

"Possuído por este amor", ele corresponde-lhe do mesmo modo com um amor que se dá, que gera o mesmo movimento de entrega completa e incondicional "por amor". Esta intuição, tão conforme à lógica do seu espírito, está já presente na experiência daquele Natal de 1856, quando decide tomar-se sacerdote e que ele passará a considerar a data da sua conversão ao amor.

O "estilo" referido no n° 45 é, concretamente:

– a sensibilidade aos que estão cansados e oprimidos pela injustiça, a pobreza e o peso da vida;

– o acolhimento de todos, começando pelos mais pequenos;

– a urgência de levar o anúncio do amor de Deus a toda a humanidade, para

que todos tenham a vida;

– a fidelidade e a coragem para estar ao serviço do desígnio do Pai, até ao dom da própria vida.

Obviamente que estas alíneas referentes ao "estilo" precisam de ser consideradas e reflectidas por cada um de nós. Porque em boa verdade, se há um "estilo", esse só pode ser o do Coração "manso e humilde do Bom Pastor". E é na contemplação, no confronto constante, no esforço de configuração com esse Coração que deve nascer e alimentar-se esse "estilo".

Não vamos deter-nos exclusivamente neste número. Convém, a meu ver, passar os olhos pelos demais e é o que irei fazendo, mesmo sem o referir expressamente. No entanto, o n° 46 merece particular atenção. Ficará mais para diante.

III – "Refundação"

O n° 47 refere um esforço de discernimento que esteve presente no Cap. Geral, "marcado pela vontade de orientar o caminho da Congregação … ", para retirar a seguinte conclusão: "Há que regressar ao essencial da nossa origem carismática, para reactualizá-la em novos moldes capazes da garantir o futuro".

Estamos na presença do tema recorrente da "refundação", tema que reaparece no n° 67, já na parte conclusiva do documento. Tema que reclama também, segundo creio, alguma atenção da nossa parte. Porque a "refundação" é muito mais do que uma moda.

Há uma refundação que pode depender em boa parte das instâncias responsáveis, uma vez que é um processo que envolve a Congregação no seu todo. No entanto, que eficácia poderia ter, se não atingisse as pessoas, se não baixasse do plano geral para o plano particular e pes
soal de cada um de nós? É a este nível que aqui nos situamos, porque, convém não esquecer, estamos em retiro.

Quem leu alguma coisa sobre o tema não pode deixar de sentir alguma perplexidade.

Nota-se uma grande dificuldade em definir exactamente de que é que se trata. A categoria lexical é, aliás, demasiado recente. Não aparece na literatura especializada anterior ao início do novo século e milénio. A ideia, obviamente está presente, mas expressa de forma bem pouco definida. Falava-se antes de "fidelidade dinâmica", de "fidelidade criativa" ou de "criatividade fiel". O novo termo aflorou em 1998 na reunião semestral da União de Superiores Gerais que tinha por título precisamente "Refundar na fidelidade criativa", acabando por impor-se, mesmo assim sem significado preciso e unívoco.

Ainda hoje não é fácil fixar uma definição de consenso. Entende-se vagamente, pela negativa, que não significa "substituir o carisma do Fundador", que não pretende "modificar as Constituições", que não se trata de "simples engenharia de governo", nem significa "propriamente voltar atrás". É, ao contrário, e pela positiva, "refazer a experiência fundacional em lugares e tempos concretos, em circunstâncias novas, de modo que o carisma tenha vitalidade para germinar de novo". Mas, o que é exactamente? Em que consiste? É, com certeza, uma problemática a reclamar estudo, reflexão, aprofundamento aos mais variados níveis.

Mas a nível pessoal, que é aquele que num retiro nos deve interessar particularmente, penso eu que pode ser vista como um constante regresso às origens.

Penso até ser possível estabelecer uma analogia entre os conceitos de "refundação" e "conversão" .

Nos nossos documentos recentes podemos encontrar algumas indicações que me limito a recordar com uma ou outra observação oportuna. Em primeiro lugar, o tema fundamental do XXI Cap. Geral que era precisamente "a refundação da nossa vida consagrada e o aprofundamento da especificidade da nossa missão na Igreja". (Carta do Sup. Geral aos membros da FD – 20.062003)

Resulta clara, por um lado, a necessária referência à consagração (de que já nos ocupámos), mas vista e considerada na origem histórica que a configura e caracteriza. É o regresso obrigatório à figura incontornável e inspiradora do Fundador, da sua experiência espiritual, da forma concreta como assumiu e viveu a sua condição de discípulo de Cristo e de sacerdote, das motivações e intenções que presidiram à fundação do Instituto.

