Quando somos chamados a refletir sobre o tema das vocações, o nosso pensamento inclina-se para as vocações sacerdotais e religiosas.
A vocação é um termo muito mais vasto. É um dom que deve ser partilhado para melhor perceber ao que somos chamados.

Na vocação matrimonial, um aspeto muito importante é pensar o “eu” e os “outros” como um todo, como uma realidade una.

Se o primeiro passo para a vivência desta vocação matrimonial é a “escolha” da pessoa com uma vocação semelhante à minha, a verdade é que essa pessoa tem também uma família, uma história, uma vida e o seu próprio “eu”.

Nunca serei realizado se a pessoa ou as pessoas que comigo vivem o dia-a-dia não se sentirem completas e realizadas da mesma forma.
Na vocação matrimonial e sem que o “eu” deixe de existir, passa a haver um “nós” que se torna num “novo eu”.

Este processo de descoberta do “novo eu” é um caminho que se vai trilhando com a consciência de que não se está sozinho. É importante caminhar juntos e procurar colocar sempre o “nós” como objetivo para que se identifique que há uma fusão de dois “eus” e não apenas uma sobreposição de um “eu” ao outro, e muito menos o caso de dois “eus” distintos, com caminhos independentes, não em comum.

José Luís Freire
Famílias Dehon