Curso de Formação Permanente – Terceira Etapa

▬ Depois da peregrinação aos “lugares dehonianos”, depois da semana em Salamanca, com visita aos “lugares teresianos”, o grupo de formação permanente da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, Dehonianos, parou em Aveiro, para uma semana de retiro na casa do Noviciado. Juntaram-se ao grupo mais alguns confrades que, orientados pelo P. Basileu Pires (Marianos da Imaculada Conceição) meditaram sobre o tema “Felizes de nós – As Bem-aventuranças”.

O retiro decorreu com a serenidade própria de um tal momento. Os ambientes da casa e do jardim, com o silêncio entrecortado pelo gemido das rolas e pelo chilrear de muitos e variados pássaros, facilitavam o recolhimento e a reflexão. A celebração e a Adoração eucarísticas foram momentos fortes de oração e contemplação.

Depois de uns dias a rezar a Misericórdia do Senhor, a tarde de quinta-feira, foi destinada à celebração do Sacramento da Penitência, com a colaboração do P. Manuel Brito, carmelita descalço da comunidade de Aveiro.

Ao terminar o retiro, no final da manhã de sexta-feira, dia 23, juntaram-se onze confrades espanhóis, que também fazem umas semanas de formação permanente, e que tinham passado os últimos dias em Aveiro, com visitas ao Buçaco, a Fátima e ao Porto. Foi um momento de animado convívio e confraternização, como tinham sido os que juntos passámos em Salamanca. O Superior Provincial marcou também presença no encerramento neste primeiro Curso de Formação Permanente.

A comunidade do Noviciado sente-se feliz por ter proporcionado a todos boas condições para o retiro, para o encontro e para a confraternização.

» Fernando Fonseca, scj
 

Sub-10 em Santiago de Compostela

▬ Nos dias 12 e 13 de Julho o grupo de Sub-10 da nossa Província (religiosos com menos de 10 anos de Profissão Perpétua) fez a sua peregrinação a Santiago de Compostela. No dia 11 à noite, no Porto, tivemos um momento de convívio entre os peregrinos e alguns religiosos que não puderam deslocar-se. Escolhemos ir a Santiago porque estamos em ano de Jacobeo e esta pareceu-nos uma boa oportunidade para venerarmos o grande Apóstolo S.Tiago, para recebermos a respectiva indulgência e também para cimentarmos as nossas relações como grupo.
Como é fácil de perceber não fizemos a peregrinação a pé (foram apenas dois dias), mas sim de carro (não havia disponibilidade de tempo para mais…). Esteve presente um bom grupo de religiosos dos Sub-10, acompanhados do seu Mestre (Pe. Saturino) e do Superior provincial (Pe Zeferino), tendo este último regressado mais cedo por afazeres do seu ofício.
Participámos nas celebrações eucarísticas na Catedral de Santiago e não pudemos deixar de subir até à imagem do Santo e de o saudarmos, como é hábito dos peregrinos. Aproveitámos também para visitar alguns lugares históricos mais relevantes da cidade. Um guião, concebido pelo Pe Roberto Viana, ajudou-nos na visita aos locais de Espanha e de Portugal por onde passámos.
Este foi um momento forte da nossa caminhada como grupo neste ano, que juntou oração e convívio, iniciativa que se deve repetir no futuro. O próximo encontro dos sub-10 está agendado para o próximo dia 1 de Dezembro.
Agradecemos a hospitalidade da comunidade do Seminário Missionário Padre Dehon, a atenção da comunidade do Seminário de Nossa Senhora de Fátima, Alfragide (que disponibilizou a carrinha), e de todos os que colaboraram para que vivêssemos bem estes dois dias.

» Adelino Ferreira, scj
 

Curso de Formação Permanente – Segunda Etapa

 

▬ A segunda etapa de Formação Permanente para os religiosos mais velhos da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus teve início a 13 de Julho. Depois de umas horas de repouso, em Aveiro, o grupo partiu para Salamanca, onde foi recebido cordialmente pelos confrades espanhóis.

