Assistimos, ao longo deste mês de Agosto, a um conjunto de desastres naturais, que se estenderam um pouco por todo o globo. Enquanto o sul da Europa se digladiava com incêndios de grandes proporções e extremamente difíceis de extinguir, por causa do calor e do vento que se faziam sentir, outros lugares do mundo viram-se abraços com cheias e inundações, que arrasavam tudo aquilo que encontravam pelo caminho.

Numa ou noutra situação, não foram poucos aqueles que perderam tudo o que construíram ao longo da sua vida e que se vêem agora obrigados a começar de novo – resta saber se realmente terão ainda forças para o fazer. No meio de tudo isto, chamou-me a atenção aquilo que aconteceu na Turquia, que experimentou, praticamente ao mesmo tempo, estas duas provações de uma forma muito violenta.

Estes eventos adversos e de grandes proporções serão cada vez mais o nosso presente e o normal nas nossas vidas. Teremos de nos preparar para a sua chegada e aprender a viver com estas adversidades, procurando mitigar os seus danos, pois não podemos consentir que os mais indefesos e impreparados possam perder aquilo que adquiriram com o seu trabalho e esforço. As alterações climáticas são uma realidade presente e próxima de todos nós, pelo que não podemos ficar tranquilamente sentados no sofá a ver o que acontece noutros lugares do mundo, como se esse mal nunca batesse à nossa porta. Acho mesmo que aquilo que ainda nos falta viver será caracterizado indefectivelmente por este confronto permanente com a ira da natureza, que de tanto ser agredida se tornou também ela num perigoso agressor. Perdemos – talvez para sempre – os lugares onde nos podíamos sentir seguros…

Não estamos a conseguir mudar o nosso estilo de vida. A conversão ecológica é ainda uma miragem nas nossas sociedades, quando não um desejo piedoso. Estamos tão apegados a um determinado modo de vida, que nos custa imenso mudar os mais pequenos hábitos. Parece que continuamos à espera que os outros o façam em nosso lugar e preferimos apontar a responsabilidade aos governos e demais autoridades. Por sua vez, os avisos estão a avolumar-se de dia para dia, mas o nosso coração endurecido resiste à mudança. Teremos mesmo de esperar que o mal bata à nossa porta? É possível que uma sociedade hedonista e narcisista assuma uma mudança radical de atitudes e comportamentos, como aquela que parece necessária?

Há muita coisa que podemos fazer! Temos nas nossas mãos o poder para mudar esta situação. Os pequenos gestos são capazes de desencadear grandes transformações. Precisamos de ser mais exigentes e responsáveis, ao nível do que consumimos e na forma como vivemos. É urgente um exame sério e atento aos nossos hábitos, gestos e costumes, de forma a conhecer aqueles que não podem continuar a ser alimentados. O tempo esse começa a escassear. Hoje mais do que nunca, é preciso estar vigilante…

José Domingos Ferreira, scj