António Silva, scj

De coração cheio e exultante, partilho convosco esta grande alegria do meu chamamento vocacional, na certeza de que este sentir de coração conta e reconta a história de tantos outros, que como eu, foram tocados e inquietados por uma voz que chama pelo nome: “António, vem e segue-Me”. Voz que não se confunde e que, a cada dia, fala de uma Presença bem viva e eficaz, capaz de transformar a vida do próprio e dos que se deixam tocar pela mesma Voz.

São muitos os rostos e as histórias que formam a minha vocação, a começar pela minha família, berço da fé e da minha humanidade, passando pela comunidade paroquial dos vales que conservam a lição do trabalho árduo e a riqueza das tradições, sem nunca esquecer as aventuras de um Colégio – sempre missionário – que me estruturou como ser e deu à minha juventude uma oportunidade privilegiada de discernimento. Precisamente, privilegiada, porque há distância de alguns anos, vejo, agora, o quanto foi providencial para mim e para tantos colegas ter a companhia de irmãos mais velhos que nos ajudaram a descobrir a beleza da questão “vocação?”. Ninguém avança numa decisão, sem primeiro colocar a sua vida em questão; ninguém fala de Amor, sem ter feito essa experiência de modo incarnado na sua própria história; ninguém define uma identidade senão apoiado pelas diversidades de gente que dão sentido à construção de uma narrativa de vocação. É assim que fui e vou crescendo, nas diversas etapas que constituem a progressividade da consagração. É assim que Deus me tem acompanhado e desafiado a ser mais d’Ele em vista da união.

São muitos e variados os encontros dos quais Deus se vai servindo para ir guiando o meu coração até esta entrega de coração no Coração, que agora se exprime através da consagração para servir e amar como diácono na Igreja e no Mundo, e futuramente como também como sacerdote.

Esta vocação para servir nasce da certeza de que no meu coração arde o Amor de Deus, manifestado através desta entrega aos outros, com uma atenção especial para os mais frágeis e marginalizados. Aliás, mais do que as coisas que se podem fazer, interessa pois dar testemunho desta experiência de Amor que nos toca a todos e que a todos impele para o serviço. Eis o grande dom que me foi concedido ao longo destes anos de caminhada junto dos dehonianos, junto dos meus caros irmãos de Espírito: a missão de ser conforme ao Amor anunciado, celebrado e partilhado a partir do encontro pessoal com Cristo.

Sentindo-me, assim, amado por Deus e acompanhado pela amizade e oração dos meus irmãos, é impossível não querer ser, nem fazer outra coisa neste mundo senão ser anunciador, “partilhador”, testemunha de que vale a pena dar-se, vale a pena deixar-se encontrar, vale a pena valorizar o tesouro da vulnerabilidade que nos habita, vale a pena acreditar, vale a pena ir contra a corrente da indiferença e conformação, vale a pena rezar, vale a pena amar e deixar-se amar. O bom Coração de Jesus que tanto ama o mundo e cada um de nós nunca nos deixará abandonados. Uni-vos a esta alegria dos Sacerdotes do Coração de Jesus com a certeza de que quem ao Amor se dá, Amor vive, crê e partilha. Rezemos para que tantos outros jovens e adultos se deixem questionar pelos passeios de Deus nas suas vidas e, assim, tocados na sua intimidade possam dizer um “sim” a este projecto de levar o Coração de Deus a todos os corações do mundo.

António Silva, scj