▬ A manhã do dia 14 foi destinada a visitar a cidade. Passámos pelo convento dominicano de S. Estêvão, onde foi decidida a viagem de Cristóvão Colombo à América, e onde funcionou a célebre escola que tanto se distinguiu no campo da teologia, mas também do Direito. Aí foram defendidos os direitos dos índios e alguns interessantes princípios que hoje chamaríamos ecológicos.
Visitámos, depois, as duas catedrais, a nova e a velha, bem como a torre dos Jerónimos. Além da beleza e da majestade desses monumentos, impressionaram-nos as marcas deixadas pelas ondas de choque do terramoto de Lisboa de 1755.
Passámos ainda pela universidade. Admirámos a fachada plateresca, o claustro, a estátua de Frei Luís de Leão e os “víctores” pintados nas paredes. Descemos à igreja da Puríssima onde pudemos contemplar o célebre retábulo de Ribera. Subimos à Praça Maior, maravilhosa sala de visitas da cidade. Detivemo-nos a admirar a beleza dos edifícios e a boa convivência, a serenidade e a alegria das largas centenas de pessoas, mais ou menos jovens, que a enchiam.
A parte da tarde, depois da obrigatória sesta, verdadeiro yoga espanhol, o P. Isildo brindou-nos com uma reflexão sobre “A comunhão com Cristo e a comunhão fraterna”, seguida de um animado debate.
O dia terminou com a adoração eucarística e a celebração de vésperas com a comunidade e com o grupo de formação permanente dos nossos irmãos espanhóis.

▬ O dia 15 foi escolhido para iniciar os nossos contactos com os lugares teresianos, também visitados pelo Fundador, P. Leão Dehon. Pelas 09.00 horas partimos para Ávila. Depois de uma paragem no Miradouro dos Quatro Postes, para ver o conjunto da cidade com as suas bem preservadas muralhas, descemos ao convento da Encarnação, onde Santa Teresa viveu cerca de 30 anos. Aí observámos a antiga portaria com diversos móveis, objectos e pinturas que documentam mais de quatro séculos de presença das religiosas. Admirámos uma cela que testemunha a forma de vida das freiras, antes da reforma teresiana. Na sala do campanário vimos objectos usados pela mística Doutora, por S. João da Cruz, com uma preciosa colecção de imagens, pinturas e alfaias litúrgicas. Dessa sala se observa também a cela que Teresa de Jesus usou quando priora.
Na igreja, observámos o coro baixo e a porta por onde a santa entrou, à força, para realizar a reforma do convento. Rezámos e cantámos a capela da transverberação, onde se mostra outra cela ocupada por Teresa de Jesus durante algum tempo.
Retomado o caminho, entrámos em Ávila para visitar o convento de S. José, onde Teresa iniciou a reforma da Ordem, a catedral e a casa onde nasceu, há muito transformada em capela.
Na parte da tarde, o nosso confrade espanhol, P. Ramón Domingues, apresentou-nos o Beato João Maria da Cruz, dehoniano martirizado durante a guerra civil espanhola. Com numerosas fotografias, apresentou alguns escritos que particularmente reflectem a espiritualidade dehoniana. Foi um bom encontro com este nosso confrade, que vale pela sua santidade e pelo seu martírio, mas que também simboliza a santidade e o martírio de tantos outros nossos irmãos ao longo dos 132 anos da Congregação.

▬ O dia 16 levou-nos, em primeiro lugar, ao Seminário de S. Jerónimo, em Alba de Tormes, onde os nossos confrades procuram educar a juventude e promover vocações para a nossa vida consagrada. Interessou-nos particularmente o museu P. Belda, situado nas ruínas da igreja do antigo mosteiro premonstratense e jerónimo, que estava em ruínas quando foi adquirido, em finais da década de cinquenta do século passado. O P. Belda, professor universitário em Salamanca, na área da Filosofia, foi um apaixonado pela História, pelas Belas Artes e pela Arqueologia, reunindo uma importante colecção de artefactos pré-históricos e históricos expostos no museu que, agora, tem o seu nome, ou guardados em lugar apropriado.
Terminada a visita a esse seminário dehoniano, dirigimo-nos para o convento da Encarnação, onde repousam os restos mortais de Santa Teresa de Jesus. Rezámos diante do seu túmulo, como fez o P. Dehon, em finais de Abril do ano de 1900, quando deixou escrito no livro de visitas: «Boa Santa, apresentai as minhas intenções ao Divino Mestre, que nada vos nega.» Depois da visita à igreja e ao museu teresiano, onde se vêem o coração e o braço esquerdo da Santa, cada um teve tempo de lhe apresentar os seus pedidos, certamente rogando, como o P. Dehon, «um fervente amor por Nosso Senhor», como lemos no seu livro de viagens «Au della des Pyrénées». No mesmo livro, afirma Leão Dehon: «Voltarei a ler com mais interesse e, espero, com mais proveito, os seus maravilhosos escritos. Ela é o doutor da vida mística».
O dia terminou com uma conferência do P. Fernando Ribeiro sobre a espiritualidade dehoniana. Tratando-se de um tema vasto, o orador soube sintetizá-lo de modo claro, dinâmico, atraente.