Isto por um lado. Por outro, e a partir daí, há que reconhecer e identificar uma "especificidade" do nosso empenho na missão, sem a qual correríamos o sério risco de nos descaracterizarmos, a ponto de comprometermos a nossa própria razão de existir na Igreja. Porque "fazer, sem mais" é pouco de mais. Não há coisa nenhuma que possamos fazer que não possa ser feita por qualquer religioso ou até mesmo leigo não consagrado. O que somos deve estar presente no que fazemos; o que fazemos devemos fazê-lo "dehonianamente" .

Da Mensagem dirigida pelo Capítulo à Congregação, retiro a seguinte citação: "O Capitulo declara que chegou o tempo da refundação. Por refundação entendemos o seguinte: plenamente conscientes das situações e das culturas em que nos encontramos inseridos, procuramos reler, através de todos os meios à nossa disposição, a nossa inserção em Cristo, por meio do Espirito e na fidelidade criativa à inspiração original de Leão Dehon, para chegarmos a novas formas de viver a nossa vocação". (Mensagem do Capítulo – 12 de Junho de 2003)

Muita coisa poderíamos considerar nesta significativa passagem. – Fala-se de "situação em que nos encontramos inseridos";

– Fala-se de "reler a nossa inserção em Cristo". Insinua-se que a "refundação"

passa necessariamente por uma "releitura" da nossa condição de baptizados sob a acção do Espírito Santo (que é quem nos move: daí a necessidade de atenção à presença do Espírito Santo nas nossas vidas e a indispensável docilidade para secundar a sua acção);

– Fala-se de "meios à nossa disposição";

– Fala-se da "fidelidade criativa à inspiração original" e aparece aqui, uma vez

mais a referência à figura incontornável do Fundador;

– Finalmente refere-se aquilo que se pretende com o processo dito de "refundação": "chegarmos a novas formas de viver a nossa vocação", que é praticamente o que também se lê no n° 8 do documento-síntese: "Esta tradição espiritual nasceu num tempo e numa cultura especificos: hoje revisitamos as raizes do nosso carisma, de modo a sermos capazes de actualizá-lo para o futuro (refundação)" .

"A experiência dos discípulos de Emaús representa bem a exigência actual da refundação: dois discípulos desanimados, desiludidos e cansados tomam novo vigor no encontro com Jesus ressuscitado, escutando a sua palavra e reconhecendo-O no partir do pão". (Doc.-síntese, n° 12)

"Há que regressar ao essencial da nossa origem carismática … ", lia-se no número 47.

"A refundação empenha-nos a uma constante renovação no ver, julgar e agir" – reitera-se no n° 67.

À refundação também se referia o Superior Geral na saudação dirigida ao Santo Padre (10.06.2003): "O XXI Capitulo Geral empenha-nos na "refundação" da nossa vida religiosa sobre os alicerces do Evangelho e da experiência espiritual do nosso Fundador.". E acrescentava: "Sentimos que este apelo à refundação nos pede em primeiro lugar que sejamos homens de Deus, constantemente transformados pela contemplação do Coração aberto do Senhor, de onde brota incessantemente o Espirito ".

Na sua resposta, João Paulo II, se
m usar a palavra "refundação", a ela se referiu sob a forma de um augúrio: "Faço votos para que isso vos estimule a voltar às origens, com aquela "fidelidade criativa" que conserva intacto o vosso carisma, caracterizado por uma constante contemplação do Coração de Cristo, pela consciente participação na sua oblação reparadora e por uma zelosa dedicação em difundir o Reino do Senhor nas almas e na sociedade … ". E concluía, dizendo: "Foi esta inspiração original que levou Leão Dehon, na segunda metade do século XIX, a iniciar uma original experiência espiritual e missionária … O Capitulo permitiu-vos "revisitar" os fundamentos do vosso carisma, com o compromisso de os traduzir para o mundo de hoje, conscientes da preciosa actualidade da vossa missão".

Por que insisto neste tema da "refundação"? Porque ele tem a ver com cada um de nós pessoalmente, porque nos compromete a cada um em particular, porque especificando a nossa consagração, especifica também a nossa acção e determina (ou inspira) as orientações do nosso empenho na missão. Porque, mais do que quaisquer outros religiosos, precisamos de ter os pés bem assentes naquilo que verdadeiramente constitui a nossa identidade (e que não é o tipo de coisas que fazemos) e daí a necessidade de uma permanente "re-fundação", que é como quem diz "re­fundamentação" da nossa opção de vida.