▬ Queira Deus que estes contactos com o Beato João Maria da Cruz, e com S. Teresa reavivem em nós o amor por Jesus, e façam crescer em cada um a mística dehoniana de uma vida toda transformada em oblação reparadora, em eucaristia permanente.

» Fernando Fonseca, scj
 

 

Curso de Formação Permanente – Primeira Etapa

 

▬ Quinze dos religiosos dehonianos portugueses, que professámos até 1969, iniciámos, a 5 de Junho, a primeira etapa da formação permanente que nos foi proposta: uma visita aos “lugares dehonianos”. Tomado o avião, logo de manhã cedo, no Porto, chegámos a Paris à hora prevista. Esperava-nos um autocarro que, de imediato, nos conduziu para uma visita panorâmica guiada à Cidade Luz, com paragens junto dos principais monumentos. Particularmente significativa foi a visita à igreja da S. Sulpício, frequentada pelo P. Dehon, quando, ainda jovem, estudava Direito na Sorbonne e habitava no vizinho Bairro Latino. Era nessa igreja que rezava, recebia o Sacramento da Reconciliação e participava na Eucaristia. Era também que se empenhava na catequese, nas Conferências de S. Vicente de Paulo, no Círculo de reflexão católico. Aí encontrou bons directores espirituais, que muito o ajudaram a caminhar na fé e a discernir a sua vocação.

▬ No dia seguinte, 6 de Junho, subimos a Montmartre, e visitámos a basílica dedicada pela França, “penitente e agradecida”, ao Coração de Jesus. Celebrámos a Eucaristia e fizemos adoração, com idêntico espírito de penitência e gratidão. E ainda houve tempo para uma breve visita aos arredores, onde admirámos as obras dos artistas que por lá se detêm a desenhar paisagens ou o rosto de quem lhes paga. A parte da tarde ficou ao dispor de cada um. Uns subiram à Torre Eifel, outros optaram por uma viagem de barco no Sena. Mas também houve quem preferisse ficar a descansar.

▬ No dia 7, logo de manhã, seguimos de autocarro para S. Quentin. Mas houve tempo para visitar a Basílica de S. Remígio e a Catedral, em Reims, tão significativas para a França cristã. Visitámos igualmente Laon, com a sua Montanha Coroada e a magnífica Catedral. Ao fim da tarde, chegámos a S. Quentin que, durante cinco dias, seria o centro da nossa peregrinação. Aí foi vigário paroquial o P. Dehon, durante sete anos. Aí exerceu a sua intensa actividade pastoral e social. Aí lançou as suas iniciativas em ordem a formação espiritual e social do clero, dos empresários e dos trabalhadores. Aí fundou a Congregação. Aí está sepultado.

▬ O dia 8 foi destinado a visitar S. Quentin, particularmente a igreja de S. Martin, onde celebrámos a Eucaristia. Detivemo-nos junto ao túmulo do P. Dehon, como filhos à volta do pai. Rezámos pela Congregação, pela Província e pelos bons frutos da nossa formação. Cantámos o hino «Salve Padre Leão Dehon». Seguidamente, o nosso confrade, P. Marcel, acompanhou-nos a visitar o que resta da Obra de S. José, criada pelo P. Dehon, quando sétimo vigário da paróquia, e o Colégio S. João iniciado quando decidiu fundar a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. Observámos o lugar onde se ergueu a Casa-mãe, destruída durante a guerra de 1914-1918, e onde agora se vê um estacionamento de carros e uma rua. Depois do almoço, já de autocarro, visitámos o cemitério oriental da cidade, onde inicialmente foi sepultado o P. Dehon, e onde ainda repousam alguns dos primeiros padres da Congregação, alguns confrades da província francesa e também o antigo superior geral, P. Alberto Bourgeois. Perto está o mausoléu das Servas do Coração de Jesus, que tanta influência tiveram na fundação do nosso Instituto. Depois de uma oração, prosseguimos para Fayet, a fim de visitarmos o que resta do primeiro seminário dehoniano, a Escola Apostólica de S. Clemente, destruída durante a primeira Grande Guerra. As visitas terminaram no santuário de Nossa Senhora de Liesse, tão querido ao P. Dehon. Lá esteve com a família, antes de entrar, aos 21 anos, e já doutor em Direito, no Seminário de Santa Clara, em Roma.

▬ O dia 9 levou-nos a La Capelle, à casa dos Dehon. Aí celebrámos a Eucaristia e almoçámos. Observamos a casa, o jardim onde o menino Leão gostava de cultivar flores para os seus altares, e o campo dos cavalos preferido pelo irmão Henrique. Um confrade da comunidade acompanhou-nos a visitar a igreja, o centro paroquial, o mausoléu dos Dehon, no cemitério local, e a capela de S. Grimónia, padroeira da povoação.
Regressados a S. Quentin, visitamos a grande e bela Basílica dedicada ao mártir que deu nome à cidade, nomeadamente a capela onde o P. Dehon costumava celebrar a eucaristia. A sul da basílica, onde outrora estava a casa dos vigários, vê-se, agora, um jardim e um parque de estacionamento. Leão Dehon recorda o bom ambiente que reinava entre os vigários, bem como o elevado nível cultural que os distinguia.

No dia 10, deslocámo-nos a Bruxelas para visitar a Casa do Sagrado Coração. O Fundador viveu aí os seus últimos anos na terra. Estivemos no seu escritório, e, com grande emoção, entrámos no seu quarto. Aí recordamos as palavras que, ao expirar, pronunciou, apontando um quadro de Jesus, com o apóstolo S. João reclinado sobre o seu peito: «Para Ele vivi, para Ele morro». Além do leito onde morreu, guardam-se o genuflexório onde rezava, a cadeira que usava, alguns paramentos e outros objectos que lhe pertenceram. Aí rezámos e entoámos o «Ecce venio! Fiat! Ecce venio», renovando o nosso acto de oblação, como o Fundador tanto gostava de fazer.
Os confrades de Bruxelas receberam-nos calorosamente, oferecendo-nos um lauto almoço preparado pelas duas cozinheiras portuguesas que servem a comunidade. Um dos confrades acompanhou-nos a visitar o Parlamento Europeu, a Catedral e a famosa praça central da cidade.
Da casa de Bruxelas, partiram algumas centenas de missionários para várias partes do mundo, incluindo os 28 mártires do Congo, sacrificados em 1964.

▬ No domingo, dia 11, já em S. Quentin, fomos concelebrar a Eucaristia com o P. Marcel, na comunidade Beato João XXIII, uma das três confiadas aos nossos padres. São comunidades bem organizados, onde predominam pessoas de mais idade. Mas, o final da eucaristia, apareceu uma pequena multidão que acompanhava o baptismo de umas 10 ou 12 crianças.
De tarde assistimos a um concerto de órgão na Basílica. Foi um dia mais calmo, para ler, rezar, fazer visitas e descansar.

▬ O dia 12 começou com a celebração da Eucaristia na igreja de S. Martin e uma passagem de despedida junto ao mausoléu do P. Dehon. Mas aAinda houve tempo para passar pela casa paroquial, e admirar diversas fotografias históricas, nomeadamente a da Casa-mãe da Congregação, com o fundador e alguns dos primeiros padres. Prosseguimos, depois, a viagem para Paris. Depois de mais umas voltas e visitas à cidade, rumámos ao aeroporto de Orly, donde levantámos voo para o Porto, ao fim da tarde. Chegámos pelas 22.00 horas. Depois de uma passagem pelo Seminário, rumámos para a casa do Noviciado, em Aveiro, onde pernoitámos e descansámos, antes de iniciar a segunda etapa da nossa
formação.

▬ Estes dias foram essencialmente de convívio e de contacto com os lugares mais significativos para a Congregação, com leituras de extractos das Memórias do Fundador, de um opúsculo sobre a sua actividade como vigário paroquial em S. Quentin e da espiritualidade que o animou, e de uma síntese sobre a Obra de S. José e as diversas actividades que englobava. As celebrações eucarísticas decorreram com calma, havendo boa partilha de reflexões e orações. Reservaram-se tempos para oração pessoal e adoração eucarística. Utilizaram-se orações apropriadas para os diversos momentos e situações. Deixou-se tempo para leitura, reflexão e oração pessoal.

▬ O balanço destes dias é francamente positivo, restando-nos agradecer aos confrades que ficaram a suportar «o peso do dia e o calor» para que esta semana de formação posse possível.

» Fernando Fonseca, scj