Porque, finalmente, a referida analogia entre "refundação" e "conversão" o reclama.

A "conversão permanente" é uma exigência do ser cristão. O baptizado nunca está definitivamente convertido. Todos os dias fazemos a experiência do nosso limite, do fracasso, do pecado… Daí a necessidade, diria vital, de re-orientar constantemente a pessoa e a vida no sentido de Cristo (digamos, do Coração de Jesus) e do Evangelho. Para o dehoniano é uma questão de vida ou de morte esse regresso permanente à verdade da sua origem carismática.

IV – Origem da nossa especificidade

Disse que deixava para depois o n° 46. Vamos agora dedicar alguma atenção a esse número recheado de sugestões.

– Antes de mais nada a expressão tão cara ao Padre Dehon "Adveniat Regnum Tuum" , que corresponde literalmente a uma das petições do Pai-Nosso, mas que na perspectiva do nosso Fundador e de acordo com a sua sensibilidade espiritual, é o "Reino do Coração de Jesus nas almas e nas sociedades".

Na Mensagem do Capítulo à congregação, dizia-se "Como ‘Nós Congregação’ no mundo, rezamos ardentemente com Jesus, "Venha o teu Reino!". Ele mostrou-nos como realizar esta prece na sua proclamação do Reino de Deus, na sua solidariedade com os doentes e com aqueles que eram prisioneiros do mal".

Afirma-se a seguir que a reflexão capitular englobou "o tema da missão e da nossa especificidade apostólica". Logo de seguida, surge a referência explícita ao Padre Dehon (porque é dele que nos vem essa especificidade) realçando a sua atenção aos "desafios do seu tempo".

Para a nossa reflexão destacaria três pontos:

1. "Como Leão Dehon esteve atento para responder aos desafios do seu tempo, assim também nós nos sentimos … "

Ao longo dos documentos capitulares é frequente a referência ao Padre Dehon.

Assim acontece no n° 4 da Mensagem, onde se fala de "fidelidade à inspiração original de Leão Dehon".

Na Carta do Superior Geral pode ler-se: "O retorno à experiência espiritual do Padre Dehon é uma condição sem a qual não é possivel nem definirmos, nem muito menos sermos fiéis à nossa especificidade apostólica".

Noutra passagem (n? 12) da Mensagem lê-se: "Leão Dehon instou-nos a estarmos cientes das carências da sociedade e da Igreja e a vencer essas carências com o desenvolvimento do ensino social. Ele convidou-nos a ir ao encontro do povo, a mudar as mentalidades e as estruturas. Ele Fundou a Congregação para instaurar, através da sua espiritualidade e do seu testemunho comunitário, uma civilização do amor. ".

"O Padre Dehon fundou o Instituto com a finalidade de responder aos desafios do seu tempo, particularmente ao grito das injustiças que reinavam na sociedade " (n? 1) "O coração recorda-nos João Leão Dehon e a necessidade de regressar aos fundamentos da sua experiência de fé sobre os quais está construido o seu admirável projecto de vida pessoal e o Instituto religioso apostólico ao qual pertencemos" (n? 3) "Somos chamados a actualizar hoje a experiência de fé do Padre Dehon e o seu modo de ler e viver o Evangelho". (n? 1 O)

"Inspiramo-nos na sensibilidade evangélica de Leão Dehon e na sua consciência das carências da sociedade e da Igreja". (n" 49)

"A acção do nosso Fundador nascia da contemplação e estava empenhada em mudar a mentalidade e as estruturas". (n? 50)

2. "Convocados à comunidade".

Também na perspectiva das "orientações para o nosso empenho na missão" cabe dar atenção a outra afirmação: "sentimo-nos convocados à comunidade", uma vez que a comunidade e a consequente vivência comunitária, além de ser um dos elementos constitutivos da vida religiosa tal com a Igreja a concebe e aprova, é repetidas vezes referida como elemento essencial da nossa "especificidade apostólica".

Em clima de retiro, que é como quem diz de renovada tomada de consciência dos nossos compromissos e de exame e revisão de vida, é mais do que oportuno tomar em consideração algumas afirmações como estas:

"Reafirmamos que a vida comunitário é o nosso primeiro empenho apostólico".

Assim, sem mais. E no final do mesmo n° 9 da Mensagem do Capítulo, também assim sem mais: "A vida comunitária é a nossa missão", citando a Conferência Geral de Neustadt. E, concretizando: "Nas nossas comunidades, nos seus diversos niveis e nas suas diferentes idades, valorizamo
s a nossa vida comunitár